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estudos:grondin:grondin-1987-60-62-temporalizacao

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 Heidegger estabelecerá uma conexão entre esse caráter ex-estático do tempo e a existência (ou “existência”) do Dasein. A ek-sistência do Dasein significa que o homem, em virtude de sua abertura ao ser, está afastado do mundo dos entes. Manter-se fora do ente é manter-se no ser, lhe ser “ex-posto”. A tese de Heidegger será a de que é a temporalidade que torna possível essa estrutura ek-sistencial: “A temporalidade ek-stasticamente determinada do Dasein é a condição da constituição do ser pelo Dasein” [GA24:378, 428]. Essa tese não é implausível. Poderia ser traduzida da seguinte forma: é porque o Dasein é transportado para o futuro, em seu poder-ser, que ele se dá conta de sua existência e, consequentemente, de sua abertura finita ao ser. Essa consciência temporal orientada para o futuro de um poder-ser pode muito bem ser um dos fatores que distingue o homem dos animais: sabendo que vai morrer, o homem tem consciência de seu ser. Dessa forma, a temporalidade ek-stática do Dasein daria ao homem uma consciência de si mesmo e do ser em geral, antes de todo ser. Heidegger estabelecerá uma conexão entre esse caráter ex-estático do tempo e a existência (ou “existência”) do Dasein. A ek-sistência do Dasein significa que o homem, em virtude de sua abertura ao ser, está afastado do mundo dos entes. Manter-se fora do ente é manter-se no ser, lhe ser “ex-posto”. A tese de Heidegger será a de que é a temporalidade que torna possível essa estrutura ek-sistencial: “A temporalidade ek-stasticamente determinada do Dasein é a condição da constituição do ser pelo Dasein” [GA24:378, 428]. Essa tese não é implausível. Poderia ser traduzida da seguinte forma: é porque o Dasein é transportado para o futuro, em seu poder-ser, que ele se dá conta de sua existência e, consequentemente, de sua abertura finita ao ser. Essa consciência temporal orientada para o futuro de um poder-ser pode muito bem ser um dos fatores que distingue o homem dos animais: sabendo que vai morrer, o homem tem consciência de seu ser. Dessa forma, a temporalidade ek-stática do Dasein daria ao homem uma consciência de si mesmo e do ser em geral, antes de todo ser.
  
-Agora estamos em condições de compreender por que a temporalidade incorpora o sentido da preocupação. A preocupação recebe sua direção, ou melhor, sua tensão, da temporalidade. A temporalidade ek-stática garante que o Dasein esteja preocupado com seu poder-ser: sem o transporte ek-stático para o futuro, não há poder-ser. Essa temporalidade era tacitamente parte da caracterização da preocupação na primeira parte de Ser e Tempo, em que a preocupação era definida como “ser-adiante-de-si-já-em-(um-mundo-)-como-ser-junto-a-(o ente intramundano)” [SZ:192]. Essa fórmula, cuidadosamente elaborada no parágrafo 41 em preparação para a interpretação temporal que receberá no [parágrafo 65->ET65], desdobra as três êxtases da temporalidade na ordem usual, usando locuções prepositivas: o 'adiante-de-si' anuncia o futuro, 'já-em' o ter-sido, e o 'junto-a' o presente [GA21:237; SZ:327]. Podemos ver, a partir disso, que a preocupação deriva sua determinação do futuro, um poder-ser repleto de ter-sido e do instante próprio da temporalidade do Dasein.+Agora estamos em condições de compreender por que a temporalidade incorpora o sentido da preocupação. A preocupação recebe sua direção, ou melhor, sua tensão, da temporalidade. A temporalidade ek-stática garante que o Dasein esteja preocupado com seu poder-ser: sem o transporte ek-stático para o futuro, não há poder-ser. Essa temporalidade era tacitamente parte da caracterização da preocupação na primeira parte de Ser e Tempo, em que a preocupação era definida como “ser-adiante-de-si-já-em-(um-mundo-)-como-ser-junto-a-(o ente intramundano)” [SZ:192]. Essa fórmula, cuidadosamente elaborada no parágrafo 41 em preparação para a interpretação temporal que receberá no parágrafo 65, desdobra as três êxtases da temporalidade na ordem usual, usando locuções prepositivas: o 'adiante-de-si' anuncia o futuro, 'já-em' o ter-sido, e o 'junto-a' o presente [GA21:237; SZ:327]. Podemos ver, a partir disso, que a preocupação deriva sua determinação do futuro, um poder-ser repleto de ter-sido e do instante próprio da temporalidade do Dasein.
  
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