estudos:fedier:espaco-tempo
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| + | ====== ESPAÇO-E-TEMPO ====== | ||
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| + | LDMH | ||
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| + | * Expressão // | ||
| + | * Com // | ||
| + | * Na terminologia de Leibniz, as duas ordens distintas da continuidade (tempo) e da descontinuidade (espaço). | ||
| + | * Pergunta: Heidegger unifica o que a metafísica separou? Não se deve apressar a conclusão. | ||
| + | * Primeiro: onde a metafísica define de maneira particularmente fina o espaço e o tempo? | ||
| + | * Em //Ser e Tempo//, §7 A, sinaliza-se que as //formas da intuição// | ||
| + | * Definição do // | ||
| + | * Esta descoberta heideggeriana permite pressentir por que a denominação kantiana de espaço e tempo (//formas a priori da intuição// | ||
| + | * Um questionamento inédito e desconcertante se abre. | ||
| + | * Jean Beaufret explica, em entrevista: Heidegger costuma dizer que a diferença entre ser e ente já está feita em toda parte onde há filosofia, mas em nenhum lugar é pensada como tal. | ||
| + | * Sob esta perspectiva, | ||
| + | * Para seguir o caminho aberto por Heidegger, é necessário deliberadamente abandonar as referências tradicionais, | ||
| + | * Comentário de Heidegger na // | ||
| + | * //O //ser//, em //Ser e Tempo//, não é outra coisa senão //tempo//, uma vez visto que o //tempo// aí é nomeado a título de // | ||
| + | * // | ||
| + | * Em 1927, o que ainda não tem nome é designado pela locução //sentido do ser//. | ||
| + | * Heidegger sabe que este //sentido// foi inicialmente experimentado pelos primeiros pensadores gregos como a vinda em presença (// | ||
| + | * Constatação crucial de Heidegger: a experiência inicial do ser nos gregos não é acompanhada por um questionamento explícito sobre a diferença entre o que entra em presença e a entrada em presença mesma. | ||
| + | * Esta ausência de questionamento, | ||
| + | * Coloca o pensamento na obrigação de finalmente cuidar de colocar escrupulosamente a questão: //que é a metafísica?// | ||
| + | * Primeira consequência desta mudança de orientação: | ||
| + | * //Vulgar// não tem nuance pejorativa; indica que o conceito filosófico de tempo (divulgado primeiramente em Aristóteles) governa desde a Antiguidade toda reflexão sobre o tempo, inclusive o que o senso comum entende. | ||
| + | * A força quase irresistível com que o pensamento filosófico modela o pensamento comum. | ||
| + | * Definição do //tempo propriamente dito// por Jean Beaufret: | ||
| + | * //O fenômeno do tempo não é a sucessão de momentos, mas, diz Heidegger, //die Gleichursprünglichkeit der Ek-stasen//, | ||
| + | * Contemporaneidade de um passado, de um presente e de um futuro. | ||
| + | * Dificuldade: | ||
| + | * É necessário primeiro ouvir corretamente o que são em verdade os //momentos do tempo//. | ||
| + | * Passagem decisiva da conferência //Tempo e Ser// (1962): | ||
| + | * Se caracterizamos o tempo a partir da presença (// | ||
| + | * Porém, a palavra // | ||
| + | * Não estamos habituados a determinar o próprio do tempo partindo do olhar dirigido à // | ||
| + | * Comentário necessário: | ||
| + | * Nuance inicial: // | ||
| + | * // | ||
| + | * Como avançar //a contrapelo// | ||
| + | * Pergunta de Heidegger em //Ser e Tempo//: //Por que dizemos de maneira tão enfática: o tempo se vai, e nunca dizemos que ele vem?// | ||
| + | * Avançar a contrapelo não é simplesmente dizer o contrário; o tempo não //vem//, mas também não simplesmente //se vai//. | ||
| + | * Declive redutível a ser detectado na frase: //Ora, a palavra // | ||
| + | * Invertendo a ordem: //A presença (Anwesenheit) se diz Gegenwart.// | ||
| + | * Na significação habitual, toda presença se experimenta num face-a-face. | ||
| + | * O que Heidegger pede é atenção a algo estranho à experiência comum, onde a escuta das duas palavras sofre uma transformação considerável. | ||
