estudos:franck:espaco-temporalidade-1986
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| + | ====== ESPAÇO E TEMPORALIDADE (1986) ====== | ||
| + | |||
| + | DFHPE | ||
| + | |||
| + | * Estrutura geral da analítica: derivação do tempo vulgar como condição de fundação da ontologia categorial na ontologia fundamental | ||
| + | * Após explicitar o sentido temporal do “lá” e do ser-no-mundo, | ||
| + | * Essas análises preparam a gênese do conceito vulgar de tempo, cuja função é decisiva porque, em última instância, assegura o enraizamento da ontologia categorial na ontologia fundamental, | ||
| + | * Se a “espacialidade” interviesse na derivação da intratemporalidade a partir da temporalidade originária, | ||
| + | |||
| + | * Necessidade hermenêutica da intratemporalidade como restituição do direito da interpretação corrente do tempo | ||
| + | * A hermenêutica da intratemporalidade torna-se necessária porque a analítica existencial, | ||
| + | * Uma vez que os diversos comportamentos do Dasein apenas o deixam apreender a partir de seu ser enquanto temporalidade ekstática finita, impõe-se exibir como o Dasein, precisamente por ser temporal, ocupa-se do tempo de modo contábil antes mesmo de qualquer uso de utensílios especificamente destinados a medir o tempo. | ||
| + | * A exigência de mostrar a origem do tempo contável no próprio modo de ser do Dasein governa o movimento de derivação que reconduz o tempo da ocupação cotidiana à temporalidade originária. | ||
| + | |||
| + | * Escolha do fio linguístico: | ||
| + | * O exame da preocupação com o tempo começa pela expressão linguística porque o Dasein, existindo na unidade de projeto lançado e queda, é seu “lá” e, sendo ser-com, se encontra desde o início numa revelação indiferente de si, dos outros e do mundo. | ||
| + | * A compreensão disposta é articulada pelo discurso, de modo que o ser-no-mundo cotidiano já se expressou na língua a respeito do ente com que se ocupa e do tempo do encontro com esse ente. | ||
| + | * Por isso, as locuções usuais que indicam o tempo não são meros signos externos, mas abrem acesso fenomenológico ao modo como a temporalidade se explicita espontaneamente na vida ocupada. | ||
| + | |||
| + | * Fenomenologia dos advérbios temporais: “agora”, | ||
| + | * No dizer cotidiano, o Dasein enuncia sempre já “em breve” acontecerá, | ||
| + | * “Em breve” e “outrora” indicam que o Dasein espera ou retém algo, enquanto “agora” indica o reporte a um ente presente, de tal modo que apresentação, | ||
| + | * Embora “em breve” seja um ainda-não-agora e “outrora” um não… mais agora, ambos gravitam em torno do “agora”, | ||
| + | |||
| + | * Estrutura referencial do tempo ocupado: o “agora que…”, “em breve quando…”, | ||
| + | * O “agora”, | ||
| + | * Nessa articulação, | ||
| + | * O “agora”, | ||
| + | |||
| + | * Fundamento ekstatico-horizontal da databilidade: | ||
| + | * Ao explicitar discursivamente o que o ocupa, o Dasein coexprime a própria explicitação, | ||
| + | * O “agora que…”, o “em breve quando…”, | ||
| + | * A possibilidade de tal explicitação repousa no fato de que a temporalidade constitui ekstatico-horizontalmente a clareira do “lá”, sendo por isso originariamente sempre já explicável e reconhecida no próprio “lá”. | ||
| + | * A databilidade, | ||
| + | |||
| + | * Ex-tensividade e espaçamento do tempo: o “agora” não é pontual e inclui intervalos contáveis | ||
| + | * O tempo da preocupação não é apenas datado, mas também é ex-tendido, pois dizer “em breve” ou “outrora” implica compreender-se desde um “agora” que inclui um ainda-não-agora e um a contar de agora até…, isto é, uma extensão interna. | ||
| + | * Essa extensão do “agora” até o “em breve”, pertencente ao próprio “em breve”, é explicitada por um “durante que…” igualmente datado, de tal modo que o dizer temporal visa um intervalo que dá acesso à continuidade do tempo e admite subdivisões conforme as exigências da ocupação. | ||
| + | * A ex-tensividade concerne também ao “agora” porque, na unidade de apresentação atenta e retencional, | ||
