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| + | ====== Introdução a Heidegger ====== | ||
| + | //FIGAL, G. Introdução à Martin Heidegger. Tradução: Tr Marco Antonio Casanova. Rio de Janeiro: Via Verita Editora, 2016.// | ||
| + | * **1. Introdução** | ||
| + | * **2. Filosofia e História** | ||
| + | * Começo com Hegel e Kierkegaard | ||
| + | * Questionamento de volta a Aristóteles | ||
| + | * **3. Ontologia fundamental: | ||
| + | * Desconstrução de Aristóteles | ||
| + | * Análise fundamental do Ser-aí | ||
| + | * Ser-aí em um mundo | ||
| + | * Tempo: Temporalidade e temporialidade (Temporalität) | ||
| + | * **4. O retorno da História filosófica** | ||
| + | * Formação de mundo para além do Ser | ||
| + | * Política: advento e nenhum começo | ||
| + | * **5. O começo indisponível** | ||
| + | * O Hölderlin de Heidegger: os Deuses, o Deus e o tempo indigente | ||
| + | * Mobilização total e niilismo: O perigo e o que salva | ||
| + | * **6. Conclusão** | ||
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| + | ---- | ||
| + | **Introdução** | ||
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| + | * A obra de Martin Heidegger suscita tanto admiração quanto exasperação crítica, sendo seu pensamento considerado ao mesmo tempo o mais profundo da Modernidade e mero maneirismo linguístico vazio, o que impõe o desafio de avaliar sua adesão ao nacional-socialismo e a extensão do comprometimento ideológico revelado pelos " | ||
| + | * a admiração e a exasperação da crítica diante da obra de Heidegger | ||
| + | * a suspeita de que o pensamento profundo seria apenas evocação de palavras vazias | ||
| + | * o desafio representado pela filiação declarada ao nacional-socialismo | ||
| + | * a questão sobre se o pensamento posterior a 1930 deve ser considerado ideológico como um todo ou se é separável das reflexões políticas | ||
| + | * a publicação dos " | ||
| + | * a ausência, mesmo no pós-guerra, | ||
| + | * a diferença entre os textos filosóficos dos anos 1930-40, livres de externações ideológicas, | ||
| + | * a necessidade de diferenciar a filosofia de Heidegger da ideologia que o dominou, sem projetar a cunhagem ideológica dos anos 1930-40 sobre os anos 1920 | ||
| + | * Ser e Tempo (Sein und Zeit) como obra central, fruto do período filosoficamente mais produtivo dos anos 1920 | ||
| + | * a implausibilidade de supor que uma série de filósofos dos séculos XX e XXI teria sido influenciada, | ||
| + | * A filosofia moderna (moderne Philosophie) teria configuração distinta sem a influência de Heidegger, que se estende sobre o existencialismo de Jean-Paul Sartre, a ética da alteridade de Emmanuel Levinas, a hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer, o pensamento de Michel Foucault, a desconstrução de Jacques Derrida, e também sobre filósofos analíticos como Stanley Cavell e Richard Rorty, de modo que a Filosofia europeia do século XX não pode ser compreendida sem ele | ||
| + | * A influência de Heidegger se estende ainda à sua inauguração de uma nova perspectiva sobre a História da Filosofia, permitindo novas leituras de Platão e Aristóteles, | ||
| + | * A interpretação intensiva da tradição filosófica levou Heidegger a colocar sempre a questão sobre o que é a Filosofia, reconhecendo o caráter histórico da Filosofia mas afirmando que ela é mais do que sua própria história, na medida em que supõe uma questão objetivo-material — a questão do ser ([[lx> | ||
| + | * A dificuldade inicial em compreender o que Heidegger quer dizer com a questão do ser (Seinsfrage) leva ao rechaço de suas formulações enigmáticas como mera magia linguística (Wortzauber) ou evocação vazia, de modo que um acesso mais fácil ao seu filosofar é encontrado ao esquecer a questão do ser e observar como ele desenvolve o pensamento e descreve o estado-de-coisas ao qual o amarra | ||
| + | * A obra de Heidegger não apresenta desenvolvimento progressivo de um programa desde cedo projetado, configurando-se antes como um torso gigantesco que se recoloca, muda conceitos e modifica significados, | ||
| + | * A compreensão do filosofar de Heidegger exige deixar-se envolver pelo caráter experimental de sua obra, encontrando acesso a esse caráter sobretudo nas rupturas e fraturas onde se revela o objetivo de suas questões e a disposição para reformulá-las quando uma resposta se mostra insatisfatória | ||
| + | * A compreensão da filosofia de Heidegger não pode se limitar a Heidegger mesmo, pois seus pensamentos decisivos surgem da discussão com outros filósofos e de interpretações de textos, configurando um método próprio de leitura no qual o texto é examinado como que com uma lupa em busca de sentidos escondidos, o que torna indispensável tratar de Hegel, Husserl e Dilthey, de Aristóteles e Platão, de Hölderlin e Nietzsche, de Ernst Jünger, sendo Aristóteles e Platão os mais importantes para a compreensão adequada de seu pensamento | ||
| + | * Uma introdução a Heidegger precisa ir além da explicitação de seus textos, constituindo necessariamente uma redução perspectivista guiada por decisões prévias que deixam de lado aspectos valiosos sob outros enfoques, como o debate com Edmund Husserl, a interpretação de Kant, a discussão intensiva com Nietzsche, os trabalhos sobre Parmênides e Heráclito e os escritos tardios sobre a linguagem, restrições que facilitam a busca pela gênese dos pensamentos fundamentais sem tornar a exposição da filosofia demasiadamente simplificada | ||
