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-===== FIGAL (2007:67-69) – APROPRIAÇÃO E TRANSPOSIÇÃO =====+===== APROPRIAÇÃO E TRANSPOSIÇÃO (2007:67-69) =====
 De início, voltemos uma vez mais à apropriação: o lápis que se encontra sobre aquela mesa e que alguém segura para anotar um pensamento é apropriado — não no sentido de tomarmos posse dele, mas no sentido de que o usamos para fazer algo. Ele é reconhecido de uma maneira determinada: como algo para escrever. Este “algo como algo” — Heidegger o denomina em sua análise do utensílio o “como hermenêutico” — indica uma compreensão que, em verdade, é uma mediação, mas não uma transposição. Em verdade, o lápis é conhecido a partir do escrever, o escrever se realiza por meio do lápis. Não foi preciso, porém, nenhum desempenho particular para o reconhecimento do lápis como um utensílio para a escrita. A lida com instrumentos de escrita também é sempre constitutiva da capacidade da escrita, que adquirimos e exercitamos. Portanto, estávamos bem preparados para reconhecer imediatamente a coisa sobre a mesa como um utensílio para a escrita. Com certeza, o reconhecimento pode não ser sempre tão fácil; para reconhecer que aquela coisa dotada de uma forma estranha é um instrumento de escrita seria necessária uma segunda olhada. Ou, então, não encontramos nenhum instrumento adequado; neste caso, ao invés de usarmos um martelo, pregamos o prego na parede com uma pedra. De início, voltemos uma vez mais à apropriação: o lápis que se encontra sobre aquela mesa e que alguém segura para anotar um pensamento é apropriado — não no sentido de tomarmos posse dele, mas no sentido de que o usamos para fazer algo. Ele é reconhecido de uma maneira determinada: como algo para escrever. Este “algo como algo” — Heidegger o denomina em sua análise do utensílio o “como hermenêutico” — indica uma compreensão que, em verdade, é uma mediação, mas não uma transposição. Em verdade, o lápis é conhecido a partir do escrever, o escrever se realiza por meio do lápis. Não foi preciso, porém, nenhum desempenho particular para o reconhecimento do lápis como um utensílio para a escrita. A lida com instrumentos de escrita também é sempre constitutiva da capacidade da escrita, que adquirimos e exercitamos. Portanto, estávamos bem preparados para reconhecer imediatamente a coisa sobre a mesa como um utensílio para a escrita. Com certeza, o reconhecimento pode não ser sempre tão fácil; para reconhecer que aquela coisa dotada de uma forma estranha é um instrumento de escrita seria necessária uma segunda olhada. Ou, então, não encontramos nenhum instrumento adequado; neste caso, ao invés de usarmos um martelo, pregamos o prego na parede com uma pedra.
  
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