| + | * A articulação por intervalo, durante e até… é denominada espaçamento do tempo, isto é, um lapso temporal, e a transitividade aristotélica do “agora” é retomada para afirmar que o tempo é em si mesmo espaçado e ex-tendido, variando em amplitude sem jamais reduzir-se ao pontual. | ||
| + | |||
| + | * Mundanidade e publicidade do tempo: tempo oportuno e tempo partilhado como expressão do ser-com | ||
| + | * O tempo da preocupação é sempre um tempo para isto ou aquilo, um tempo oportuno ou um contratempo, | ||
| + | * Por isso, o tempo ocupado é, em sentido existencial, | ||
| + | * Além disso, sendo ser-no-mundo como ser-com, o Dasein diz o tempo sempre aos outros, o que torna o tempo da preocupação público e, ordinariamente, | ||
| + | * Databilidade, | ||
| + | |||
| + | * Emergência da cronometração: | ||
| + | * A preocupação opera já sob a perspectiva de um cálculo astronômico e calendárico do tempo mediante um relógio, e essa prática responde à necessidade existencial de clareza do Dasein circunspectivo para ocupar-se do ente à-mão. | ||
| + | * Exposto à luz solar e à alternância do dia e da noite, isto é, do visível e do invisível, o Dasein toma o tempo a partir de um ente cuja finalidade é afim à circunspecção, | ||
| + | * O sol é descoberto como utensílio que data o tempo explicitado na preocupação e, dessa datação, nasce a medida “mais natural” do tempo, o dia, pois o tempo é tomado a partir de um retorno regular intramundano. | ||
| + | * A necessidade de medir decorre da finitude da temporalidade, | ||
| + | * Como o ente a partir do qual se data e se conta pertence à natureza intramundana patente a todos, a cronometração confirma a publicidade do tempo, e, com a temporalidade do Dasein lançado e entregue ao mundo, algo como um relógio é já descoberto como ente à-mão cujo retorno regular se tornou acessível à preocupação atenta. | ||
| + | |||
| + | * Leitura do tempo na mostra e constituição da medida como apresentação de uma unidade constante na extensão | ||
| + | * Ler a hora numa mostra significa dizer, expressamente ou não, “agora é tal hora”, “agora é tempo para…”, ou “ainda há tempo…”, | ||
| + | * A datação com a mostra é uma apresentação dotada do caráter de medida numérica, pois consulta-se o tempo apresentando uma unidade de medida e determinando sua frequência de presença na extensão a medir. | ||
| + | * A medida se constitui temporalmente na apresentação da unidade de medida presente na extensão presente, o que explica por que a expressão privilegiada desse procedimento se concentra no “agora”. | ||
| + | |||
| + | * Recondução à definição aristotélica: | ||
| + | * Como o “agora” se temporaliza na unidade ekstática de apresentação, | ||
| + | * O tempo do mundo acessível no relógio define-se então como o numerado que se mostra na perseguição apresentadora e numerante do movimento do ponteiro, de tal modo que a apresentação se temporaliza em unidade com retenção e expectativa horizontalmente abertas. | ||
| + | * A compreensão do tempo como multiplicidade de “agoras” ontologicamente assimilada ao ente mantido que se apresenta culmina na explicitação ontológico-existencial da definição aristotélica do tempo como número do movimento segundo o anterior e o posterior, isto é, como o numerável do movimento no horizonte do antes e do depois. | ||
| + | |||
| + | * Condição crítica: a derivação heideggeriana depende de excluir a espacialidade como fator autônomo e de reduzi-la a modo de temporalização | ||
| + | * A reconstrução existencial do tempo como número do movimento fornece um primeiro termo da gênese do conceito vulgar e funda a intratemporalidade na temporalidade ekstática, garantindo a fundação da ontologia categorial na analítica do Dasein. | ||
| + | * Essa garantia, porém, só vale se a espacialidade não desempenhar papel próprio na rede de relações que reconduzem o tempo da preocupação à temporalidade finita, ou se ela puder ser compreendida inteiramente como modo de temporalização. | ||
| + | * A tese contrária afirma que o espaço está implicado em todas as estruturas do tempo mundano e, por isso, a derivação temporal de tais estruturas perde seu fundamento quando a espacialidade não se deixa reconduzir à temporalidade. | ||
| + | |||
