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estudos:guest:fim-da-filosofia

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 +====== Fim da Filosofia ======
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 +LDMH
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 +  * Contexto e sentido da expressão //fim da filosofia//.
 +    * Expressão tornada famosa pelo título francês da comunicação de Heidegger na UNESCO (1964): //O fim da filosofia e a tarefa do pensamento//.
 +    * Não tem o sentido expedito e depreciativo que lhe atribuem aqueles que confundem desejos com realidades.
 +    * Para Heidegger, trata-se de tomar a medida da grande tradição da filosofia ocidental (a metafísica) e elevá-la à sua verdadeira grandeza.
 +    * Objetivo: situar a história da metafísica no seio de outra história e aventura, mais secretamente movimentada, e numa //topologia// singular – a da //história do Estre// e da //topologia do Estre//, até a movimentação íntima do //Ereignis//.
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 +  * Análise do termo //fim// (//Ende//) em seu sentido topológico.
 +    * Em conferência de 1965 (//L'Affaire de la pensée//), Heidegger observa que //fim da filosofia// tende a ser entendido de modo depreciativo.
 +    * Contra essa tendência, ressalta que //fim// (//das Ende//) deve ser entendido de outro modo.
 +    * Expressões como //von einem Ende zum andern// (de um extremo a outro) ou //an allen Ecken und Enden// (de todos os lados) atestam outra acepção: //Ende// significa então algo como //lugar// (//Ort//).
 +    * //Fim// é entendido como //o lugar ao qual algo vem se reunir em sua última possibilidade, onde algo acaba por atingir sua plenitude//.
 +    * Na conferência sobre //O Fim da filosofia e a tarefa do pensamento//: //O fim da filosofia é um lugar – aquele onde o todo de sua história se reúne em sua possibilidade mais extrema. Acabamento significa esse reunião num só lugar//.
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 +  * A compreensão topológica (não escatológica) do //fim da filosofia//.
 +    * Para entender Heidegger, é preciso notar que //das Ende// (assim como //finis//, //limes// em latim, //peras// em grego) tem desde o início um significado local, espacial – //topológico//.
 +    * Em //das Ende der Philosophie//, o //fim// deve ser entendido topologicamente como //lugar// na história do Estre, //onde a filosofia vem se reunir em sua última possibilidade//.
 +    * Heidegger: //No fim da filosofia se cumpre a indicção [die Weisung] que o pensamento da filosofia segue desde seu início, no caminho de sua história. No fim da filosofia, o que vem seriamente a seu acabamento é a última possibilidade do pensamento que ali está em obra//.
 +    * O //fim da filosofia// é, portanto, seu //extremo//, sua //extremidade topológica//.
 +    * Esta extremidade é, no entanto, uma última //possibilidade de acabamento//, onde a filosofia poderia finalmente //vir ali atingir sua plenitude// – mas também //vir ali acabar plenamente//.
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 +  * O //fim da metafísica// como tempo e lugar historial de seu acabamento extremo.
 +    * O //fim da metafísica// não é sua fatal deserção nem seu desaparecimento, mas o //tempo e lugar historial// de seu acabamento extremo.
 +    * Sua localidade e sítio devem ser situados e localizados (//erörtern//) no modo de uma //analysis situs// de novo estilo, que é a //topologia do Estre// e a //localização do sítio da Contrée// (//Erörterung der Ortschaft//).
 +    * Esta //mais extrema possibilidade// da filosofia é a que chama a um //outro começo do pensar//.
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 +  * O acabamento da filosofia e sua dissolução nas ciências e na técnica.
 +    * A mensagem decisiva da conferência de 1964: o //fim da filosofia// é consagrado no próprio anúncio da //tarefa do pensamento//.
 +    * A filosofia, hoje //reunida em suas mais extremas possibilidades//, não deve mais esperar //um desdobramento de filosofias do estilo que vigorava até aqui//.
 +    * O //acabamento pleno// da filosofia //em sua última extremidade// é sua //dissolução [Auflösung] nas ciências//, sua //relevação// no desdobramento do //aître da técnica planetária//, sob o império e governo da potência //cibernética//.
 +    * Este processo //pertence ao acabamento da filosofia//; seu desdobramento está hoje //em marcha, a pleno regime, em todos os domínios do ente//; se parece efetuar a dissolução da filosofia, é, em verdade, seu //pleno acabamento//.
 +    * A //filosofia ocidental// poderia ter se tornado //realidade// sob a figura da //civilização mundial//: //O fim da filosofia se mostra nisto: triunfa a instalação programável de um mundo científico-técnico assim como da ordem social conforme a tal mundo. Fim da filosofia, eis o que isso significa: início da civilização mundial fundada sobre o pensamento da Europa ocidental//.
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 +  * A tarefa secreta reservada ao pensamento.
 +    * Pergunta: Esta //última possibilidade// da filosofia ocidental, onde se desenha a configuração do tempo presente, desdobrou-se em detrimento de uma possibilidade mais íntima e //primeira// do pensamento, //esquecida// ao longo da tradição da história da metafísica?
 +    * Se assim fosse, //em toda a história da filosofia, desde seu começo até o que é seu fim, uma tarefa estaria ainda secretamente reservada ao pensamento, tarefa a qual nem a filosofia, como metafísica, nem as ciências que dela procedem teriam acesso//.
 +    * É justamente dessa tarefa esquecida que toda a obra de Heidegger está em busca.
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 +  * A necessidade da des-estruturação (//Destruktion//) no //fim da filosofia//.
 +    * O //fim da filosofia//, uma vez que ela //entrou em seu fim// no modo de sua própria dissolução e expansão nas ciências e no //aître// da técnica planetária, exige – num modo totalmente outro – a //des-estruturação//.
 +    * Esta deve fazer aparecer, nas //camadas e estruturas// sedimentares da tradição da metafísica, o impensado da //tarefa// que ali jaz, ainda que //de modo secreto//, mantendo-se //reservada ao pensamento// para algum //outro começo do pensar//.
 +    * É somente ao risco dessa des-estruturação que pode ser revelada a própria necessidade (até então dissimulada na //estrutura// da tradição da metafísica) daquilo que aparece finalmente como a //tarefa do pensamento// (//die Aufgabe des Denkens//).
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 +  * Articulação entre os dois aspectos da conferência: o //fim// e a //tarefa//.
 +    * Estamos na charneira onde se articulam os dois aspectos do título //O Fim da filosofia e a tarefa do pensamento//.
 +    * É onde se ajuntam as duas questões diretrizes que constituem sua estrutura em díptico:
 +      1. //Até onde a filosofia, na época presente, entrou, pois, em seu fim?//
 +      2. //Que tarefa resta ainda reservada ao pensamento no fim da filosofia?//
 +    * A //destruição da história da ontologia// é uma tarefa que só toma todo seu sentido lá onde a filosofia entrou em seu fim; é aí que sua execução pode aparecer como necessária ao pensamento.
 +    * Isso só faz sentido na medida em que se trata de inaugurar a tarefa de algum //novo começo//.
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 +{{tag>Guest}}