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estudos:fink:schnell-2004-fenomeno-e-construcao-fink

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-  * Eugen Fink compartilha a visão de que a fenomenalidade exige um certo fundamento ontológico do fenômeno, mas adota uma via diferente de Heidegger, mantendo-se fiel à acepção husserliana do fenômeno. +    * Eugen Fink compartilha a visão de que a fenomenalidade exige um certo fundamento ontológico do fenômeno, mas adota uma via diferente de Heidegger, mantendo-se fiel à acepção husserliana do fenômeno. 
-    * Para entender a contribuição de Fink, é preciso compreender o sentido da "construção" que ele reivindica para uma fenomenologia radical, ou seja, uma fenomenologia da origem. +      * Para entender a contribuição de Fink, é preciso compreender o sentido da "construção" que ele reivindica para uma fenomenologia radical, ou seja, uma fenomenologia da origem. 
-    * As análises de Heidegger sobre a noção de "construção" em Fichte (desenvolvidas no seu Curso do semestre de verão de 1929, ao qual Fink assistiu) exerceram uma influência considerável na conceção finkiana do método fenomenológico.+      * As análises de Heidegger sobre a noção de "construção" em Fichte (desenvolvidas no seu Curso do semestre de verão de 1929, ao qual Fink assistiu) exerceram uma influência considerável na conceção finkiana do método fenomenológico.
  
-  *  +    *  
-#### A Noção de "Construção" Segundo Heidegger e Fink+=== A Noção de "Construção" Segundo Heidegger e Fink ===
  
-##### O Caráter Fundamental da Construção (Heidegger)+== O Caráter Fundamental da Construção (Heidegger) ==
  
-  * A construção é o procedimento metodológico que permite desocultar o que está no fundamento do saber. +    * A construção é o procedimento metodológico que permite desocultar o que está no fundamento do saber. 
-    * Parte do saber como *Tat-sache(coisa de fato) para revelar a sua *Tat-handlung(ação de fato) mais originária. +      * Parte do saber como //Tat-sache// (coisa de fato) para revelar a sua //Tat-handlung// (ação de fato) mais originária. 
-    * O que está no fundamento do saber é o que o torna possível. +      * O que está no fundamento do saber é o que o torna possível. 
-    * A construção não é uma produção, mas apenas descobre o que já está sempre implicado pelo saber (aquilo que jamais não pensamos, cf. as duas *Introduções à Doutrina da Ciênciade Fichte). +      * A construção não é uma produção, mas apenas descobre o que já está sempre implicado pelo saber (aquilo que jamais não pensamos, cf. as duas //Introduções à Doutrina da Ciência// de Fichte). 
-    * Portanto, não é uma invenção fictícia ou imaginária, mas um "projeto" (*Pro-jekt*). +      * Portanto, não é uma invenção fictícia ou imaginária, mas um "projeto" (//Pro-jekt//). 
-    * Este "projeto" tem a dimensão de um projeto prévio (*Vorentwurf— um "proto-projeto") e exige que se entre nele por um salto.+      * Este "projeto" tem a dimensão de um projeto prévio (//Vorentwurf// — um "proto-projeto") e exige que se entre nele por um salto.
  
-##### Inteligibilidade Filosófica e Genese (Fink)+== Inteligibilidade Filosófica e Genese (Fink) ==
  
