estudos:ferreira-da-silva:ser-in-fuso-2010
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:ferreira-da-silva:ser-in-fuso-2010 [22/07/2026 20:07] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:ferreira-da-silva:ser-in-fuso-2010 [10/09/2026 04:00] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== " | ||
| + | (2010: | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | ==== TRANSCENDÊNCIA DO MUNDO ==== | ||
| + | |||
| + | === Diálogo, São Paulo, n. 3, mar. 1956, p. 29-34 === | ||
| + | |||
| + | //[FERREIRA DA SILVA, Vicente. Transcendência do Mundo. São Paulo: É Realizações, | ||
| + | |||
| + | Por vezes o pensamento se aconchegou ao conceito de que muito acima do particularismo ciumento e excludente das coisas finitas se elevaria o princípio imparcial e majestático do Ser. O Ser seria a justiça por sobre a injustiça cavilosa e mal-querente dos entes individuais. O Ser seria efusão e não infusão. Uma vontade que se quisesse unicamente a si mesma, uma paixão de si, não seria qualidade atribuível ao fundo secreto das coisas. Não poderíamos, | ||
| + | |||
| + | Podemos relacionar essas ideias da Lógica com uma passagem da Fenomenologia onde Hegel estuda a construção do mundo físico. O projeto instituidor de um universo de forças naturais não significa uma relação da consciência com o mundo já pronto e do qual ela seria uma simples cópia. O conhecimento é criador e põe unicamente fora de si o seu próprio esboço do mundo, exteriorizando-o num cosmo: “No processo de explicação da consciência encontramo-la justamente numa enorme satisfação de si mesma, porque a consciência, | ||
| + | |||
| + | Um exemplo marcante de uma Unidade interna e refletida em si mesma é a ideia de Mundo, elaborada por Heidegger. Nessa linha de pensamento, o conceito de humano não denota um conjunto numerável ou inumerável de coisas ou entes, ou um espaço finito ou infinito onde essas coisas possam existir. O mundo é para Heidegger aquele horizonte projetivo, aquela “abertura” (Offenheit), | ||
| + | |||
| + | A interioridade do mundo existe na modalidade do Ser-para-si e mantém, portanto, segundo as palavras de Hegel, “uma atitude polêmica e negadora contra qualquer alteridade limitante”. O outro só se pode manifestar nesse Ser-refletido-em-si-mesmo como outro-superado, | ||
| + | |||
| + | A Fascinação instituidora do mundo se expressa no poder próprio da mitologia. O Ser-para-si dá luz própria ao mito, é um fenômeno que se manifesta sempre como escolha do mundo, como abertura de uma esfera de possibilidades historiáveis. [124] Aquilo de que não nos damos conta é que nós, homens, na singularidade de nossas características e de nossos poderes, também representamos algo de subordinado a uma interioridade mítica, ou ainda, pertencemos também à progenitura de uma geração divina. A nossa maneira de ver as coisas, a imagem que possuímos das coisas e de nós mesmos é condicionada em tudo e por tudo pela figura específica do universo ao qual pertencemos. O “fora” que examinamos é, no fundo, um “dentro”; | ||
| + | |||
| + | {{tag>" | ||
