estudos:guest:niilismo
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| + | ====== Nihilismo ====== | ||
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| + | LDMH | ||
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| + | * Pensamento de Heidegger assume tarefa de efetuar relevo topológico do nihilismo, confrontando perigo constitutivo de movimento de fundo da história do Ocidente tornado planetário. | ||
| + | * Nihilismo em questão não se reduz ao grande nihilismo europeu diagnosticado por Nietzsche, que era apenas sinal revelador profundo. | ||
| + | * Não se trata tampouco de superar, via ativismo de algum nihilismo ativo, nihilismo mais devastador diagnosticado na história do Ser (Seyn). | ||
| + | * Resposta a Ernst Jünger em //Zur Seinsfrage// | ||
| + | * Exige-se antes paciente // | ||
| + | * Essa topologia permite séjourner de modo consciente e meditativo no coração do país do Ser (Gegend des Seins). | ||
| + | * Séjourner implica enfrentar perigo do desamparo do Ser (Seinsverlassenheit) e da devastação (Verwüstung). | ||
| + | * Abertura para vigília e meditação salvadoras pertence a outro início do pensar, a pensar a história do Ser e do // | ||
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| + | * Determinação nietzscheiana do nihilismo europeu define-o como movimento de desvalorização de todos os valores supremos. | ||
| + | * Desvalorização decorre de desilusões metafísicas: | ||
| + | * Tais desilusões correspondem às três modalidades do nihilismo como estado psicológico. | ||
| + | * Etiologia última do sintoma reside no retorno da vontade de poder contra si mesma, no modo do ressentimento. | ||
| + | * Princípio expresso na fórmula: homem prefere querer o nada a não querer nada. | ||
| + | * Este nihilismo da vontade de poder é parte integrante do movimento de fundo da história do Ocidente. | ||
| + | * Inclui-se também a doutrina que Nietzsche pretende oferecer dele. | ||
| + | * Heidegger compreende esse movimento como história da metafísica e, em última instância, história do Ser (Seyn). | ||
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| + | * Nihilismo heideggeriano define-se a partir da premissa de que o Ser como tal não é nenhum ente. | ||
| + | * Movimento de fundo e // | ||
| + | * Denegação formulada como //il n’en est rien de l’Être lui-même// | ||
| + | * Essa denegação ocorre em detrimento do sentido da diferença ontológica entre Ser e ente. | ||
| + | * Atenção da metafísica dirige-se apenas ao ente em seu conjunto, sob o regime do esquecimento do Ser (Seinsvergessenheit). | ||
| + | * Perplexidade metafísica //por que há algo e não antes nada?// revela esse apagamento. | ||
| + | * O Ser (o //há// do //há algo?//) se apaga em prol da profusão do ente, sendo remetido ao //nihil//. | ||
| + | * Milagre do Ser esvanece-se ante a abundância e variedade do apenas ente. | ||
| + | * Fórmula //o Ser se retira na mesma medida em que se desvela no ente// expressa essa dinâmica. | ||
| + | * O apagamento do Ser em seu retraimento ameaça arrastar o próprio ente ao recuo, desaparecimento e deperdição. | ||
| + | * O nome // | ||
| + | * Definição radical: //Nihilismo significa: Do ente, nada há; não apenas deste ou daquele ente, mas nada há do ente como tal em sua totalidade// | ||
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| + | * Paradoxo da modernidade: | ||
| + | * Nesse contexto, a tentativa do pensador de reavivar a questão do Ser é taxada de // | ||
| + | * Pergunta //onde o nihilismo está propriamente em obra?// revela nossa situação. | ||
| + | * Estamos em meio ao ente por todos os lados e não mais sabemos o que é o Ser nem como. | ||
| + | * Tendemos a esquecer que não mais sabemos e a não mais querer saber. | ||
| + | * Resposta: nihilismo está em obra //lá onde se cola habitualmente ao ente//, tratando-o como suficiente. | ||
| + | * Ao fazer isso, repele-se a questão do Ser e trata-se o Ser como um nada (// | ||
| + | * Heidegger reconhece que o Ser //é// também nada de certa maneira, na medida em que vigora (//west//). | ||
| + | * Determinação do nihilismo em sua essência (// | ||
| + | * Somente este nihilismo assim entendido é o fundamento (//Grund//) para o outro nihilismo, o destacado por Nietzsche. | ||
| + | * Tarefa para superá-lo: //ir expressamente, | ||
| + | * Este é o primeiro e único passo frutífero para a verdadeira superação do nihilismo. | ||
