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estudos:franck:ciencia-como-egologia-1981

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 +====== Ciência como egologia ======
 +(1981:29-40)
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 +==== Chair et Corps ====
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 +=== Sur la phénoménologie de Husserl ===
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 +    * A fundamentação da filosofia como ciência rigorosa e a centralidade da evidência e da verdade como telos, que são reiteráveis, válidas de uma vez por todas e para todos, sendo, portanto, omnitemporais e intersubjetivas.
 +      * A concepção do eidos da ciência como um telos normativo e horizontal, que prescreve um sistema de conhecimentos.
 +          * A citação que estabelece a necessidade de um "ordem de conhecimentos anteriores em si relacionadas a outras posteriores em si; e finalmente um começo e um progresso, não escolhidos arbitrariamente, mas fundamentados na natureza das próprias coisas".
 +      * A exigência de que toda ciência, especialmente a filosofia, deve partir de uma ou mais evidências que possuam o caráter de uma prioridade absoluta.
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 +    * A investigação das evidências primeiras e as condições que devem satisfazer, seguindo e divergindo do caminho cartesiano.
 +      * A distinção crucial entre a redução fenomenológica e o dúvida cartesiana, sendo a primeira definitiva, universal e não implicando negação.
 +      * A exigência husserliana de um imenso trabalho de clarificação da evidência, por meio da análise intencional, trabalho este negligenciado por Descartes.
 +      * A diferenciação da perfeição da evidência em adequação ou apoditicidade, sendo que esta última pode pertencer a evidências inadequadas.
 +      * A reformulação da questão do início da ciência na busca por uma evidência apodítica anterior a todas as outras.
 +          * A observação de que Husserl, ao limiar da redução, abandona a exigência "e para todos".
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 +    * A introdução da redução fenomenológica como pivô de toda a empresa husserliana e o surgimento do domínio fenomenológico.
 +      * A brevidade da introdução da redução nas //Meditações Cartesianas//, possivelmente devido à assunção crítica do legado cartesiano.
 +      * A questão da evidência primeira e apodítica, problematizando a evidência do mundo.
 +          * O argumento de que a existência do mundo não é apodítica, pois "é perfeitamente pensável que a experiência se dissipe em simulacros em virtude de conflitos internos [...] em suma, que não haja mundo".
 +      * A execução do "grande retorno" cartesiano ao //ego cogito// como solo judicativo último e apoditicamente certo.
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 +    * A suspensão da tese do mundo da atitude natural e sua transformação em fenômeno.
 +      * A descrição do mundo na atitude natural como aquele que "eu descubro por uma intuição imediata como existente, eu o experimento".
 +      * A caracterização do mundo da atitude natural como o mundo copernicano-galileano, acompanhado de sua ontologia tradicional-moderna.
 +      * A primeira consequência da redução: a interdição de falar no plural e a suspensão da existência intra-mundana de todos os outros //egos//.
 +          * A citação que explicita esta interdição: "com os outros desaparecem naturalmente todas as formações da sociabilidade e da cultura. Em suma, não apenas a natureza corpórea, mas todo o mundo ambiente concreto da vida não são mais para mim seres, mas apenas fenômeno de ser".
 +      * O problema do solipsismo e a objeção de que a linguagem e a idealidade das significações pressupõem a intersubjetividade.
 +      * A resposta fenomenológica de que a análise da linguagem em Husserl é, em sua pureza, solipsista, uma vez reduzido o aspecto de indicação.
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 +    * A descoberta do //ego// apodítico e do campo da experiência transcendental como fundamento.
 +      * A concepção do mundo como fenômeno irredutivelmente meu, incluso irrealmente na vida egóica pura.
 +      * A ameaça do solipsismo como uma ilusão transcendental e o recurso à intersubjectividade como sua solução.
 +      * A exigência de uma exploração metódica do campo egóico transcendental.
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 +    * A questão crítica sobre o alcance da apoditicidade no //ego// transcendental.
 +      * A limitação da apoditicidade ao núcleo da presença viva a si, expresso pelo //ego cogito//, e a não-apoditicidade imediata do passado.
