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estudos:fuchs:2023:start

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 +====== Ser humano ======
 +//Was wird aus dem Menschen? Plädoyer für einen neuen Humanismus. Rivista «Blätter für deutsche und internationale Politik», n. 5, 2023.//
  
 +//Este texto foi extraído da Palestra Erich Fromm, proferida pelo autor em 18 de março de 2023, em Stuttgart, por ocasião da entrega do Prêmio Erich Fromm.//
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 +1. A visão que o ser humano tem de si mesmo foi sempre marcada por profunda ambivalência, já presente na célebre passagem da Antígona de Sófocles segundo o qual nada é mais terrível do que o homem, pois o termo grego deinós designa ao mesmo tempo o que suscita assombro e o que incute terror, o maravilhoso e o espantoso, de modo que as prodigiosas conquistas humanas na ciência e na técnica se chocam com seu lado aterrador de ódio, violência, guerra e destruição.
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 +2. A mesma ambivalência reaparece na era moderna em Blaise Pascal, para quem habitam no homem um grande princípio de grandeza e um grande princípio de miséria, fazendo dele um caos e um sujeito de contradições, dividido entre as vozes que o exortam a erguer os olhos para Deus, a quem se assemelha e a quem pode tornar-se semelhante, e as que o mandam baixar os olhos à terra como verme miserável, restando em aberto a pergunta sobre o que o ser humano virá a ser.
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 +3. Numa época de possibilidades tecnológicas antes impensáveis, a mesma pergunta retorna em termos novos e a ambivalência entre grandeza e miséria persiste, pois de um lado o ser humano batiza orgulhosamente uma era geológica com o próprio nome, o Antropoceno, arroga-se o poder divino de criar inteligências, vidas e consciências artificiais e busca, como propõe o transumanismo, otimizar-se biologicamente até tornar-se super-homem e talvez imortal, enquanto de outro lado se difunde um profundo pessimismo expresso em teorias apocalípticas e movimentos que desejam a extinção da espécie, vista como a camada de mofo da Terra na expressão de Schopenhauer, e no pós-humanismo, contraparte pessimista e misantrópica do transumanismo, que em suas versões radicais almeja a abdicação do gênero humano destronado por sua própria progênie artificial, segundo Hans Moravec, como se o futuro só existisse além da existência humana.
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 +4. Diante da pergunta de Pascal, superar a contraditoriedade da autoimagem humana sem simplesmente tomar partido de um dos lados exige compreender melhor essa ambivalência, reconduzindo a grandeza e a miséria do homem a uma oscilação perpétua entre sentimento de onipotência e sentimento de impotência, fundamento de um narcisismo coletivo pelo qual se tenta preencher um profundo vazio interior criando um Si ideal espelhado na inteligência digital, nas máquinas antropomórficas e nas imagens virtuais, com o resultado paradoxal de crer cada vez mais na superioridade das criaturas artificiais e envergonhar-se da própria existência de carne e osso, demasiado terrena, até que a grandiosa autoexaltação se converte em miserável automortificação.
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 +5. Compreendida essa dinâmica, torna-se possível refletir sobre as características de um humanismo contemporâneo, uma nova ciência humanística do homem tal como a desejava Erich Fromm em Ter ou ser, sustentando-se que a encarnação eminentemente terrena, a relação concreta e física com os outros e o pertencimento a um ambiente ecológico do vivente podem ajudar a superar a imagem ao mesmo tempo grandiosa e miserável que o ser humano faz de si mesmo.
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 +{{tag>Fuchs humano}}