| + | * Prioridade da topologia sobre a topografia: necessária uma topografia do nihilismo, de seu processo e superação. | ||
| + | * Mas a essa topografia deve preceder uma topologia: o reconhecimento dos lugares (// | ||
| + | * Essa topologia dá o tom à essência do nihilismo, permitindo reconhecer os caminhos para uma possível superação. | ||
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| + | * Tentativa heideggeriana de reavivar a questão do Ser no coração da extrema modernidade constitui enredo arriscado do século XX. | ||
| + | * Desafio assumido desde //Ser e Tempo//, na ontologia fundamental e analítica existencial. | ||
| + | * Deve ser retomado de modo mais elevado após a //Kehre// (viragem), mediante destruição da história da ontologia. | ||
| + | * Novo modo é o pensamento da história do Ser (Seyn) e do // | ||
| + | * Nihilismo acaba por aparecer como inerente à metafísica ocidental como tal. | ||
| + | * Portanto, também inerente à história e aventura da história do Ser como // | ||
| + | * Isto é, inerente à intrínseca // | ||
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| + | * Medir extensão, amplitude histórica e gravidade do nihilismo exige dupla abordagem. | ||
| + | * Realizar relevo topográfico e sintomatológico em campo (distinto da abordagem de Jünger). | ||
| + | * Recuar até traçar proveniência do nihilismo na história do Ser e reconhecer sua estrutura na economia secreta de uma topologia do Ser (Seyn). | ||
| + | * Elaboração de uma verdadeira topologia do nihilismo, seu paciente // | ||
| + | * Estudo conjunto dos cursos sobre Nietzsche (1936-1941) e do trabalho secreto dos tratados inéditos (//Traités impubliés// | ||
| + | * Tratados inéditos elaboram o pensamento do // | ||
| + | * Essência (// | ||
| + | * Este processo advém na própria história do mundo. | ||
| + | * Não há experiência que baste para enfrentar a essência do nihilismo sem que o pensamento possa considerar a essência da metafísica. | ||
| + | * A essência do nihilismo pertence aí-essencialmente à essência da metafísica. | ||
| + | * Metafísica só pode ser vista à luz de sua última figura, que concerne à idade presente: a metafísica de Nietzsche. | ||
| + | * Na totalidade de sua essência, o nihilismo entra propriamente no campo de visão da metafísica, | ||
| + | * Metafísica de Nietzsche pensa o nihilismo pela primeira vez, mas ainda de modo metafísico. | ||
| + | * Modo metafísico é o de uma // | ||
| + | * Consequentemente, | ||
| + | |||
| + | * Estudo paciente da metafísica de Nietzsche revela nihilismo em obra em toda história da metafísica ocidental e na história do Ser. | ||
| + | * A esse trabalho dedicam-se os cursos sobre Nietzsche, publicados em //Nietzsche I & II//. | ||
| + | * Cursos incluem lições sobre //A Vontade de Poder como Arte//, //O Eterno Retorno do Idêntico//, | ||
| + | * Análises do nihilismo também presentes em outros ensinamentos contemporâneos. | ||
| + | * Em // | ||
| + | * Em meditações decisivas sobre Hölderlin (//Hinos de Hölderlin//, | ||
| + | * Em cursos sobre Parmênides e Heráclito, ricos em visadas sobre a história do Ser. | ||
| + | * Todo esse ensino é secretamente sustentado pela escrita selada dos Tratados Inéditos. | ||
| + | * Tratados põem em obra o pensamento do // | ||
| + | * Esta história pertence à //vigência do Ser como Evento// (//die Wesung des Seyns als Ereignis// | ||
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| + | * Nos trabalhos de Heidegger, essência do nihilismo permanece inacessível sem a compreensão do segredo da // | ||
| + | * Do que se trata, em última instância, é do retraimento do Ser no coração mesmo de sua dispensação. | ||
| + | * Esta é a questão central da intensa meditação dos Tratados Inéditos, começando por //Beiträge zur Philosophie (Vom Ereignis)// | ||
| + | * Há sinergia completa entre os Tratados Inéditos e os cursos sobre Nietzsche. | ||
| + | * Especialmente com capítulos em //Nietzsche II// sobre //A determinação do nihilismo na história do Ser//, //A metafísica como história do Ser//, //Esboços para a história do Ser como metafísica// | ||
| + | * E também com cursos //O Nihilismo Europeu// e //A Metafísica de Nietzsche// | ||
| + | * Tratados Inéditos atestam sintomas do desencadeamento do nihilismo e da metafísica da vontade de poder. | ||
| + | * Desde // | ||
| + | * Após 1945, numerosos textos decisivos atestam essa longa meditação. | ||