| + | * Como ouvir // | ||
| + | * Em português, // | ||
| + | * Em alemão, basta ouvir o elemento //-wart// de // | ||
| + | * A palavra designaria então não o momento em que se está virado para o que está diante, mas o //tempo mesmo em espera de ser encontrado//, | ||
| + | * Heidegger escreve por volta de 1957-58: //die Gegen-Wart, die uns entgegenwartet und sonst die Zukunft heißt// – //aquilo que está em espera, em espera de que o encontremos, | ||
| + | * Ouvir // | ||
| + | * Há uma outra compreensão do presente, que Heidegger prefere chamar // | ||
| + | * A palavra // | ||
| + | * O prefixo //an-// indica movimento de aproximação até tocar. | ||
| + | * A desinência //-heit// traz à linguagem, fazendo brilhar, o que em //Anwesen// permanecia opaco. | ||
| + | * Diferença entre // | ||
| + | * Em ambos há um movimento de vinda, mas em // | ||
| + | * // | ||
| + | * É uma //presença comum//, no sentido de // | ||
| + | * O //passado verdadeiro// | ||
| + | * Em alemão, a denominação habitual é //die Vergangenheit// | ||
| + | * Para o passado verdadeiro, Heidegger privilegia //die Gewesenheit// | ||
| + | * Reconhece-se // | ||
| + | //gewesen// é formado do radical verbal //wesen// e do prefixo //ge-//. | ||
| + | * O prefixo //ge-// em alemão tem um papel notável: resume, recapitula, reúne o que o radical diz, trazendo-o à sua acepção mais verdadeira, recolhida. | ||
| + | * Todos os verbos formam seu particípio passado com este prefixo; o passado se marca assim por um índice de recolhimento. | ||
| + | * Em português, tentativa de tradução do sentido de // | ||
| + | * É o rosto do passado verdadeiro. | ||
| + | * Em português, o passado é frequentemente indicado pelo sufixo ou auxiliar //ter// (ex: //falei//, //tenho falado//). | ||
| + | * Se não tomarmos //ter// apenas como auxiliar funcional, podemos ouvir nossa língua dizer algo análogo ao alemão: //Falei// não diz primeiro //não falo mais//; diz: //foi-me dado recolher o que é falar; desde então, posso ter a medida da palavra.// | ||
| + | * Este //ter// é uma presença, mas de forma bem diversa da presença das coisas ambientais. | ||
| + | * Diferença crucial entre esta presença recolhida e a presença vulgar é o que permite estar diante da verdadeira presença. | ||
| + | * Nela, tanto o passado verdadeiro quanto o futuro verdadeiro vêm à presença sob a forma do verdadeiro presente. | ||
| + | * // | ||
| + | * Só há futuro recolhido e ligado ao que foi. | ||
| + | * Só há passado posto em relação com o que nos espera. | ||
| + | * A contemporaneidade toma figura num presente que não é o simples momento atual, mas o tempo mesmo em seu // | ||
| + | * // | ||
| + | * Nossa maneira de ser // | ||
| + | * Assim podemos estar diante da presença, entrando nós mesmos em presença não numa sucessão de momentos, mas num presente que contribuímos para configurar. | ||
| + | * Nossa parte consiste em dar ao tempo sua plena contemporaneidade. | ||
| + | * O tempo atinge sua plena contemporaneidade quando se recolhe. | ||
| + | * Nossa parte nesta configuração é simplesmente ser o que somos, vindo a tempo (e não a contratempo) à presença. | ||
| + | * Então tem lugar o recolhimento do //logos//. | ||
| + | * Antes do //tempo//, diante do //espaço// (ou vice-versa), | ||
| + | * Algo que advém de lá onde, só, o Nada se dá (e não se dá). | ||
| + | * Algo a que o ser humano dá acolhida recolhendo-o. | ||
| + | * Este algo pode chamar-se // | ||
| + | * A maneira como esta unidade e diferença se dão, e especialmente como são acolhidas, aparece com ampla variedade no corpo de cada palavra humana. | ||
| + | * Em alemão, a palavra //Zeit// (tempo) é a mais falante. | ||
| + | * Em português e nas línguas latinas, a palavra //espaço// é a mais significativa. | ||
| + | * O //espaço// é o //espaço livre//, desde logo desimpedido – o espaço que o ser humano habita, não para nele se instalar, mas para abri-lo à medida do mundo. | ||
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