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estudos:guest:cristianismo

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 +====== Cristianismo ======
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 +LDMH
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 +  * Ambiente doméstico cristão e formação inicial de Heidegger.
 +    * Inscrição bíblica (Provérbios 4:23) na porta da casa de Heidegger em Zähringen: //Veille sur ton cœur avec un soin extrême, car c'est de là que vient la vie//.
 +    * Toda a vida de Heidegger foi marcada por uma forte influência cristã, inicialmente católica.
 +    * Carta a Engelbert Krebs (1919): distância crítica do //sistema do catolicismo//, mas não do cristianismo e da metafísica (em nova acepção).
 +      * Reconhece os valores do mundo católico medieval e se dedica à fenomenologia da religião para provar que sua mudança de posição não é uma polêmica estéril de apóstata.
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 +  * Distinção entre //Christentum// (cristianismo) e //Christlichkeit// (cristianidade).
 +    * Carta a C. von Dietze (1945): distingue //christianité// (fé do indivíduo) de //christianisme// (manifestação histórica, cultural e política da fé).
 +    * Texto de 1936-37 (//Besinnung//): evoca com nostalgia a religião da infância e a dolorosa separação dela.
 +      * A explicação com o cristianismo acompanhou silenciosamente todo o seu caminho de pensamento.
 +      * Essa explicação não é um //problema// importado, mas a manutenção da proveniência mais própria (casa paterna, terra natal, juventude) e simultaneamente a separação.
 +      * Só quem foi enraizado num mundo católico efetivamente vivido pode pressentir as necessidades que submeteram seu questionamento.
 +      * A experiência do cristianismo protestante em Marburgo também teve que ser superada.
 +      * Esta íntima //ex-plicação// não é sobre dogmática ou artigos de fé, mas sobre se Deus nos foge ou não e se podemos ainda experimentá-lo como criadores.
 +      * Trata-se da questão única da //verdade do Ser//, que decide do //tempo// e //lugar// que nos são historialmente atribuídos.
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 +  * Enraizamento biográfico e intelectual no cristianismo.
 +    * Infância católica em Meßkirch (pai sacristão), parrainage de Conrad Gröber, estudos de teologia em Friburgo.
 +    * Ruptura com o catolicismo por volta de 1920, casamento com Elfride Petri (protestante).
 +    * Ensino em Friburgo: lições sobre as Epístolas de Paulo, Santo Agostinho e o neoplatonismo, mística medieval.
 +    * Anos em Marburgo (1923-28): conversas com Rudolf Bultmann sobre o cristianismo primitivo.
 +    * Refúgio na abadia de Beuron durante sua suspensão do ensino em 1945.
 +    * Meditação, nos //Tratados Inéditos//, da temática nietzschiana da //morte de Deus// e da temática hölderliniana dos //deuses fugidos//.
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 +  * Crítica à teologia eclesial e à sua submissão à metafísica onto-teológica.
 +    * A metafísica é, desde sua origem grega, //ontologia e teologia//.
 +    * O caráter teológico da ontologia não vem de a metafísica grega ter sido absorvida pela teologia cristã, mas do modo como o ente se desvelou desde cedo.
 +    * Heidegger questiona se a teologia cristã tomará um dia a sério a palavra de Paulo (1 Cor 1:20) que considera a //sabedoria do mundo// (filosofia grega) como loucura.
 +    * Pergunta irônica: a teologia cristã decidirá-se finalmente a considerar a filosofia como loucura e a se libertar da metafísica?
 +    * Esforço inicial de Heidegger: através de uma //hermenêutica da facticidade// e //fenomenologia da experiência religiosa// do cristianismo primitivo, ressaltar a experiência da vida humana fática antes que fosse marcada pela ontologia grega e pela teologia dogmática.
 +    * Interesse pela //acutiude do instante//, pela iminência de um //Acontecimento// escatológico, dimensão que permanece ao longo de todo seu caminho de pensamento.
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 +  * Referência a Franz Overbeck e à //expectativa do fim// no cristianismo primitivo.
 +    * No Prefácio de 1970 a //Fenomenologia e Teologia// (1927), Heidegger refere-se ironicamente ao escrito de Overbeck (1873), que estabelece a //expectativa do fim, negadora do mundo// como traço fundamental do cristianismo primitivo.
 +    * Indica que a //filosofia e a teologia// têm o destino ligado, o da //onto-teo-lógica//.
 +    * O que a teologia eclesial perdeu: o //espírito de pobreza//, o sentido da experiência propriamente //escatológica//, o despertar para a dimensão de um Deus //divino//, não apenas a //causa primeira// ou o //Deus dos filósofos//.
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 +  * Consequências da estrutura onto-teológica para o conceito de Deus.
 +    * A metafísica, em sua estrutura onto-teológica, esquece o Ser em benefício do //ente em seu conjunto//.
 +    * A teologia cristã, ligada ao destino da metafísica ocidental, também desconhece a //diferença ontológica// e, por consequência, a //diferença teológica// entre Deus e o //Ser da entidade do ente//.
 +    * Deus é reduzido ao //Ente supremo// ou ao //valor supremo//.
 +    * O golpe mais duro contra Deus não é considerá-lo inconhecível, mas elevá-lo ao posto de //valor supremo//. Isso vem dos crentes e teólogos que falam do //mais Ente de todo o ente// sem pensar no Ser mesmo.
 +    * O //Deus// da onto-teologia é estranho ao verdadeiro //Deus divino//. Diante da //Causa sui//, não se pode rezar, sacrificar, ajoelhar-se ou dançar.
 +    * O //pensamento sem-deus// (//gott-lose Denken//), que renuncia ao Deus da filosofia, pode estar mais próximo do //Deus divino//.
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 +  * Atitude de silêncio diante de Deus e o sentimento da ausência divina.
 +    * Para quem tem experiência da teologia, a atitude conveniente hoje é o //silêncio// sobre Deus.
 +    * //Fazer silêncio [quando se trata] de Deus// parece ser a atitude que corresponde ao sentimento hölderliniano da //fuga dos deuses//.
 +    * Esta //ausência// não é o nada. É uma //presença// à qual devemos nos apropriar: a //presença de aître da plenitude oculta daquilo que teve aître e assim reunido ainda ali aître//: o //divino// no mundo grego, no judaísmo profético, na pregação de Jesus.
 +    * O //Que-não-é-mais// é em si mesmo um //Ainda-não//: o da vinda dissimulada de seu //aître// inesgotável.
 +    * Deus talvez não esteja //morto//, mas apenas //ausente// ou //afastado//.
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 +  * Perspectiva final: o que resta de //cristão// na época dos deuses fugidos?
 +    * Em fundo de espera e vigilância pelo //sinal da passada do último Deus// (um Deus //último// e //fugitivo//, //todo-Outro// em relação aos deuses que foram, especialmente ao Deus cristão).
 +    * Talvez reste apenas a presença //crística// do estrangeiro, o acolhimento do viajante do poema //Um soir d'hiver// de Trakl.
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 +{{tag>Guest}}