 +      * A abertura de horizontes temporais no //ego//, descrita nas //Lições de 1905 sobre o tempo//.
 +      * A distinção entre uma fenomenologia transcendental descritiva e uma etapa crítica propriamente dita, sendo que Husserl reconhece dedicar-se apenas à primeira nas //Meditações Cartesianas//.
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 +    * A diferença crucial entre o //ego// psicológico e o //ego// transcendental e a crítica à interpretação cartesiana.
 +      * A acusação a Descartes de ter negligenciado a questão da memória e interpretado precipitadamente o //ego// como psique, incorrendo no "contrassenso do realismo transcendental".
 +      * O enigma do paralelismo psico-fenomenológico e a questão de como distinguir a psicologia fenomenológica da fenomenologia transcendental.
 +      * A definição da alma como resultado residual da abstração da componente corpórea, mantendo uma relação intra-mundana.
 +      * O acesso à consciência não-psíquica, que porta o mundo e o psiquismo como unidade intencional de sentido.
 +      * A questão de Heidegger sobre o modo de ser do //ego// absoluto e sua relação de identidade e diferença com o //ego// mundano.
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 +    * A constituição de uma nova ciência a partir do campo da experiência transcendental e o papel da redução eidética.
 +      * O risco de um empirismo transcendental e a necessidade da conversão eidética para o estudo das estruturas universais.
 +      * A importância da ficção como "o elemento vital da fenomenologia, como de todas as ciências eidéticas".
 +      * As dificuldades para realizar a variação eidética no estágio solipsista, pois o acesso ao //eidos ego// pode exigir outros //egos//.
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 +    * A análise das estruturas do campo transcendental, começando pela intencionalidade.
 +      * O deslocamento do foco do //ego cogito// para as múltiplas //cogitationes//.
 +      * A definição da intencionalidade como "esta propriedade geral fundamental da consciência de ser consciência de algo, de portar em si, e como //cogito//, o seu //cogitatum//".
 +      * A objeção de que a reflexão, sendo secundária, altera o vivido originário.
 +      * A defesa de Husserl de que a reflexão, ainda que alterando (//verändere//) o vivido, o dá como correlato intencional e permite sua descrição pura.
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 +    * A dimensão temporal da reflexão e o clivagem do //ego// (//Ichspaltung//).
 +      * A necessidade do retardamento temporal (retenção) para que o acesso à origem e a própria fenomenologia sejam possíveis.
 +      * A descrição do clivagem: o //ego// mundano aparece ao //ego// transcendental, que, por sua vez, só sai do anonimato para um espectador transcendental desinteressado.
 +      * O problema da identidade desses //egos// e sua unificação última no presente vivo.
 +          * A citação que afirma: "no presente vivo, eu tenho em coexistência o eu desdobrado e o ato desdobrado do eu".
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 +    * A oscilação de Husserl sobre o estatuto da retenção como percepção ou não-percepção do passado.
 +      * A posição da retenção como percepção apresentativa do passado: "a lembrança primária é percepção. Pois é apenas nela que vemos o passado, é apenas nela que o passado se constitui, e isso não de maneira re-presentativa, mas, ao contrário, presentativa".
 +      * A posição contrária, que define a retenção como o oposto da percepção: "o oposto da percepção é então a lembrança primária e a expectativa primária (retenção e protensão)".
 +      * A analogia entre os modos de doação do passado e do //alter ego// e suas implicações para a egologia pura.
 +          * A questão de saber se a retenção, como condição da redução, já implica o //alter ego//.
 +          * A interrogação sobre a possibilidade de pensar o clivagem e a alteração do //ego// sem a pré-doação do //alter ego//.
 +      * A questão final sobre se o trabalho fenomenológico está condenado a contradizer seus princípios iniciais e como dar conta disso fenomenologicamente.
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 +//FRANCK, Didier. Chair et corps. Sur la phénoménologie de Husserl. Paris: Minuit, 1981.//
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 +{{tag>Franck}}