| Pois a História do homem dos gregos até nós é a história da auto-posição sempre mais firme e autônoma da essência humana. Para o sofista Protágoras, o homem é, por certo, a «medida de todas as coisas», mas ele obedece à lei de uma sophia que lhe prescreve as estritas fronteiras do seu reino e do seu saber. O homem cartesiano, kantiano, delimita e assume a finitude de uma vontade do conhecimento, todavia infinita no seu princípio. O homem das ciências humanas, cedendo à vontade da vontade, explora o seu próprio chão, reparte-se em setores objetiváveis e mensuráveis, projeta-se o grande filme inacabado do seu ativismo ilimitado. A história do homem é a de uma emancipação absoluta. De que se libertou ele? Ele libertou-se de toda a relação a um Outro diferente dele, quer fosse Deus, a natureza ou o ser. Tornou-se a relação total, o puro meio, o único objecto, o único estudo do único sujeito: ele próprio. O homem alimenta-se e haure-se nesta imensa tautologia, com a qual ele se contenta todavia; pois que se ele não excluiu dele próprio a angústia e a morte, ele lisonjeia-se de as ter desembaraçado da sua carga arcaica, metafísica e de as ter reduzido a questões psicológicas ou medicinais, quer dizer, técnicas. As questões técnicas não são questões, mas problemas claros, solúveis ou pelo menos desprovidos de enigma. | Pois a História do homem dos gregos até nós é a história da auto-posição sempre mais firme e autônoma da essência humana. Para o sofista Protágoras, o homem é, por certo, a «medida de todas as coisas», mas ele obedece à lei de uma sophia que lhe prescreve as estritas fronteiras do seu reino e do seu saber. O homem cartesiano, kantiano, delimita e assume a finitude de uma vontade do conhecimento, todavia infinita no seu princípio. O homem das ciências humanas, cedendo à vontade da vontade, explora o seu próprio chão, reparte-se em setores objetiváveis e mensuráveis, projeta-se o grande filme inacabado do seu ativismo ilimitado. A história do homem é a de uma emancipação absoluta. De que se libertou ele? Ele libertou-se de toda a relação a um Outro diferente dele, quer fosse Deus, a natureza ou o ser. Tornou-se a relação total, o puro meio, o único objecto, o único estudo do único sujeito: ele próprio. O homem alimenta-se e haure-se nesta imensa tautologia, com a qual ele se contenta todavia; pois que se ele não excluiu dele próprio a angústia e a morte, ele lisonjeia-se de as ter desembaraçado da sua carga arcaica, metafísica e de as ter reduzido a questões psicológicas ou medicinais, quer dizer, técnicas. As questões técnicas não são questões, mas problemas claros, solúveis ou pelo menos desprovidos de enigma. |