| + | * Localização do “agora” e insuficiência da explicação temporal do espaço diante de uma espacialidade não mundana | ||
| + | * O “agora” datado é localizado, pois dizer “agora que faz frio” implica “agora que aqui faz frio”, e a sequência de “agora aqui” acompanha o movimento do ponteiro segundo o lugar da preocupação. | ||
| + | * Heidegger explica essa ligação afirmando que o tempo da preocupação, | ||
| + | * Contudo, se o aqui da preocupação temporal oculta o aqui de uma carne que se encarna sem ser nem tempo, então a databilidade localizada não pode ser mantida como simples reflexo da constituição ekstática da temporalidade quando o espaço deixa de estar no mundo e a tese correspondente é invalidada. | ||
| + | |||
| + | * Ex-tensão como conceito formal e impossibilidade de extirpar a conotação espacial quando o espaço se destemporaliza | ||
| + | * A fundação do “agora” intratemporal exige que a ex-tensão seja tomada em sentido formal e que toda significação espacial seja dela removida, pois o “agora” ex-tendido é essencial ao enraizamento da intratemporalidade na temporalidade ekstática. | ||
| + | * Se, porém, a espacialidade se subtrai à temporalidade e a destemporalização do discurso se impõe, então tanto a ex-tensão quanto o próprio conceito de ex-tensão permanecem inevitavelmente marcados por uma referência ao espaço. | ||
| + | * Nesse caso, a derivação ekstática do “agora” e da intratemporalidade se encontra bloqueada porque nenhum recurso de formalização consegue apagar a marca espacial que o conceito carrega, e a afirmação de que “o tempo é em si mesmo ex-tendido” torna-se suspeita de espacialização ineliminável. | ||
| + | * Uma vez que o espaço e a língua são retirados da ekstase, ou que a própria ekstase é reconduzida a uma espacialidade primitiva, torna-se ilegítimo exigir que se fale temporalmente do tempo, pois a via discursiva da análise temporal passa a depender do que foi declarado atemporal. | ||
| + | |||
| + | * Desvio da mundanidade e ruptura da origem ekstática quando espaço e mundo perdem sentido temporal | ||
| + | * O “agora” ex-tendido é mundano, mas essa mundanidade, | ||
| + | * A identificação entre mundo e contrada, revelada pela mesma angústia, perde seu sentido temporal quando o espaço é privado de seu sentido, e, por isso, a mundanidade do “agora” se desliga de qualquer origem ekstática. | ||
| + | * A destemporalização da região implica ipso facto a destemporalização do mundo enquanto mundo, e, assim, o tempo mundano perde o terreno no qual deveria ser reconduzido à temporalidade originária. | ||
| + | |||
| + | * Publicidade do tempo e espacialização da medida: dependência da cronometração do espaço e fragilidade da resposta heideggeriana | ||
| + | * A publicidade do tempo depende de sua mensurabilidade e do ser-com, mas o ser-com, cuja temporalidade não é exibida, é constitutivo da espacialidade encarnada, ao passo que a cronometração supõe relações espaciais. | ||
| + | * A objeção segundo a qual o tempo público seria em última instância um espaço é afastada por uma argumentação que afirma que apenas sobre a base da temporalidade ekstática a datação mensurante pode ser ligada ao espaço, e que o decisivo reside na apresentação específica que torna possível a medida. | ||
| + | * Contudo, se o espaço renuncia ao seu sentido de apresentação, | ||
| + | |||
| + | * Consequência global: destemporalização do espaço como ruína do projeto de compreensão temporal do ser | ||
| + | * Quando a tese que sustenta a temporalização do espaço se mostra insustentável, | ||
| + | * A fundação existencial da intratemporalidade é arruinada e a destruição da ontologia do ente subsistente é interditada, | ||
| + | * A destemporalização do espaço mina todo projeto de compreensão temporal do ser e obriga o pensamento a não mais permanecer no par ser e tempo como conjunção suficiente. | ||
| + | |||
| + | * Nivelamento vulgar: recobrimento das estruturas do tempo mundano pela sucessão de agoras | ||
| + | * A gênese do conceito vulgar exige explicar por que o tempo do mundo não aparece ordinariamente na plenitude de seus momentos, pois, quanto mais a preocupação está na tarefa, menos ela tematiza o tempo e mais o apreende como sequência de agoras que vêm e passam. | ||