-  * Fink determina a noção de "gênese" ou "construção" a partir da descrição da inteligibilidade própria à filosofia. +    * Fink determina a noção de "gênese" ou "construção" a partir da descrição da inteligibilidade própria à filosofia. 
-    * A inteligibilidade da filosofia deve ser distinguida da inteligibilidade "ingênua" da ciência. +      * A inteligibilidade da filosofia deve ser distinguida da inteligibilidade "ingênua" da ciência. 
-    * O objeto da filosofia é o "não compreendido" enquanto potencialidade do "compreendido" (o que não está ainda dado ou é de difícil acesso), ao contrário da definição clássica da verdade como adequação à coisa que se dá em si mesma (inteligibilidade científica). +      * O objeto da filosofia é o "não compreendido" enquanto potencialidade do "compreendido" (o que não está ainda dado ou é de difícil acesso), ao contrário da definição clássica da verdade como adequação à coisa que se dá em si mesma (inteligibilidade científica). 
-    * A inteligibilidade filosófica é apenas compreensão do "compreendido" (no sentido de Heidegger, que identifica o *Ver-stehen— com-preender — e o *ek-sister— ex-sistir). +      * A inteligibilidade filosófica é apenas compreensão do "compreendido" (no sentido de Heidegger, que identifica o //Ver-stehen// — com-preender — e o //ek-sister// — ex-sistir). 
-    * Isso implica que os problemas filosóficos não estão "desde logo lá," mas devem ser "construídos." +      * Isso implica que os problemas filosóficos não estão "desde logo lá," mas devem ser "construídos." 
-    * Os problemas filosóficos só engendram o que está em questão no seu projeto (*pro-jet*). +      * Os problemas filosóficos só engendram o que está em questão no seu projeto (//pro-jet//). 
-    * Não se contentam com os entes presentes, mas questionam além do que constitui a resposta à questão. +      * Não se contentam com os entes presentes, mas questionam além do que constitui a resposta à questão. 
-    * Nesse sentido, a explicação intencional é uma "explicitação do sentido" (*Sinnauslegung*) que desperta latências ou potencialidades, e não uma apreensão do que está presente. +      * Nesse sentido, a explicação intencional é uma "explicitação do sentido" (//Sinnauslegung//) que desperta latências ou potencialidades, e não uma apreensão do que está presente. 
-  * Na *VIª Meditação Cartesiana*, Fink aborda a construção através das dimensões da subjetividade que não se dão imediatamente mas que só podem ser determinadas de maneira construtiva (problema da extensão temporal da subjetividade transcendental). +    * Na //VIª Meditação Cartesiana//, Fink aborda a construção através das dimensões da subjetividade que não se dão imediatamente mas que só podem ser determinadas de maneira construtiva (problema da extensão temporal da subjetividade transcendental). 
-    * Essa limitação ao problema da "o nascimento" e da "a morte" da subjetividade transcendental não esgota o conceito de "construção." +      * Essa limitação ao problema da "o nascimento" e da "a morte" da subjetividade transcendental não esgota o conceito de "construção." 
-    * A construção não se trata apenas de construir o que não pode ser dado (por estar além do domínio fenomenologicamente atestável), mas também (e talvez sobretudo) de dar conta da constituição última das objetividades na esfera imanente, ou seja: da fenomenalidade dos fenômenos. +      * A construção não se trata apenas de construir o que não pode ser dado (por estar além do domínio fenomenologicamente atestável), mas também (e talvez sobretudo) de dar conta da constituição última das objetividades na esfera imanente, ou seja: da fenomenalidade dos fenômenos. 
-    * No *Manuscrito Z-IV*, Fink relaciona a noção de "construção" com o sentido de ser do objeto construído. +      * No //Manuscrito Z-IV//, Fink relaciona a noção de "construção" com o sentido de ser do objeto construído. 
-    * A construção não significa o arbítrio de pensamentos vagos, mas está tão ligada à atestação que nesta reside o seu único direito e a possibilidade de rigor. +      * A construção não significa o arbítrio de pensamentos vagos, mas está tão ligada à atestação que nesta reside o seu único direito e a possibilidade de rigor. 
-    * Fink afirma: "Toda revelação de sentido é sempre construtiva; exige uma força da interpretação e da transgressão interna. Toda interpretação é um ‘se-lançar-mais-alto’. Por conseguinte, todo filosofar é ultrapassagem do mundo."+      * Fink afirma: "Toda revelação de sentido é sempre construtiva; exige uma força da interpretação e da transgressão interna. Toda interpretação é um ‘se-lançar-mais-alto’. Por conseguinte, todo filosofar é ultrapassagem do mundo."
  
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-#### A Construção Implícita em Husserl e a Consciência do Tempo+=== A Construção Implícita em Husserl e a Consciência do Tempo ===
  
