estudos:franck:toque-vida-1986
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| + | ====== TATO E VIDA (1986) ====== | ||
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| + | DFHPE | ||
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| + | * A interpretação da espacialidade inicia-se com uma referência à primeira esboço do ser-no-mundo e, mais especificamente, | ||
| + | * Essa contraposição afasta qualquer significação categorial do ser-em, caracterizando-o como um existencial, | ||
| + | * O ser-em não designa uma inclusão espacial de entes simplesmente presentes, como a carne do homem em um ente presente. | ||
| + | * A origem da palavra " | ||
| + | * O verbo " | ||
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| + | * Essa definição existencial do ser-em suscita a questão sobre a espacialidade do Dasein. | ||
| + | * Não ser uma coisa corpórea no espaço geométrico não implica a negação de uma espacialidade existencial. | ||
| + | * O Dasein é espacial a partir de seu ser-no-mundo e conforme o sentido ontológico deste, a temporalidade extática. | ||
| + | * Isso implica negativamente que o ser-em não pode ser elucidado por meio de caracteres ônticos, como uma propriedade espiritual fundada em uma corporeidade. | ||
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| + | * O rejeição de uma concepção categorial do ser-em, embora legítima, pressupõe uma determinação da carne como coisa corpórea no horizonte do ser-simplesmente-presente. | ||
| + | * Surge a questão sobre como essa determinação é alcançada e justificada fenomenologicamente. | ||
| + | * Se não o for, pode indicar uma permanência da ontologia cartesiana ou mesmo grega, onde os corpos são as verdadeiras substâncias. | ||
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| + | * O sentido existencial do ser-em como habitar estabelece um vínculo intrínseco entre existência e espacialidade. | ||
| + | * Habitar é um modo de ser ao espaço, de espacializar. | ||
| + | * A relação do homem com o espaço nada mais é do que a habitação pensada em seu ser. | ||
| + | * Se o ser-no-mundo é essencialmente habitação e esta é relação com o espaço, então o ser-em e as estruturas do " | ||
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| + | * A consequência da insustentabilidade do parágrafo 70 de //Ser e Tempo// é que a revelação do " | ||
| + | * A compreensão do ser deixa de se ordenar unicamente à temporalidade. | ||
| + | * Essa possibilidade, | ||
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| + | * No entanto, o vínculo entre ser e tempo parece indissolúvel na ontologia fundamental, | ||
| + | * Isso levanta a questão se o problema do espaço deve ser colocado fora de toda ontologia. | ||
| + | * A independência do espaço em relação ao ser como tempo poderia restringir o alcance da questão do ser e ter um papel decisivo na interrupção de //Ser e Tempo//. | ||
| + | * A substituição do // | ||
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| + | * O princípio metodológico adotado é que //Ser e Tempo// detém o segredo de seu próprio inacabamento. | ||
| + | * A chave reside em como a "marca metafísica" | ||
| + | * Na analítica existencial, | ||
| + | * A decadência se marca na língua pelo domínio das " | ||
| + | * Portanto, a incompletude de //Ser e Tempo// pode ser igualmente atribuída à língua da metafísica ou à irredutibilidade do espaço. | ||
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| + | * Para compreender as razões da exceção à temporalidade, | ||
| + | * A destruição fenomenológica das teses cartesianas sobre o mundo fornece um contraponto negativo para a explicação positiva da espacialidade. | ||
| + | * O ponto de partida de Descartes é a diferenciação entre a //res cogitans// e a //res corporea// como substâncias. | ||
| + | * A propriedade distintiva da //res corporea// é a // | ||
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| + | * Descartes tenta resolver todas as qualidades corpóreas, como a dureza, na extensão. | ||
| + | * A análise da dureza pelo tato é convertida em um problema físico de velocidade relativa entre dois corpos extensos. | ||
| + | * Se os corpos se retirassem à mesma velocidade da mão, a dureza não poderia ser experimentada, | ||
| + | * Descartes conclui que a dureza não pertence ao ser do corpo. | ||
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| + | * Heidegger objeta à argumentação cartesiana em vários níveis. | ||