| + | * Essa sequência é compreendida sob o domínio do sentido de ser próprio da existência imprópria, a saber, o ser diante-da-mão, | ||
| + | * Nesse nivelamento, | ||
| + | * Com seus nexos referenciais, | ||
| + | |||
| + | * Gênese existencial do recobrimento: | ||
| + | * A análise deve concluir pela gênese existencial do nivelamento e do recobrimento, | ||
| + | * Obnubilado pelo ente de que se ocupa, o Dasein foge de seu poder-ser mais próprio, a resolução antecipadora, | ||
| + | * O desviar-se é em si mesmo um modo do ser para o fim ekstaticamente porvir, e, por isso, a temporalidade imprópria do Dasein decaído, enquanto desvio da finitude, necessariamente desconhece o porvir próprio e, com ele, a temporalidade em geral. | ||
| + | * O tempo como infinitude ortodrômica de agoras emerge dessa fuga, e apenas a irreversibilidade conserva ainda, de maneira residual, a proveniência ekstática. | ||
| + | |||
| + | * Dificuldade final: angústia como revelação do tempo e condição carnal que subtrai a carne ao ser e ao tempo | ||
| + | * Se a temporalidade ekstatica finita é originária, | ||
| + | * Esse desencadeamento coincide com o início fático e histórico da questão do ser, mas a angústia que manifesta o espaço cuja atemporalidade entrava a derivação do tempo mundano revela a carne a si mesma e é fisiologicamente condicionada. | ||
| + | * A condição carnal do desencadeamento da angústia deve responder pela emergência histórica de Être et temps, mas a carne, no domínio da qual se situa a conceptualidade da ontologia fundamental, | ||
| + | * A impossibilidade de submeter a carne à ekstase temporal impede inscrever Sein und Zeit na história da metafísica ali construída, | ||
| + | ====== ESPAÇO E TEMPORALIDADE ====== | ||
| + | |||
| + | * Estrutura geral da analítica: derivação do tempo vulgar como condição de fundação da ontologia categorial na ontologia fundamental | ||
| + | * Após explicitar o sentido temporal do “lá” e do ser-no-mundo, | ||
| + | * Essas análises preparam a gênese do conceito vulgar de tempo, cuja função é decisiva porque, em última instância, assegura o enraizamento da ontologia categorial na ontologia fundamental, | ||
| + | * Se a “espacialidade” interviesse na derivação da intratemporalidade a partir da temporalidade originária, | ||
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| + | * Necessidade hermenêutica da intratemporalidade como restituição do direito da interpretação corrente do tempo | ||
| + | * A hermenêutica da intratemporalidade torna-se necessária porque a analítica existencial, | ||
| + | * Uma vez que os diversos comportamentos do Dasein apenas o deixam apreender a partir de seu ser enquanto temporalidade ekstática finita, impõe-se exibir como o Dasein, precisamente por ser temporal, ocupa-se do tempo de modo contábil antes mesmo de qualquer uso de utensílios especificamente destinados a medir o tempo. | ||
| + | * A exigência de mostrar a origem do tempo contável no próprio modo de ser do Dasein governa o movimento de derivação que reconduz o tempo da ocupação cotidiana à temporalidade originária. | ||
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| + | * Escolha do fio linguístico: | ||
| + | * O exame da preocupação com o tempo começa pela expressão linguística porque o Dasein, existindo na unidade de projeto lançado e queda, é seu “lá” e, sendo ser-com, se encontra desde o início numa revelação indiferente de si, dos outros e do mundo. | ||
| + | * A compreensão disposta é articulada pelo discurso, de modo que o ser-no-mundo cotidiano já se expressou na língua a respeito do ente com que se ocupa e do tempo do encontro com esse ente. | ||
| + | * Por isso, as locuções usuais que indicam o tempo não são meros signos externos, mas abrem acesso fenomenológico ao modo como a temporalidade se explicita espontaneamente na vida ocupada. | ||
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| + | * Fenomenologia dos advérbios temporais: “agora”, | ||
| + | * No dizer cotidiano, o Dasein enuncia sempre já “em breve” acontecerá, | ||
| + | * “Em breve” e “outrora” indicam que o Dasein espera ou retém algo, enquanto “agora” indica o reporte a um ente presente, de tal modo que apresentação, | ||
