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estudos:franck:carne-e-corpo-na-percepcao-1981

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 +====== Carne e corpo na percepção ======
 +(1981:41-49)
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 +==== Chair et Corps ====
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 +=== Sur la phénoménologie de Husserl ===
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 +    * A imposição do caráter de uma descrição duplamente orientada e correlativa à análise da consciência pela evidência da correlação intencional.
 +      * A dupla orientação da análise: para o objeto intencional no //quomodo// de seus modos de aparecer (o noema) e para os atos do //ego// (noeses) que constituem e dão sentido aos noemas.
 +      * A universalidade da análise intencional como análise do //ego// transcendental enquanto inclui e constitui toda a objetividade possível.
 +          * A citação que afirma: "Portanto, na realização consequente da redução fenomenológica, resta-nos, noeticamente, a pura vida de consciência aberta sem fim e, do lado de seu correlato noemático, o mundo visado puramente como tal".
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 +    * A centralidade da análise da percepção sensível como exemplo fundamental e a necessidade histórica e essencial de sua reavaliação.
 +      * A profunda necessidade de superar o psicologismo transcendental através de uma nova análise da percepção que seja fiel ao dado originário.
 +      * A reflexão de Husserl sobre a escolha da percepção como ponto de partida: "Mas necessidades de essências não se fizeram sentir nesta escolha?".
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 +    * A descrição intencional exemplar da percepção de um cubo, dissolvendo a unidade do objeto em uma multiplicidade de esboços.
 +      * A descrição do cubo como unidade objetiva dada em uma "multiplicidade cambiante e multiforme de maneiras de aparecer".
 +      * A síntese de identificação que unifica o fluxo das aparências em um objeto idêntico.
 +      * O papel do "aqui absoluto" da própria carne como referência espacial constante, "sempre co-consciente embora não percebido".
 +      * A variação das maneiras de aparecer, como perspectivas visuais e táteis, em função da orientação da atenção.
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 +    * A conceituação revolucionária do "esboço" (//Abschattung//) e a rejeição das teorias da percepção como signo ou imagem.
 +      * A definição do esboço como o que dá a coisa em sua ipseidade incarnada, e não como um signo de um em-si inteligível.
 +      * A unificação fenomenológica do objeto através da concordância dos esboços, fundada numa síntese de identificação.
 +      * A consciência imanente do tempo como forma fundamental dessa síntese.
 +      * A concepção da coisa transcendente como uma Ideia no sentido kantiano, cuja doação adequada é um limite ideal.
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 +    * A problematização do papel da carne (//Leib//) como "aqui absoluto" e órgão de toda a percepção.
 +      * A afirmação fundamental de que as coisas são dadas "em carne", designando tanto um modo de doação quanto o destinatário dessa doação.
 +      * O paradoxo da percepção da própria carne: sendo a origem não-espacial do espaço, como pode ser percebida?
 +      * A questão de saber se a carne possui o modo de ser puramente temporal dos vividos, considerando que ela é "o meio de toda percepção, o órgão da percepção, necessariamente presente em toda percepção".
 +      * A dificuldade de constituir a própria carne como um corpo entre outros no quadro da egologia pura, o que exige o abandono do solipsismo.
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 +    * A investigação sobre a unificação das esboços pela unidade da carne e a relação entre cinestesias e aparições.
 +      * A questão de saber se a unidade das esboços depende primariamente da unidade da carne antes da síntese temporal.
 +      * A análise, presente em //A Crise...//, que reconhece o papel indispensável da carne e de seus órgãos perceptivos.
 +      * A descrição da interação essencial entre as cinestesias (movimentos subjetivos) e as aparições do objeto: "as apresentações de aspectos [...] e as cinestesias não seguem cursos paralelos, mas antes atuam todas em conjunto".
 +      * A dupla natureza da carne como princípio unificador (enquanto carne viva) e como objeto espacial desagregador (enquanto corpo).
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 +    * A descoberta da vida de consciência como essencialmente sintética e a fundamentação última na consciência imanente do tempo.
 +      * A condensação do adquirido: o objeto intencional é uma unidade idêntica de modos de consciência variáveis, e a vida da consciência é síntese.
 +      * A fenomenologia da percepção implicando uma fenomenologia da temporalidade que unifica todos os vividos em um fluxo único.
 +      * A síntese temporal como uma consciência global que serve de fundo para o relevo de cada vivido individual.
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 +    * As "dificuldades extraordinárias" levantadas pela autorreferência temporal da consciência e a regressão infinita.
 +      * A distinção entre o vivido intra-temporal e seus modos temporais de aparecimento, que são eles mesmos vividos temporais.
 +      * O paradoxo de que os vividos que constituem o tempo imanente aparecem eles mesmos nesse tempo.
 +      * A caracterização deste fato como "um lado do maravilhoso ser-para-si-mesmo do //ego//".
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 +    * A estrutura de horizonte e a dinâmica entre atualidade e potencialidade na intencionalidade.
 +      * A percepção atual implicando um horizonte de co-visadas inintuitivas e percepções potenciais futuras.
 +      * A dependência dessas potencialidades em relação à livre mobilidade da carne, cuja constituição levanta dificuldades análogas à da temporalidade.
 +      * A referência à "arque-impressão" e ao "presente incarnado" nas análises da temporalidade e da //hylé//, indicando a pré-doação da carne.
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 +    * A caracterização diferencial da análise intencional como exploração de horizontes e potencialidades, e sua circularidade metodológica.
 +      * A análise intencional não sendo uma análise real, mas o desdobramento das riquezas horizontais e potencialidades infinitas de cada atualidade.
 +      * O papel da "visão suplementar" (//Mehrmeinung//) como ponto de partida para interrogar as multiplicidades noéticas sintetizadas.
 +      * A circularidade onde a análise intencional tanto pressupõe e quanto revela a intencionalidade que está em seu princípio.
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 +    * As duas condições para aceitar esta circularidade: o objeto como guia transcendental e a unidade do mundo como regra universal.
 +      * A primeira condição: o privilégio metodológico do constituído, onde o objeto serve de guia transcendental para a exibição das estruturas noéticas.
 +      * A segunda condição: a pressuposição da unidade universal do mundo como correlato da subjetividade total e infinita.
 +      * A questão crítica sobre se a fenomenologia repousa sobre um "crédito prévio" à unidade do mundo e se este crédito é de ordem factual.
 +      * A conclusão de que Husserl apenas desdobra o sentido puro da ideia de ciência autêntica e da correlação essencial entre razão e realidade denominada verdade.
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 +//FRANCK, Didier. Chair et corps. Sur la phénoménologie de Husserl. Paris: Minuit, 1981.//
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 +{{tag>Franck}}