estudos:ferreira-da-silva:concepcao-fitomorfica-do-mundo-2010
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| + | ====== Concepção fitomórfica do mundo ====== | ||
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| + | ==== TRANSCENDÊNCIA DO MUNDO ==== | ||
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| + | === A Experiência do Divino nos Povos Aurorais === | ||
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| + | //[FERREIRA DA SILVA, Vicente. Transcendência do Mundo. São Paulo: É Realizações, | ||
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| + | “A Experiência do Divino nos Povos Aurorais”, | ||
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| + | Chamamos povos aurorais ou originários àqueles que viveram e ainda vivem o mito como a única e absoluta forma de realidade. Nessa fase da História não se recortou ainda uma Natureza, como sistema legal de fatos físicos, diante de uma esfera sobrenatural e imaterial, refúgio dos valores sagrados. Para essa espécie de consciência não existe uma dualidade entre o humano e o divino, abrangendo as forças numinosas todo o âmbito das manifestações fenomênicas. Não existindo ainda, portanto, uma experiência da natureza que, como um anteparo, possa proteger ou resguardar a consciência da gravitação candente da experiência religiosa, todas as manifestações da vida transmitem a exuberância da lei mítica. A presença obsecante do divino transforma toda ação ou modo de ser em rito e teofania e, em geral, todo comportamento, | ||
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| + | Não é a essa fase do dionisismo superador que nos referimos, quando falamos na concepção fitomórfica dos povos aurorais. A inconsciência da religião dos frutos e das flores expressa, pelo contrário, o ser-para-si do vegetal e o alcance infinito do seu tipo de realidade. Estamos tratando, portanto, de uma fase pré-dionisíaca do processo teogônico, na qual a planta não foi ainda rebatida para um plano subalterno, erguendo-se porém como a floresta do mundo, em sua presença subjugante. O universo sem rosto da floresta primordial, na expressão de D. H. Lawrence, é a revelação do divino como alegria da geração e da existência silenciosa. O mundo das flores e dos frutos é uma forma do real que não retorna em si mesma, mas que se oferece continuamente, | ||
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