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| + | ====== Superioridade da Natureza ====== | ||
| + | //A obra de arte. Ensaio sobre a ontologia das obras. Tr. Maria Helena Kühner. São Paulo: Difel, 2000// | ||
| + | **II - A Superioridade da Natureza sobre a Arte** | ||
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| + | * A terceira Crítica de Kant introduz de imediato, de maneira indireta, um divórcio entre estética e filosofia da arte, já que a estética só pode preocupar-se com o sujeito, e não com a natureza do objeto representado, | ||
| + | * A relação estética não designa nada no objeto, a não ser talvez a simples forma da finalidade (§ 11), harmonização interior que a representação de um objeto suscita, remetendo o sentimento do belo aparentemente a uma finalidade sem que o objetivo seja o conhecimento ou o próprio prazer, provindo este somente da harmonia interna entre imaginação e entendimento, | ||
| + | * Kant mostra que a beleza natural proporciona um prazer estético mais puro e mais intenso que a beleza artística, pois a pura forma da finalidade é mais independente de toda representação de um fim quando se encontra na natureza do que quando se encontra em uma obra de arte (§ 42) | ||
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| + | **1. A natureza e a arte: o gênio segundo Kant** | ||
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| + | * Kant dissocia duplamente e por princípio o artístico do estético, pois embora a arte produza o prazer estético, puro prazer de reflexão, a natureza produz muito mais este puro prazer, aplicando-se mal as três primeiras definições do belo dadas pela Crítica da faculdade do juízo à obra de arte | ||
| + | * Para que uma coisa dê lugar a um juízo de gosto universalmente comunicável, | ||
| + | * Na arte a Ideia estética precede a obra, enquanto na bela natureza basta uma simples reflexão a partir de uma intuição não preconcebida para despertar uma ideia, sendo a arte a expressão de Ideias estéticas, representações da imaginação que oferecem perspectivas ilimitadas de unificação dos atributos estéticos dos objetos (§ 49) | ||
| + | * A ideia estética supera o poder unificador do conceito, permitindo à imaginação pensar um indizível situado além do entendimento, | ||
| + | * A superioridade da natureza sobre a arte evidencia-se também no próprio campo da arte, pelo fato de a arte precisar do modelo da natureza para ser ela mesma, perdendo a aparência de arte caso sua finalidade seja excessiva e manifestamente intencional | ||
| + | * A natureza serve assim de modelo para a arte, mas, enquanto Ideia estética, este modelo não pode ser conceitualizado, | ||
| + | * Só os maus artistas conhecem de antemão seu produto, tendo o gênio algo em comum com a espontaneidade da natureza por ser incapaz de dizer de onde lhe vêm suas ideias, repetindo Kant nos §§ 46 e 47 que ele mesmo não sabe, devendo o produto da arte, tal como o da natureza, poder ser pensado como uma finalidade que não decorre de um conceito prévio, sendo os artistas inconscientes na medida em que não podem conceber a regra pela qual devem realizar seu produto | ||
| + | * Há uma dimensão inexprimivelmente natural na produção artística, na atividade criadora do sujeito, na qual Schelling verá o ponto de identidade metafísica entre a liberdade e a natureza, sendo por intermédio do gênio, chamado de um favorito da natureza (§ 49), que a arte é um produto da natureza, embora Kant não seja um romântico, pois precisa tratar-se da natureza do sujeito, a livre disposição de suas faculdades, o jogo harmonioso da imaginação e do entendimento | ||
| + | * O classicismo de Kant aparece igualmente no fato de que, para ele, o gênio deve estar submetido à norma do gosto, a natureza excepcional à natureza universal | ||
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| + | **2. A classificação kantiana das artes** | ||
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| + | * Kant classifica as belas-artes em três espécies, segundo as três formas de expressão de que os homens se servem para comunicar não só seus conceitos, mas também suas sensações: | ||
| + | * As páginas dedicadas a esta classificação não citam obra alguma, escola, movimento artístico ou nome de artista, pois são as próprias definições, | ||
| + | * Quanto à pintura, Kant contenta-se em indicar que ela dá apenas a aparência da extensão corporal, preferindo-lhe, | ||
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