| + | * // | ||
| + | * Ciclo das // | ||
| + | |||
| + | * Se nihilismo é movimento de fundo da história do Ocidente, pensador do século XX deve advertir sobre suas consequências catastróficas. | ||
| + | * Seu desdobramento só pode ter por sequências catástrofes mundiais (// | ||
| + | * Nihilismo é movimento, na história mundial, dos povos da Terra arrastados ao domínio de poder dos Tempos Modernos. | ||
| + | * Não é apenas manifestação da idade presente do mundo, nem só produto do século XIX. | ||
| + | * É então que se despertou um olhar para a presença, em nossa inquietante estranheza, desse //mais estranho dos hóspedes// | ||
| + | * Sintomatologia impressionante revela uma //anarquia das catástrofes// | ||
| + | * Catástrofes mundiais estendem-se à dimensão do //mundo//: mobilização total, guerras mundiais (// | ||
| + | * Inclui exterminação do homem pelo homem (// | ||
| + | * Lista de sintomas da devastação seria interminável. | ||
| + | * Esquecimento e desamparo do Ser, esvaziamento do humano (// | ||
| + | * Desenraizamento (// | ||
| + | * Afanamento e maquinação (// | ||
| + | * Essas manifestações são afetas ao reino da metafísica da vontade de poder. | ||
| + | * Desafio do //domínio da Terra// ao preço do // | ||
| + | * Põe em perigo a própria essência do ser humano, planejando seleção e mutação; o humano talvez já seja a //mais importante das matérias-primas// | ||
| + | * Portanto, //o Terrível já chegou//. | ||
| + | * Mobilização visa decidir //a espécie de humanidade capaz de conduzir o nihilismo a seu acabamento incondicional// | ||
| + | * Advertência: | ||
| + | * Sinais indicam que //o deserto cresce//; não se pode levar a sério o dístico de Hölderlin //onde está o perigo, cresce também o que salva//. | ||
| + | * Recursos de aniquilamento do nihilismo consumado poderiam assemelhar-se a uma // | ||
| + | * Adverte-se: //Com o Íntegro, ao mesmo tempo aparece, na clareira do Ser, o Mal//. | ||
| + | * Este Mal poderia ser //o próprio Ser (Seyn) – o Ser como desregramento e perfídia// | ||
| + | |||
| + | * Estado de coisas estranho no cerne do nihilismo consumado remete ao esquecimento do Ser em prol da fascinação pelo apenas ente. | ||
| + | * Principais //épocas// da história do Ser, legíveis na história da metafísica ocidental, são movimentos de retenção e suspensão (// | ||
| + | * Ocorrem numa dispensação da verdade do Ser em cujo coração o Ser //se retira// e permanece //em retraimento// | ||
| + | * Fórmula: //O Ser se retira na mesma medida em que se desvela no ente// exprime traço fundamental do Ser. | ||
| + | * Traço segundo o qual o Ser mesmo, até no movimento de sua eclosão e desvelamento, | ||
| + | * //O re-velamento permanece inerente ao traço da recusa que ali se retém e permanece em seu quant-a-si// | ||
| + | * Este //traço de fundo do Ser// é chamado de //a época do Ser// ou seu //caráter epochal//. | ||
| + | * É aquilo a que pertence, em última instância, a //história do mundo propriamente dita//, i.e., a história do Ser e a economia secreta do // | ||
| + | * Se, no coração do // | ||
| + | * ...então o nihilismo pode não lhe ser estranho, e a // | ||
| + | * Nihilismo pertence ao // | ||
| + | * Pertence, pois, àquilo de que se trata no coração do // | ||
| + | * Ou ainda: //que o Ser se furta ao ente//. | ||
| + | * Isto significa que, até no extremo perigo, o nihilismo abriga algo que //pertence à essência do segredo em que a verdade da essência desdobra sua essência// | ||
| + | * Pensado a partir da dispensação do Ser, o //nihil// do nihilismo significa que //do Ser nada há// (o Ser é tido por nada). | ||
| + | * O Ser não vem à luz de sua própria essência; no aparecer do ente como tal, o Ser mesmo permanece fora; falta a verdade do Ser; ela permanece esquecida. | ||
| + | * Assim, o nihilismo seria, em sua essência, uma história que se dá com o Ser mesmo. | ||
| + | * //É na essência do Ser mesmo que poderia então jazir que ele permanece impensado, porque ali se retrai. O Ser mesmo se retrai em sua verdade. Ele se abriga nela e ali se re-vela a si mesmo nesse abrigamento// | ||
| + | * Conclusão: //Se a metafísica é uma época da história do Ser mesmo, e se em sua essência mesma, a metafísica é nihilismo –, a essência deste último pertence à história na qual o Ser mesmo desdobra sua essência// | ||
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