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estudos:franck:angustia-carne-espaco-1986

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estudos:franck:angustia-carne-espaco-1986 [24/01/2026 10:59] – created mccastroestudos:franck:angustia-carne-espaco-1986 [24/01/2026 11:01] (current) mccastro
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     * A análise se desdobra segundo duas dimensões que talvez não sejam ontologicamente conciliáveis.     * A análise se desdobra segundo duas dimensões que talvez não sejam ontologicamente conciliáveis.
       * Uma dimensão temporal-extática explicitamente tematizada, onde a proximidade recebe um sentido temporal de apresentação.       * Uma dimensão temporal-extática explicitamente tematizada, onde a proximidade recebe um sentido temporal de apresentação.
-        * A tese central do parágrafo 70 de *Ser e Temposustenta que a avaliação das distâncias se funda em um apresentar pertencente à unidade da temporalidade.+        * A tese central do parágrafo 70 de //Ser e Tempo// sustenta que a avaliação das distâncias se funda em um apresentar pertencente à unidade da temporalidade.
         * A retratação posterior desse mesmo parágrafo, no entanto, invalida essa hermenêutica da espacialidade e tudo o que ela comanda.         * A retratação posterior desse mesmo parágrafo, no entanto, invalida essa hermenêutica da espacialidade e tudo o que ela comanda.
       * Uma dimensão carnal-vivente que se esforça por ser destacada.       * Uma dimensão carnal-vivente que se esforça por ser destacada.
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         * A carne-vivente não possui nenhum dos modos de ser distinguidos pela ontologia fundamental, portanto sua proximidade não é originária da preocupação nem um modo de temporalização.         * A carne-vivente não possui nenhum dos modos de ser distinguidos pela ontologia fundamental, portanto sua proximidade não é originária da preocupação nem um modo de temporalização.
  
-  * Uma objeção poderia sustentar que é indiferente para a economia de *Ser e Tempose a mão precede ou não o ente à-mão, pois o foco é a espacialidade do utensílio.+  * Uma objeção poderia sustentar que é indiferente para a economia de //Ser e Tempo// se a mão precede ou não o ente à-mão, pois o foco é a espacialidade do utensílio.
     * Essa objeção é refutada por dois argumentos.     * Essa objeção é refutada por dois argumentos.
       * O estudo da espacialidade do ente intramundano serve de paradigma para o do espaço em geral.       * O estudo da espacialidade do ente intramundano serve de paradigma para o do espaço em geral.
Line 94: Line 94:
       * Inversamente, a multiplicidade das regiões permitiria manter a prioridade do tempo sobre um espaço sem unidade própria.       * Inversamente, a multiplicidade das regiões permitiria manter a prioridade do tempo sobre um espaço sem unidade própria.
  
-  * A interpretação da angústia como manifestação do espaço é corroborada por um texto tardio, *A Arte e o Espaço*.+  * A interpretação da angústia como manifestação do espaço é corroborada por um texto tardio, //A Arte e o Espaço//.
     * Nele, Heidegger associa a apreensão do espaço como fenômeno originário a uma espécie de temor que vai até a angústia.     * Nele, Heidegger associa a apreensão do espaço como fenômeno originário a uma espécie de temor que vai até a angústia.
     * O espaço parece não poder ser reconduzido a nada além de si mesmo, nem aparecer no horizonte do tempo.     * O espaço parece não poder ser reconduzido a nada além de si mesmo, nem aparecer no horizonte do tempo.
Line 104: Line 104:
     * Há uma coincidência existencial entre o revelante e o revelado na angústia.     * Há uma coincidência existencial entre o revelante e o revelado na angústia.
       * O diante-de-quê, o por-quê e o próprio sê-angustiado são modos do ser-no-mundo.       * O diante-de-quê, o por-quê e o próprio sê-angustiado são modos do ser-no-mundo.
-      * Essa identidade revela a angústia como um sentimento privilegiado, que individualiza o Dasein como *solus ipse*.+      * Essa identidade revela a angústia como um sentimento privilegiado, que individualiza o Dasein como //solus ipse//.
  
   * A necessidade de se questionar o sentido do ser repousa sobre a possibilidade da angústia.   * A necessidade de se questionar o sentido do ser repousa sobre a possibilidade da angústia.
Line 140: Line 140:
     * Nota-se que os termos grego e latino para enquanto são primitivamente advérbios de lugar.     * Nota-se que os termos grego e latino para enquanto são primitivamente advérbios de lugar.
     * A hipótese é que a verdade do ser apela ao lugar porque o ser não está à medida do espaço, nem de sua própria verdade.     * A hipótese é que a verdade do ser apela ao lugar porque o ser não está à medida do espaço, nem de sua própria verdade.
-    * A relagação da temporalidade a pré-nome e a interrupção de *Ser e Tempopodem estar ligadas a essa irredutibilidade espacial inscrita no enquanto.+    * A relagação da temporalidade a pré-nome e a interrupção de //Ser e Tempo// podem estar ligadas a essa irredutibilidade espacial inscrita no enquanto.
       * A seção Tempo e Ser, que trataria do enquanto na cópula, não foi publicada.       * A seção Tempo e Ser, que trataria do enquanto na cópula, não foi publicada.
       * A tese de que o enquanto se funda na temporalidade parece tolerar uma restrição que impediu a conclusão da obra.       * A tese de que o enquanto se funda na temporalidade parece tolerar uma restrição que impediu a conclusão da obra.
Line 147: Line 147:
   * Duas observações finais são acrescentadas.   * Duas observações finais são acrescentadas.
     * A autonomia do espaço em relação ao tempo pode ser a condição de possibilidade do livro como volume.     * A autonomia do espaço em relação ao tempo pode ser a condição de possibilidade do livro como volume.
-    * Para além de *Ser e Tempo*, a destemporalização do enquanto e do sentido concerne a toda hermenêutica, cuja radicalização exige a prévia colocação do problema do espaço.+    * Para além de //Ser e Tempo//, a destemporalização do enquanto e do sentido concerne a toda hermenêutica, cuja radicalização exige a prévia colocação do problema do espaço.
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