estudos:haar:arte:mundo-terra
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| + | ====== Relação mundo-terra em Heidegger ====== | ||
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| + | ==== A Obra de Arte ==== | ||
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| + | O conflito entre a terra e o mundo é impossível de ser apaziguado. O mundo exige a clarificação das formas, espirituais e materiais: ele quer que tudo seja signo e significante. A terra exige o obscurecimento das formas, o nascimento dos símbolos. É o combate do dia e da noite. | ||
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| + | Sem a obra, este combate, sempre mais “velho” do que ela, permanecería latente. O que ela deixa adivinhar sob suas figuras audíveis ou visíveis, sob o percurso de uma melodia, sob o arabesco de um desenho, sob tal ou qual junção de cores, é uma fenda (Riss) invisível ou o elo rasgante que une terra e mundo. “O equilíbrio da obra que repousa em si mesma tem sua essência na intimidade do combate.”((Heidegger, | ||
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| + | O artista obedece à verdade sobre a qual ele não decide e que tem por si mesma uma tendência (Zug) que a leva à obra, isto é, à encarnação ou à instituição. Nessa instituição, | ||
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| + | A obra mostra a terra: a pedra, a madeira, as cores, mas também os sons da música ou da língua, como tais; mas, ao fazê-lo, ela não explora a terra como uma matéria submetida a uma forma. Ao contrário do utensílio, cujo material não se faz notar, desaparece na utilidade, a obra faz ressaltar expressamente sua própria dimensão “terrestre”. Como já demonstrara Valéry ((P. Valéry, “Poésie et pensée abstraite” (Poesia e pensamento abstrato), em Oeuvres, I, Col. “Bibliothèque de Ia Pleiade”, Gallimard, p. 1.314.)), o que distingue um poema de um trecho comum de prosa é um movimento cadenciado pelo qual a atenção às palavras se desloca, primeiro normalmente, | ||
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| + | Quanto mais inquietante é o mundo, mais terrível e estranha é a arte. Se, por efeito da técnica, que neutraliza todas as diferenças, | ||
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| + | O fato de uma obra pertencer ao que homem algum, por mais genial que seja, pode criar — uma terra e um mundo —, rompe com o primado romântico do artista-demiurgo, | ||
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| + | Enfim, toda obra, para existir e para brilhar precisa de uma comunidade humana que a receba e preserve. Sem essa preservação fiel, e deliberada, que não é um “culto”, | ||
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| + | //A obra de arte. Ensaio sobre a ontologia das obras. Tr. Maria Helena Kühner. São Paulo: Difel, 2000, p. 87-92// | ||
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