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estudos:haar:haar-1990139-143-o-salto-sprung [16/01/2026 14:40] – created - external edit 127.0.0.1estudos:haar:haar-1990139-143-o-salto-sprung [26/01/2026 09:28] (current) mccastro
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-===== HAAR (1990:139-143) – O SALTO (SPRUNG) =====+===== O SALTO (SPRUNG) (1990:139-143) =====
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 O que é o «salto»? Por que é preciso um salto? O salto é verdadeiramente um acto, uma atitude «voluntária» do pensamento? Nós arriscamo-nos aqui a ser logrados pelo preconceito da subjectividade, a saber: a ideia de que o pensamento deve (134) colocar o seu objecto e que deve apoderar-se dele por meio de categorias... imaginamos que não há outra alternativa; ou o pensamento é um trabalho conceptual, uma operação de fundação e de delimitação objectivante, ou então é um reflexo, uma imagem, um epifenómeno. Ora pode existir actividade de pensamento sem que haja objectivação, determinação a partir do pensamento. Reflectindo sobre a tradição da palavra mein na sentença de Parménides (to auto esti mein te kaieinai), Heidegger faz notar que o equivalente habitual, «apreender», «captar», é ambíguo. Noien pode significar a receptividade que a conceptualidade informa e transforma, à semelhança da receptividade da sensibilidade de Kant submetida à espontaneidade do entendimento. «Ora mein não significa precisamente uma tal aceitação passiva». noein também não significa o inverso, a captação, no sentido de tomada, captura, mão-colocada. O noein não é nem uma passividade nem uma tomada como captura, mas uma «tomada com cuidado» (in die Acht nehmen). O seu pensamento, como noein, corresponde a um logos não dominador, um logos que não é cálculo racional, mas recolhimento, semelhança, «deixar ser de modo semelhante». O que é o «salto»? Por que é preciso um salto? O salto é verdadeiramente um acto, uma atitude «voluntária» do pensamento? Nós arriscamo-nos aqui a ser logrados pelo preconceito da subjectividade, a saber: a ideia de que o pensamento deve (134) colocar o seu objecto e que deve apoderar-se dele por meio de categorias... imaginamos que não há outra alternativa; ou o pensamento é um trabalho conceptual, uma operação de fundação e de delimitação objectivante, ou então é um reflexo, uma imagem, um epifenómeno. Ora pode existir actividade de pensamento sem que haja objectivação, determinação a partir do pensamento. Reflectindo sobre a tradição da palavra mein na sentença de Parménides (to auto esti mein te kaieinai), Heidegger faz notar que o equivalente habitual, «apreender», «captar», é ambíguo. Noien pode significar a receptividade que a conceptualidade informa e transforma, à semelhança da receptividade da sensibilidade de Kant submetida à espontaneidade do entendimento. «Ora mein não significa precisamente uma tal aceitação passiva». noein também não significa o inverso, a captação, no sentido de tomada, captura, mão-colocada. O noein não é nem uma passividade nem uma tomada como captura, mas uma «tomada com cuidado» (in die Acht nehmen). O seu pensamento, como noein, corresponde a um logos não dominador, um logos que não é cálculo racional, mas recolhimento, semelhança, «deixar ser de modo semelhante».
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