-  * Nas elaborações tardias de Husserl e nas do jovem Fink, encontra-se uma noção de "construção" do saber aparentada à "construção" fichtiana — mas unicamente no plano do que Fichte chama o "fenômeno" (*Erscheinung*). +    * Nas elaborações tardias de Husserl e nas do jovem Fink, encontra-se uma noção de "construção" do saber aparentada à "construção" fichtiana — mas unicamente no plano do que Fichte chama o "fenômeno" (//Erscheinung//). 
-    * Essas elaborações dizem respeito ao fenômeno (no sentido da fenomenologia husserliana) que não é um puro aparecente, mas que exprime as operações funcionais da subjetividade transcendental (do Eu absoluto). +      * Essas elaborações dizem respeito ao fenômeno (no sentido da fenomenologia husserliana) que não é um puro aparecente, mas que exprime as operações funcionais da subjetividade transcendental (do Eu absoluto). 
-    * Essas operações não são "atos," mas se efetuam segundo leis de construção (leis da pré-compreensão, da horizontalidade, da potencialidade, etc.) que uma reflexão sobre o estatuto dos fenômenos constitutivos da esfera imanente deve identificar como tal. +      * Essas operações não são "atos," mas se efetuam segundo leis de construção (leis da pré-compreensão, da horizontalidade, da potencialidade, etc.) que uma reflexão sobre o estatuto dos fenômenos constitutivos da esfera imanente deve identificar como tal. 
-    * Essas descrições estão desenvolvidas nos célebres "Manuscritos de Bernau" (1917/1918), que trazem uma nova luz sobre a estrutura da intencionalidade e tratam da constituição do tempo e da individuação. +      * Essas descrições estão desenvolvidas nos célebres "Manuscritos de Bernau" (1917/1918), que trazem uma nova luz sobre a estrutura da intencionalidade e tratam da constituição do tempo e da individuação. 
-  * A noção de "construção" está implicitamente em ação em Husserl desde os anos 1909-1911, quando ele se interroga sobre os "fenômenos ultimamente constitutivos" da consciência do tempo e o estatuto da "subjetividade absoluta." +    * A noção de "construção" está implicitamente em ação em Husserl desde os anos 1909-1911, quando ele se interroga sobre os "fenômenos ultimamente constitutivos" da consciência do tempo e o estatuto da "subjetividade absoluta." 
-    * Busca-se dar conta de dois aspectos fundamentais: +      * Busca-se dar conta de dois aspectos fundamentais: 
-        * 1. A constituição da temporalidade noética e noemática (modos de escoamento, depois núcleos). +          * 1. A constituição da temporalidade noética e noemática (modos de escoamento, depois núcleos). 
-        * 2. A autoaparição do fluxo ultimamente constitutivo e da temporalidade dos "tempo-objetos" imanentes e do próprio fluxo. +          * 2. A autoaparição do fluxo ultimamente constitutivo e da temporalidade dos "tempo-objetos" imanentes e do próprio fluxo. 
-  * Uma fenomenologia radical do tempo não pode permanecer no nível imanente dos atos e das componentes de atos, pois deve dar conta da constituição e da temporalidade dos objetos imanentes e dos atos constitutivos. +    * Uma fenomenologia radical do tempo não pode permanecer no nível imanente dos atos e das componentes de atos, pois deve dar conta da constituição e da temporalidade dos objetos imanentes e dos atos constitutivos. 
-    * A descida a uma esfera pré-imanente — na qual intervém a "construção fenomenológica" — responde a uma exigência fenomenológica. +      * A descida a uma esfera pré-imanente — na qual intervém a "construção fenomenológica" — responde a uma exigência fenomenológica. 
-    * Essa descida testemunha a co-originaridade do aparecer e da aparição do processo no fundamento de toda eclosão do tempo, atestada em vividos que não têm o mesmo estatuto que os vividos imanentes (o mesmo se aplica à constituição da intersubjetividade). +      * Essa descida testemunha a co-originaridade do aparecer e da aparição do processo no fundamento de toda eclosão do tempo, atestada em vividos que não têm o mesmo estatuto que os vividos imanentes (o mesmo se aplica à constituição da intersubjetividade). 
-  * Essa descida fenomenológica dá lugar à "descrição" do processo originário, que na realidade reveste uma construção no sentido estabelecido a partir de Fink e Fichte. +    * Essa descida fenomenológica dá lugar à "descrição" do processo originário, que na realidade reveste uma construção no sentido estabelecido a partir de Fink e Fichte. 
-    * Esta "construção" se impõe pela própria restrição dos fenômenos, e o seu teor eidético pode ser revelado pelos meios da fenomenologia ao aprofundar o problema da constituição da consciência do tempo como quadro formal de toda experiência. +      * Esta "construção" se impõe pela própria restrição dos fenômenos, e o seu teor eidético pode ser revelado pelos meios da fenomenologia ao aprofundar o problema da constituição da consciência do tempo como quadro formal de toda experiência. 
-  * O vínculo constitutivo em Husserl está entre a fenomenalidade e uma "construção" fenomenológica que reivindica a descida aquém da esfera imanente das objetividades constituídas.+    * O vínculo constitutivo em Husserl está entre a fenomenalidade e uma "construção" fenomenológica que reivindica a descida aquém da esfera imanente das objetividades constituídas.
  
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