estudos:henry:cc:marxismo
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:henry:cc:marxismo [16/07/2026 13:05] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:henry:cc:marxismo [11/09/2026 04:01] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Marxismo ====== | ||
| + | //HENRY, Michel. Du communisme au capitalisme. Théorie d'une catastrophe. Paris: Odile Jacob, 1990.// | ||
| + | |||
| + | **O marxismo como teoria fascista** | ||
| + | |||
| + | * Os países socialistas oferecem não apenas o espetáculo da penúria mas também o de regimes em que o indivíduo é posto em causa e gravemente ameaçado em sua própria existência, | ||
| + | * o prejuízo pode ir além, atingindo a família, afastando parentes ou virando-os contra o indivíduo, sendo seus filhos excluídos da escola por ser o pai pastor, podendo o próprio indivíduo ser preso, deportado, torturado ou fuzilado | ||
| + | * O horror, em cada caso, é que o condenado não o é por algo que fez mas pelo que é, sendo ele mesmo enquanto tal o culpado, de modo que a única pena concebível seria a supressão de seu próprio ser, sendo o último passo dessa lógica do terror levar o culpado por ser o que é a reconhecer ele próprio essa culpabilidade essencial, único caminho de salvação tanto para o juiz e o carrasco quanto para o condenado | ||
| + | * Propõem-se várias explicações para essa violação permanente dos direitos humanos observada em todos os países comunistas: a primeira é o próprio estado de penúria, que suscita reação vívida da vida sob forma de clandestinidade e ilegalidade — o segundo mercado, a troca duvidosa, o roubo, a pilhagem —, vivendo cada um em estado permanente de ilegalidade, | ||
| + | * A situação de medo assim criada torna-se meio de governo, o mais poderoso de todos, pois diante de gente insatisfeita inclinada a questionar as instituições, | ||
| + | * assim se compreendem, | ||
| + | * A segunda explicação é o ressentimento, | ||
| + | * a penúria exacerba o ressentimento, | ||
| + | * A reivindicação da igualdade travestida de justiça social, quando procede do ressentimento, | ||
| + | * A terceira explicação é o próprio marxismo, que não se contenta em elevar a " | ||
| + | * As classes sociais determinam a história e a sociedade porque determinam primeiro os indivíduos, | ||
| + | * Deve-se, contudo, levar essa verdade até o fim e para isso inverte-la: a ilusão teórica do marxismo é instaurar uma relação de causalidade entre o indivíduo e a categoria social, supondo duas realidades distintas e desigualdade ontológica entre causa e efeito, reduzindo o marxismo a sociedade às classes que a constituem mas mantendo a mesma estrutura substancial preexistente às partes | ||
| + | * Marx havia denunciado com extrema vigor essas concepções sociologizantes, | ||
| + | * A questão não é cronológica, | ||
| + | * Explica-se essa representação estranha pela qual tais caracteres, extraindo sua realidade da vida subjetiva individual, parecem determiná-la do exterior: é a própria representação a fonte dessa ilusão, pois ao tentar compreender as múltiplas subjetividades entrelaçadas na práxis social, o pensamento as representa isolando traços que se oferecem como conteúdos objetivos, os " | ||
| + | * não é porque lavra e semeia que o camponês francês do século XIX pertence à classe camponesa, mas porque pertence a essa classe que pisa na lama no inverno e colhe no verão, exclamando Marx diante dessa gênese invertida: "Mais uma vez, tudo é posto de pernas para o ar" | ||
| + | * Marx forneceu ele mesmo a teoria dessa ilusão, afirmando que as " | ||
| + | * Quando essas condições, | ||
| + | * Todo projeto socialista " | ||
| + | * Essas relações de classe apresentam nos tempos modernos simplificação notável, reduzindo-se à oposição única entre os que possuem os meios de produção e os que só têm sua força nua, explorando os primeiros os segundos através da mais-valia acumulada, revestindo a luta de classes a forma de confronto entre capital (a burguesia) e proletariado | ||
| + | * Essa luta, apesar do caráter científico da análise, carrega significação ética oculta, encarnando uma classe o Mal e outra o Bem, de modo que reduzir a realidade dos indivíduos à das classes que os definem torna a necessidade de suprimir o capitalismo idêntica à necessidade de suprimir todos os burgueses, pois se o ser de um indivíduo se esgota em sua determinação social, suprimir esta implica suprimir aquele | ||
| + | * A liquidação de camadas inteiras da população nas revoluções comunistas não é acidente mas consequência da teoria, devendo receber seu verdadeiro nome, genocídio, havendo genocídio onde uma população é aniquilada em seu conjunto por ser má em seu conjunto, encontrando-se caracteres desse gênero, capazes de definir profundamente cada indivíduo, precisamente na classe social tal como a entende o marxismo, o que torna o genocídio inevitável e explica por que essas liquidações massivas foram mais implacáveis sob o marxismo que sob qualquer outro regime, por serem teoricamente legitimadas | ||
| + | * Os burgueses propriamente ditos, donos dos meios de produção, são relativamente poucos e cada vez menos numerosos, mas os que têm interesse nessa liquidação, | ||
| + | * A instrução e a cultura, exigidas pelo capitalismo por necessidade de qualificação técnica, revelam-se nos pequeno-burgueses caracteres de classe a serviço do capital, podendo qualquer indivíduo capaz de ler e escrever ser condenado à morte assim que seu saber for reconhecido como sinal indelével de seu ser verdadeiro, sendo poupados apenas os que praticam autocrítica ou conseguem ocultar sua condição social, como a professora cambojana que salvou a vida disfarçando-se de vendedora de flores | ||
| + | * Esse aspecto mais temível do marxismo, pelo qual se assemelha como um irmão ao próprio fascismo que denunciou ao longo de sua história, exige esclarecimentos suplementares, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