| + | * Embora “em breve” seja um ainda-não-agora e “outrora” um não… mais agora, ambos gravitam em torno do “agora”, | ||
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| + | * Estrutura referencial do tempo ocupado: o “agora que…”, “em breve quando…”, | ||
| + | * O “agora”, | ||
| + | * Nessa articulação, | ||
| + | * O “agora”, | ||
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| + | * Fundamento ekstatico-horizontal da databilidade: | ||
| + | * Ao explicitar discursivamente o que o ocupa, o Dasein coexprime a própria explicitação, | ||
| + | * O “agora que…”, o “em breve quando…”, | ||
| + | * A possibilidade de tal explicitação repousa no fato de que a temporalidade constitui ekstatico-horizontalmente a clareira do “lá”, sendo por isso originariamente sempre já explicável e reconhecida no próprio “lá”. | ||
| + | * A databilidade, | ||
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| + | * Ex-tensividade e espaçamento do tempo: o “agora” não é pontual e inclui intervalos contáveis | ||
| + | * O tempo da preocupação não é apenas datado, mas também é ex-tendido, pois dizer “em breve” ou “outrora” implica compreender-se desde um “agora” que inclui um ainda-não-agora e um a contar de agora até…, isto é, uma extensão interna. | ||
| + | * Essa extensão do “agora” até o “em breve”, pertencente ao próprio “em breve”, é explicitada por um “durante que…” igualmente datado, de tal modo que o dizer temporal visa um intervalo que dá acesso à continuidade do tempo e admite subdivisões conforme as exigências da ocupação. | ||
| + | * A ex-tensividade concerne também ao “agora” porque, na unidade de apresentação atenta e retencional, | ||
| + | * A articulação por intervalo, durante e até… é denominada espaçamento do tempo, isto é, um lapso temporal, e a transitividade aristotélica do “agora” é retomada para afirmar que o tempo é em si mesmo espaçado e ex-tendido, variando em amplitude sem jamais reduzir-se ao pontual. | ||
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| + | * Mundanidade e publicidade do tempo: tempo oportuno e tempo partilhado como expressão do ser-com | ||
| + | * O tempo da preocupação é sempre um tempo para isto ou aquilo, um tempo oportuno ou um contratempo, | ||
| + | * Por isso, o tempo ocupado é, em sentido existencial, | ||
| + | * Além disso, sendo ser-no-mundo como ser-com, o Dasein diz o tempo sempre aos outros, o que torna o tempo da preocupação público e, ordinariamente, | ||
| + | * Databilidade, | ||
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| + | * Emergência da cronometração: | ||
| + | * A preocupação opera já sob a perspectiva de um cálculo astronômico e calendárico do tempo mediante um relógio, e essa prática responde à necessidade existencial de clareza do Dasein circunspectivo para ocupar-se do ente à-mão. | ||
| + | * Exposto à luz solar e à alternância do dia e da noite, isto é, do visível e do invisível, o Dasein toma o tempo a partir de um ente cuja finalidade é afim à circunspecção, | ||
| + | * O sol é descoberto como utensílio que data o tempo explicitado na preocupação e, dessa datação, nasce a medida “mais natural” do tempo, o dia, pois o tempo é tomado a partir de um retorno regular intramundano. | ||
| + | * A necessidade de medir decorre da finitude da temporalidade, | ||
| + | * Como o ente a partir do qual se data e se conta pertence à natureza intramundana patente a todos, a cronometração confirma a publicidade do tempo, e, com a temporalidade do Dasein lançado e entregue ao mundo, algo como um relógio é já descoberto como ente à-mão cujo retorno regular se tornou acessível à preocupação atenta. | ||
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| + | * Leitura do tempo na mostra e constituição da medida como apresentação de uma unidade constante na extensão | ||
| + | * Ler a hora numa mostra significa dizer, expressamente ou não, “agora é tal hora”, “agora é tempo para…”, ou “ainda há tempo…”, | ||
| + | * A datação com a mostra é uma apresentação dotada do caráter de medida numérica, pois consulta-se o tempo apresentando uma unidade de medida e determinando sua frequência de presença na extensão a medir. | ||
