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| + | ====== Essência do Homem ====== | ||
| + | //HAAR, Michel. Heidegger et l’essence de l’homme. Grenoble, Jérôme Millon, 1990 / Heidegger e a Essência do Homem. Lisboa: Instituto Piaget, 1997 / Heidegger and the Essence of Man. Translated by Tr William McNeill. State University of New York Press, 1993.// | ||
| + | **Prefácio de Hubert Dreyfus** | ||
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| + | * O prefácio, assinado por Hubert L. Dreyfus, apresenta a obra de Michel Haar como uma inovação bem-vinda no panorama dos estudos sobre Heidegger, por conseguir combinar a atenção meticulosa aos detalhes, típica da abordagem germânica, com a distância crítica característica da abordagem latina, realizando um questionamento simpático que aceita a auto-compreensão de Heidegger em seus próprios termos para, então, revelar tensões centrais em sua obra. | ||
| + | * A pergunta fundamental que orienta a investigação de Haar é formulada a partir da tensão interna ao pensamento de Heidegger entre o Dasein como receptor das compreensões do ser e o homem como o " | ||
| + | * A primeira versão desse questionamento encontra uma resposta estrutural possível no próprio fenômeno revelado em "Ser e Tempo", | ||
| + | * Essa mesma compreensão do fenômeno poderia responder ao questionamento sobre se Sófocles poderia ter pensado a noção heideggeriana do poder avassalador do ser, uma vez que, embora o grego não o tenha pensado por estar tão próximo dele, isso não implica que a única alternativa seja admitir que o "homem grego" é também o que ele é hoje para nós, pois a compreensão vigente do ser em qualquer época deve ser experimentada pré-conceitualmente e não pensada. | ||
| + | * À medida que a obra avança, as questões levantadas por Haar tornam-se mais profundas, especialmente quando ele cita a tentativa de Heidegger de " | ||
| + | * A interpretação épocal do que as pessoas e as coisas se mostram exige práticas sociais, especialmente a linguagem, e uma capacidade de abertura de mundo ou sintonia, de modo que o ser precisa do homem enquanto, ao mesmo tempo, determina sua sensibilidade e suas práticas de forma completa. | ||
| + | * Essa argumentação, | ||
| + | * Para auxiliar na análise, são distinguidas quatro dimensões da essência humana: (1) a essência histórica do homem, que muda de época para época no Ocidente; (2) a essência trans-histórica do homem ocidental, que permanece a mesma através das várias épocas; (3) a essência não-histórica de todos os seres humanos, ou seja, dos mortais; e (4) o extra-histórico, | ||
| + | * O movimento em direção ao trans-histórico foca nas capacidades envolvidas na recepção das compreensões totais do ser, o que leva Haar a perguntar se Heidegger não estaria sugerindo, com sua reversão da fórmula " | ||
| + | * O que quer que torne possível a compreensão épocal do homem ocidental não pode ser ele próprio épocal, de modo que Heidegger deve uma explicação sobre a estrutura trans-histórica do Dasein, sendo essa capacidade trans-histórica de responder ao apelo do ser e de desenvolver práticas cada vez mais totalizadas que tem sido a ruína do homem ocidental. | ||
| + | * Como a história do ser culmina na ordenação total em que o homem como ordenador é também ordenado, surge a questão de como pode haver algo fora do sistema que mantenha aberta a possibilidade de uma nova compreensão do ser ou de uma existência significativa que resista à técnica, e Haar conclui que o poder salvador deve residir em alguma capacidade não histórica e transcultural dos seres humanos. | ||
| + | * A simplicidade do mortal, que habita a terra com outros e está exposto aos céus, não pertence nem ao amanhecer nem ao crepúsculo, | ||
| + | * Assim, Haar chega ao outro grande tema do Heidegger tardio: ao lado da história do ser, há o relato do " | ||
| + | * O habitar instancia um modo essencial do não-histórico, | ||
| + | * Tais práticas focais coexistem com a tendência totalizante da técnica e resistem a ela, invocando um todo imemorial que não concerne a nenhuma época precisa, mas que pode ou deve ser inserido em um mundo histórico concebido como o conjunto de opções abertas a uma cultura específica, | ||
| + | * Permanecendo próximo ao fenômeno apontado por Heidegger, Haar contribui com seu próprio exemplo sugestivo, argumentando que tanto o enraizamento local quanto a relacionalidade não instrumental pertencem à dimensão não histórica, de modo que, mesmo em um trem ou avião, o microcosmo aberto por um gesto de servir uma bebida escapa em parte do universo planetário, | ||
| + | * Isso demonstra que as coisas podem " | ||
| + | * A tensão entre o histórico e o extra-histórico, | ||
| + | * O corpo está imerso no não-histórico porque suas possibilidades sensoriais ou motoras são tão antigas quanto a vida, mas se abre para o histórico porque tanto os hábitos adquiridos em relação a ações particulares quanto os gestos " | ||
| + | * A questão que se coloca, então, é como a natureza e a cultura, a passividade original e o estilo penetrante das práticas sociais, podem ser distinguidos e relacionados, | ||
| + | * Quando o problema parece avassalador, | ||
| + | * O não-histórico não pode ser entendido como um " | ||
| + | * O Ereignis produz a abertura da clareira na qual os seres presentes podem persistir e os ausentes podem partir, sendo esse algo desconhecido-familiar o mais antigo e o mais recente ao mesmo tempo, e é o que torna possíveis as práticas humanas em todos os lugares e, portanto, torna possível o histórico, devendo ocorrer. | ||
| + | * Quer a explicação de Heidegger sobre o Ereignis tenha sucesso em permitir a compreensão dessa essência mais básica do homem, ou quer o Ereignis seja apenas um novo nome para esse entrelaçamento que coloca dificuldades intransponíveis ao pensamento, o livro de Haar, cujo propósito é questionar Heidegger, não elogiá-lo ou condená-lo, | ||
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