estudos:greisch:greisch-2001-poder-se-lembrar
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| - | #### "Poder se Lembrar": | + | === "Poder se Lembrar": |
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| - | * A investigação começa com o " | + | * A investigação começa com o " |
| - | * A prioridade intencional (a pergunta "de que há lembrança?" | + | * A prioridade intencional (a pergunta "de que há lembrança?" |
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| - | * A análise intencional tem o mérito de prevenir contra a tentação de reduzir a memória ao domínio da imaginação. | + | * A análise intencional tem o mérito de prevenir contra a tentação de reduzir a memória ao domínio da imaginação. |
| - | * Essa abordagem preserva a diferença eidética entre duas visadas intencionais irredutíveis: | + | * Essa abordagem preserva a diferença eidética entre duas visadas intencionais irredutíveis: |
| - | * A principal dificuldade é compreender a função propriamente temporalizante da lembrança, refletida no enunciado de Aristóteles: | + | * A principal dificuldade é compreender a função propriamente temporalizante da lembrança, refletida no enunciado de Aristóteles: |
| - | * Aristóteles pavimenta o caminho para a fenomenologia da memória ao convidar à descrição dos fenômenos mnemônicos com foco nas " | + | * Aristóteles pavimenta o caminho para a fenomenologia da memória ao convidar à descrição dos fenômenos mnemônicos com foco nas " |
| - | * O que se procura é pensar uma " | + | * O que se procura é pensar uma " |
| - | * A tarefa específica da fenomenologia da memória é dar conta das múltiplas formas pelas quais o " | + | * A tarefa específica da fenomenologia da memória é dar conta das múltiplas formas pelas quais o " |
| - | * Essa tarefa apresenta um aspecto fragmentado, | + | * Essa tarefa apresenta um aspecto fragmentado, |
| - | * Mesmo a análise dos noemas (o conteúdo da lembrança) impõe a introdução de diferenças na multiplicidade dos suvenires. | + | * Mesmo a análise dos noemas (o conteúdo da lembrança) impõe a introdução de diferenças na multiplicidade dos suvenires. |
| - | * Há uma questão sobre a ênfase a ser dada: nos eventos singulares e não repetíveis (como enfatiza Claude Romano em sua " | + | * Há uma questão sobre a ênfase a ser dada: nos eventos singulares e não repetíveis (como enfatiza Claude Romano em sua " |
| - | * Ao considerar as formas como a lembrança adere (ou não) ao passado, Ricœur evidencia várias polaridades oposicionais importantes, | + | * Ao considerar as formas como a lembrança adere (ou não) ao passado, Ricœur evidencia várias polaridades oposicionais importantes, |
| - | * Em segundo lugar, adiciona-se a polaridade da evocação e da busca, que opõe os suvenires espontâneos (incluindo seu substrato cortical) ao " | + | * Em segundo lugar, adiciona-se a polaridade da evocação e da busca, que opõe os suvenires espontâneos (incluindo seu substrato cortical) ao " |
| - | * Neste estágio inicial, a distinção husserliana entre " | + | * Neste estágio inicial, a distinção husserliana entre " |
| - | * Este ancoramento temporal é arriscado, pois parece confirmar o privilégio do " | + | * Este ancoramento temporal é arriscado, pois parece confirmar o privilégio do " |
| - | * Para Ricœur, a noção de " | + | * Para Ricœur, a noção de " |
| - | * A iniciativa (já discutida no capítulo 7), a fruição e o sofrimento são aspectos desse presente, sendo fundamental para a fenomenologia hermenêutica reconhecer que "a fenomenologia da percepção não tem... nenhum direito exclusivo sobre a descrição do presente. O presente é também o do fruir e do sofrer e... presente de iniciativa" | + | * A iniciativa (já discutida no capítulo 7), a fruição e o sofrimento são aspectos desse presente, sendo fundamental para a fenomenologia hermenêutica reconhecer que "a fenomenologia da percepção não tem... nenhum direito exclusivo sobre a descrição do presente. O presente é também o do fruir e do sofrer e... presente de iniciativa" |
| - | * A fenomenologia da lembrança é concluída com a introdução de uma terceira polaridade: a da reflexividade e da mundanidade. | + | * A fenomenologia da lembrança é concluída com a introdução de uma terceira polaridade: a da reflexividade e da mundanidade. |
| - | * Seguindo Edward S. Casey, Ricœur explora o vasto intervalo entre os atos de lembrança focados no polo egológico (lembrança do que me fizeram, do que eu senti) e o polo mundano (lembrança do que aconteceu, do que os outros fizeram, etc.). | + | * Seguindo Edward S. Casey, Ricœur explora o vasto intervalo entre os atos de lembrança focados no polo egológico (lembrança do que me fizeram, do que eu senti) e o polo mundano (lembrança do que aconteceu, do que os outros fizeram, etc.). |
| - | * Essa polaridade realça novamente a " | + | * Essa polaridade realça novamente a " |
| - | * O intervalo de sentido vai desde os suportes mais humildes da memória (fotos, nós em lenços, lembretes, etc.), centrados no aviso (*Reminding*) ("Dar comida ao gato!", | + | * O intervalo de sentido vai desde os suportes mais humildes da memória (fotos, nós em lenços, lembretes, etc.), centrados no aviso (//Reminding//) ("Dar comida ao gato!", |