| + | * A medida se constitui temporalmente na apresentação da unidade de medida presente na extensão presente, o que explica por que a expressão privilegiada desse procedimento se concentra no “agora”. | ||
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| + | * Recondução à definição aristotélica: | ||
| + | * Como o “agora” se temporaliza na unidade ekstática de apresentação, | ||
| + | * O tempo do mundo acessível no relógio define-se então como o numerado que se mostra na perseguição apresentadora e numerante do movimento do ponteiro, de tal modo que a apresentação se temporaliza em unidade com retenção e expectativa horizontalmente abertas. | ||
| + | * A compreensão do tempo como multiplicidade de “agoras” ontologicamente assimilada ao ente mantido que se apresenta culmina na explicitação ontológico-existencial da definição aristotélica do tempo como número do movimento segundo o anterior e o posterior, isto é, como o numerável do movimento no horizonte do antes e do depois. | ||
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| + | * Condição crítica: a derivação heideggeriana depende de excluir a espacialidade como fator autônomo e de reduzi-la a modo de temporalização | ||
| + | * A reconstrução existencial do tempo como número do movimento fornece um primeiro termo da gênese do conceito vulgar e funda a intratemporalidade na temporalidade ekstática, garantindo a fundação da ontologia categorial na analítica do Dasein. | ||
| + | * Essa garantia, porém, só vale se a espacialidade não desempenhar papel próprio na rede de relações que reconduzem o tempo da preocupação à temporalidade finita, ou se ela puder ser compreendida inteiramente como modo de temporalização. | ||
| + | * A tese contrária afirma que o espaço está implicado em todas as estruturas do tempo mundano e, por isso, a derivação temporal de tais estruturas perde seu fundamento quando a espacialidade não se deixa reconduzir à temporalidade. | ||
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| + | * Localização do “agora” e insuficiência da explicação temporal do espaço diante de uma espacialidade não mundana | ||
| + | * O “agora” datado é localizado, pois dizer “agora que faz frio” implica “agora que aqui faz frio”, e a sequência de “agora aqui” acompanha o movimento do ponteiro segundo o lugar da preocupação. | ||
| + | * Heidegger explica essa ligação afirmando que o tempo da preocupação, | ||
| + | * Contudo, se o aqui da preocupação temporal oculta o aqui de uma carne que se encarna sem ser nem tempo, então a databilidade localizada não pode ser mantida como simples reflexo da constituição ekstática da temporalidade quando o espaço deixa de estar no mundo e a tese correspondente é invalidada. | ||
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| + | * Ex-tensão como conceito formal e impossibilidade de extirpar a conotação espacial quando o espaço se destemporaliza | ||
| + | * A fundação do “agora” intratemporal exige que a ex-tensão seja tomada em sentido formal e que toda significação espacial seja dela removida, pois o “agora” ex-tendido é essencial ao enraizamento da intratemporalidade na temporalidade ekstática. | ||
| + | * Se, porém, a espacialidade se subtrai à temporalidade e a destemporalização do discurso se impõe, então tanto a ex-tensão quanto o próprio conceito de ex-tensão permanecem inevitavelmente marcados por uma referência ao espaço. | ||
| + | * Nesse caso, a derivação ekstática do “agora” e da intratemporalidade se encontra bloqueada porque nenhum recurso de formalização consegue apagar a marca espacial que o conceito carrega, e a afirmação de que “o tempo é em si mesmo ex-tendido” torna-se suspeita de espacialização ineliminável. | ||
| + | * Uma vez que o espaço e a língua são retirados da ekstase, ou que a própria ekstase é reconduzida a uma espacialidade primitiva, torna-se ilegítimo exigir que se fale temporalmente do tempo, pois a via discursiva da análise temporal passa a depender do que foi declarado atemporal. | ||
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| + | * Desvio da mundanidade e ruptura da origem ekstática quando espaço e mundo perdem sentido temporal | ||