| + | * O sentido ontológico da substancialidade que funda a //res extensa// permanece obscuro. | ||
| + | * O ente intramundano não aparece em sua mundanidade, | ||
| + | * O privilégio dado ao conhecimento matemático reflete o domínio do ser-simplesmente-presente. | ||
| + | * A descrição da dureza desconsidera o acesso intuitivo da sensibilidade, | ||
| + | * A experiência do tato é convertida em uma relação física entre //res extensae//, ignorando o fenômeno tal como se revela. | ||
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| + | * A objeção central de Heidegger é que dureza e resistência não podem se mostrar se não houver um ente com o modo de ser do Dasein ou, pelo menos, de um ente vivo. | ||
| + | * A ontologia da substância impede que Descartes veja tanto o ser do ente intramundano quanto os comportamentos do Dasein, como as apreensões sensíveis, fundados no ser-no-mundo. | ||
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| + | * No entanto, a analítica da mundanidade que sustenta a destruição do conceito cartesiano de mundo permite, por si só, uma fenomenologia autêntica do tato e da dureza? | ||
| + | * A condição para que um ente no mundo possa tocar um ente presente é que ele possua de antemão o modo de ser do ser-em, com um mundo já descoberto. | ||
| + | * Mas é necessária uma condição suplementar: | ||
| + | * Essa condição não é satisfeita, pois a mão se excepciona da referência significativa e não aparece no mundo. | ||
| + | * Heidegger não critica Descartes por pensar a mão que toca como uma //res extensa//, talvez porque a própria singularidade do movimento carnal não seja restituída pela construção existencial do mundo. | ||
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| + | * A restrição de que dureza e resistência exigem pelo menos um ente vivo abre a possibilidade de uma explicitação existencial do tato e da sensibilidade? | ||
| + | * Para responder, é preciso examinar o modo de ser da vida e sua compatibilidade com a distinção entre Dasein e ser-simplesmente-presente. | ||
| + | * Heidegger afirma que a vida é um modo de ser próprio, mas essencialmente acessível apenas no Dasein. | ||
| + | * A ontologia da vida se realiza por via de uma interpretação privativa, determinando o que deve ser para que algo possa ser //apenas// vida. | ||
| + | * A vida não é nem puro ser-simplesmente-presente, | ||
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| + | * Essas afirmações suscitam dificuldades fundamentais. | ||
| + | * Como pode um método fenomenológico, | ||
| + | * A vida se ofereceria sempre sob o véu de outra coisa? | ||
| + | * Como pode ser mostrada através do Dasein algo que não é nem Dasein nem ser-simplesmente-presente? | ||
| + | * Um status ontológico híbrido perturbadora a partição rígida entre existência e realidade. | ||
| + | * No horizonte de qual sentido do ser se pode dizer que a vida não é nem uma coisa nem existência, | ||
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| + | * O vivente seria um fenômeno inaparente, rebelde a toda ontologia, que o tempo não constituiria? | ||
| + | * A //Carta sobre o Humanismo// [GA9] ecoa e acentua essas aporias. | ||
| + | * Os seres vivos são o que são sem se sustentar, a partir de seu ser como tal, na verdade do ser. | ||
| + | * O ser vivo é talvez o mais difícil de pensar, pois nos é próximo por uma parentesco carnal, mas separado por um abismo de nossa essência existente. | ||
| + | * A essência do divino pode nos ser mais familiar que a estranheza dos seres vivos. | ||
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| + | * A implicação radical é que a vida não tem caráter existencial algum e o Dasein não pode ser seu revelador. | ||
| + | * Como o homem é um vivente que só vive enquanto se encarna, a carne pela qual a vida se atesta não pertence à existência, | ||
| + | * Portanto, qualquer interpretação existencial do tato e da sensibilidade é, em princípio, impossível. | ||
| + | * As questões sobre o ser da carne e da vida, ou mesmo se elas têm um ser, adquirem gravidade pelo fato de a referência manual atravessar //Ser e Tempo//. | ||
| + | * Intitular a ontologia tradicional como ontologia do ser-simplesmente-presente é situar o problema do ser no domínio da mão e da carne. | ||
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