| - | * A memória pode ser qualificada como " | + | * A memória pode ser qualificada como " |
| - | * Apesar de ser " | + | * Apesar de ser " |
| - | * A armadilha reside na possível confusão entre o passado reconhecido e o passado percebido. | + | * A armadilha reside na possível confusão entre o passado reconhecido e o passado percebido. |
| - | * A tarefa da análise fenomenológica dos atos de reconhecimento é reconhecer uma " | + | * A tarefa da análise fenomenológica dos atos de reconhecimento é reconhecer uma " |
| - | * No outro extremo da cadeia, estende-se o vasto domínio dos fenômenos mnemônicos que envolvem o corpo próprio, o espaço e o mundo. | + | * No outro extremo da cadeia, estende-se o vasto domínio dos fenômenos mnemônicos que envolvem o corpo próprio, o espaço e o mundo. |
| - | * Neste polo " | + | * Neste polo " |
| - | * Isso confirma o vínculo constitutivo entre o conceito hermenêutico de sentido e o fenômeno da orientação (com a tutela de Hermès, mencionada na introdução geral da obra). | + | * Isso confirma o vínculo constitutivo entre o conceito hermenêutico de sentido e o fenômeno da orientação (com a tutela de Hermès, mencionada na introdução geral da obra). |
| - | * "É na superfície da terra habitável que nos lembramos de ter viajado e visitado lugares memoráveis" | + | * "É na superfície da terra habitável que nos lembramos de ter viajado e visitado lugares memoráveis" |
| - | * A palavra mais importante nessa declaração é " | + | * A palavra mais importante nessa declaração é " |
| - | * Em certas culturas (como os aborígenes australianos estudados por David Abram), o vínculo entre "se lembrar" | + | * Em certas culturas (como os aborígenes australianos estudados por David Abram), o vínculo entre "se lembrar" |
| - | * A imagem usada por Ricœur para distinguir o agir e o perceber (a memória "tem seus nós e seus ventres, suas rupturas e seus lançamentos" | + | * A imagem usada por Ricœur para distinguir o agir e o perceber (a memória "tem seus nós e seus ventres, suas rupturas e seus lançamentos" |
| - | * Pode-se traçar um paralelo entre a análise dos enunciados metafóricos em A Metáfora Viva e a importância da espacialidade em A Memória, a História, o Esquecimento, | + | * Pode-se traçar um paralelo entre a análise dos enunciados metafóricos em A Metáfora Viva e a importância da espacialidade em A Memória, a História, o Esquecimento, |
| - | * A questão se levanta se o mundo lembrado não estaria amassado de significações metafóricas – um mundo habitável e não o deserto do que simplesmente "é o caso" – o que se aproxima da " | + | * A questão se levanta se o mundo lembrado não estaria amassado de significações metafóricas – um mundo habitável e não o deserto do que simplesmente "é o caso" – o que se aproxima da " |
| - | * A problemática da espacialidade é notavelmente expressa no esboço de uma fenomenologia do espaço habitável. | + | * A problemática da espacialidade é notavelmente expressa no esboço de uma fenomenologia do espaço habitável. |
| - | * A parte epistemológica da obra se inicia com a análise fenomenológica das diferentes " | + | * A parte epistemológica da obra se inicia com a análise fenomenológica das diferentes " |
| - | * Ricœur discerne nessas colocações modalidades do ato de habitar, cujas polaridades (" | + | * Ricœur discerne nessas colocações modalidades do ato de habitar, cujas polaridades (" |
| - | * O que é válido para a " | + | * O que é válido para a " |
| - | * A fenomenologia da memória deve enfrentar a dificuldade considerável representada pela noção de " | + | * A fenomenologia da memória deve enfrentar a dificuldade considerável representada pela noção de " |
| - | * A fenomenologia da lembrança e a fenomenologia da imagem (incluindo as modificações da consciência imagética, da alucinação à ficção) invadem-se mutuamente, como demonstra o exemplo de Husserl. | + | * A fenomenologia da lembrança e a fenomenologia da imagem (incluindo as modificações da consciência imagética, da alucinação à ficção) invadem-se mutuamente, como demonstra o exemplo de Husserl. |
| - | * Apesar da diferença eidética que impede a confusão entre imaginar e lembrar, é impossível ignorar o " | + | * Apesar da diferença eidética que impede a confusão entre imaginar e lembrar, é impossível ignorar o " |
| - | * "Quer seja simplesmente evocado como presença, e a esse título como *pathos*, quer seja ativamente procurado na operação do aviso que conclui a experiência do reconhecimento, | + | * "Quer seja simplesmente evocado como presença, e a esse título como //pathos//, quer seja ativamente procurado na operação do aviso que conclui a experiência do reconhecimento, |
| - | * Essa tese é crucial não apenas para a memória individual, mas também para a " | + | * Essa tese é crucial não apenas para a memória individual, mas também para a " |
| - | * Neste nível também, a dificuldade em distinguir a lembrança da imagem revela-se "o tormento da fenomenologia da memória" | + | * Neste nível também, a dificuldade em distinguir a lembrança da imagem revela-se "o tormento da fenomenologia da memória" |
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