| + | * O “agora” ex-tendido é mundano, mas essa mundanidade, | ||
| + | * A identificação entre mundo e contrada, revelada pela mesma angústia, perde seu sentido temporal quando o espaço é privado de seu sentido, e, por isso, a mundanidade do “agora” se desliga de qualquer origem ekstática. | ||
| + | * A destemporalização da região implica ipso facto a destemporalização do mundo enquanto mundo, e, assim, o tempo mundano perde o terreno no qual deveria ser reconduzido à temporalidade originária. | ||
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| + | * Publicidade do tempo e espacialização da medida: dependência da cronometração do espaço e fragilidade da resposta heideggeriana | ||
| + | * A publicidade do tempo depende de sua mensurabilidade e do ser-com, mas o ser-com, cuja temporalidade não é exibida, é constitutivo da espacialidade encarnada, ao passo que a cronometração supõe relações espaciais. | ||
| + | * A objeção segundo a qual o tempo público seria em última instância um espaço é afastada por uma argumentação que afirma que apenas sobre a base da temporalidade ekstática a datação mensurante pode ser ligada ao espaço, e que o decisivo reside na apresentação específica que torna possível a medida. | ||
| + | * Contudo, se o espaço renuncia ao seu sentido de apresentação, | ||
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| + | * Consequência global: destemporalização do espaço como ruína do projeto de compreensão temporal do ser | ||
| + | * Quando a tese que sustenta a temporalização do espaço se mostra insustentável, | ||
| + | * A fundação existencial da intratemporalidade é arruinada e a destruição da ontologia do ente subsistente é interditada, | ||
| + | * A destemporalização do espaço mina todo projeto de compreensão temporal do ser e obriga o pensamento a não mais permanecer no par ser e tempo como conjunção suficiente. | ||
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| + | * Nivelamento vulgar: recobrimento das estruturas do tempo mundano pela sucessão de agoras | ||
| + | * A gênese do conceito vulgar exige explicar por que o tempo do mundo não aparece ordinariamente na plenitude de seus momentos, pois, quanto mais a preocupação está na tarefa, menos ela tematiza o tempo e mais o apreende como sequência de agoras que vêm e passam. | ||
| + | * Essa sequência é compreendida sob o domínio do sentido de ser próprio da existência imprópria, a saber, o ser diante-da-mão, | ||
| + | * Nesse nivelamento, | ||
| + | * Com seus nexos referenciais, | ||
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| + | * Gênese existencial do recobrimento: | ||
| + | * A análise deve concluir pela gênese existencial do nivelamento e do recobrimento, | ||
| + | * Obnubilado pelo ente de que se ocupa, o Dasein foge de seu poder-ser mais próprio, a resolução antecipadora, | ||
| + | * O desviar-se é em si mesmo um modo do ser para o fim ekstaticamente porvir, e, por isso, a temporalidade imprópria do Dasein decaído, enquanto desvio da finitude, necessariamente desconhece o porvir próprio e, com ele, a temporalidade em geral. | ||
| + | * O tempo como infinitude ortodrômica de agoras emerge dessa fuga, e apenas a irreversibilidade conserva ainda, de maneira residual, a proveniência ekstática. | ||
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| + | * Dificuldade final: angústia como revelação do tempo e condição carnal que subtrai a carne ao ser e ao tempo | ||
| + | * Se a temporalidade ekstatica finita é originária, | ||
| + | * Esse desencadeamento coincide com o início fático e histórico da questão do ser, mas a angústia que manifesta o espaço cuja atemporalidade entrava a derivação do tempo mundano revela a carne a si mesma e é fisiologicamente condicionada. | ||
| + | * A condição carnal do desencadeamento da angústia deve responder pela emergência histórica de Être et temps, mas a carne, no domínio da qual se situa a conceptualidade da ontologia fundamental, | ||
| + | * A impossibilidade de submeter a carne à ekstase temporal impede inscrever Sein und Zeit na história da metafísica ali construída, | ||
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