estudos:haar:haar-1985-5-6-terra
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| - | Mas por que a técnica ameaça a Terra? Como ela pode abalar o “solo” de nossa morada — em alemão, o [?Bodenständigkeit], | + | Mas por que a técnica ameaça a Terra? Como ela pode abalar o “solo” de nossa morada — em alemão, o [[lx>Bodenständigkeit]], a capacidade de se apoiar no solo e de se manter sobre ele? Como é que a técnica pode produzir uma crise universal de morada? “A ausência de morada (ou falta de morada: Heimatlosigkeit) torna-se um destino mundial.” [GA9:336] Esse tipo de desenraizamento é mais profundo do que qualquer fenômeno puramente sociológico ou político. Quando o mundo é reduzido a uma rede de conexões intercambiáveis, |
| - | A Terra é mais antiga que Adão, mais antiga que a História. E, no entanto, a Terra não é “pura Natureza”. Embora apareça na [?epoche] e na clareira do ser como todo ente, ela não se reduz a um ente nem mesmo ao epocal, mas se retém, como o ser, preservando assim uma dimensão extra-epocal. Histórico e, no entanto, não histórico, aparece como o embasamento mais elementar do mundo, como seu corpo, ao qual nosso corpo está necessariamente conectado. | + | A Terra é mais antiga que Adão, mais antiga que a História. E, no entanto, a Terra não é “pura Natureza”. Embora apareça na [[lx>epoche]] e na clareira do ser como todo ente, ela não se reduz a um ente nem mesmo ao epocal, mas se retém, como o ser, preservando assim uma dimensão extra-epocal. Histórico e, no entanto, não histórico, aparece como o embasamento mais elementar do mundo, como seu corpo, ao qual nosso corpo está necessariamente conectado. |
| Sendo a subestrutura oculta do mundo, a Terra emerge nele como essencialmente opaca e fechada em si mesma. Na medida em que é obviamente fechada em si mesma, ela apresenta ao Aberto sua maior oposição, “sua resistência mais forte e, portanto, precisamente o lugar de sua estabilidade mais constante”. [GA5:57] No entanto, essa estabilidade subjacente é revelada e alcançada somente dentro da abertura do ser. Em outras palavras, a Terra não dispõe “em-si” do poder de dar embasamento; | Sendo a subestrutura oculta do mundo, a Terra emerge nele como essencialmente opaca e fechada em si mesma. Na medida em que é obviamente fechada em si mesma, ela apresenta ao Aberto sua maior oposição, “sua resistência mais forte e, portanto, precisamente o lugar de sua estabilidade mais constante”. [GA5:57] No entanto, essa estabilidade subjacente é revelada e alcançada somente dentro da abertura do ser. Em outras palavras, a Terra não dispõe “em-si” do poder de dar embasamento; | ||
| - | É fundamental que o conceito de Terra — ausente de Ser e Tempo, onde a natureza é reduzida a um “ser subsistente” e onde a temporalidade “extática” cumpre a destruição das raízes realizada pela filosofia transcendental — seja elucidado pela primeira vez em conexão com a interpretação da obra de arte. A partir de uma luta incessante entre um mundo epocal e a Terra, a obra, além de sua configuração que pertence ao mundo, torna manifesta uma “Terra” que antes não era visível. Esse conceito de Terra não se limita a fundir os significados tradicionalmente distintos de “material” e “natureza”, | + | É fundamental que o conceito de Terra — ausente de Ser e Tempo, onde a natureza é reduzida a um “ser subsistente” e onde a temporalidade “extática” cumpre a destruição das raízes realizada pela filosofia transcendental — seja elucidado pela primeira vez em conexão com a interpretação da obra de arte. A partir de uma luta incessante entre um mundo epocal e a Terra, a obra, além de sua configuração que pertence ao mundo, torna manifesta uma “Terra” que antes não era visível. Esse conceito de Terra não se limita a fundir os significados tradicionalmente distintos de “material” e “natureza”, |
| A obra poética ou artística ilumina nossa morada ao fundar expressamente o solo que sempre já nos sustenta. | A obra poética ou artística ilumina nossa morada ao fundar expressamente o solo que sempre já nos sustenta. | ||
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