estudos:fedier:cezanne
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| + | ====== CÉZANNE, PAUL (1839-1906) ====== | ||
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| + | * Questionmaneto sobre a descoberta de Cézanne por Heidegger após uma primeira orientação na pintura através de Van Gogh. | ||
| + | * Dada a estatura de ambos, a questão inversa se impõe: como Heidegger poderia ter deixado de ver Cézanne? | ||
| + | * Discernir o sentido do trabalho de Cézanne para a pintura europeia é tão difícil quanto discernir o que Heidegger tentou com o pensamento filosófico. | ||
| + | * Impacto da obra de Cézanne sobre outros artistas atesta sua profundidade transformadora. | ||
| + | * Exemplo de Henri Matisse: em 1936, doa //Três Banhistas// de Cézanne ao Petit-Palais, | ||
| + | * Matisse declara que a tela o sustentou moralmente em momentos críticos de sua aventura artística, fornecendo-lhe fé e perseverança. | ||
| + | * Encontra no estudo contínuo da obra de Cézanne a coragem para continuar a trabalhar. | ||
| + | * Exclamação emblemática: | ||
| + | * Cézanne, em carta a Émile Bernard (28 outubro 1905), afirma: //Devo-vos a verdade em pintura e eu vo-la direi.// | ||
| + | * Expressão //a verdade em pintura// nomeia sobriamente o que busca todo pintor verdadeiro. | ||
| + | * Ressonância entre os projetos de Cézanne e Heidegger: busca da verdade em seus respectivos domínios. | ||
| + | * Heidegger poderia ter formulado uma afirmação análoga: //Devo-vos pensar a verdade, e o farei.// | ||
| + | * Distinção dos ofícios (pintor/ | ||
| + | * Encontro efetivo de Heidegger com a obra de Cézanne e sua integração em seu próprio caminho. | ||
| + | * Primeira conferência pública em Aix-en-Provence (//Hegel e os Gregos//): Heidegger refere-se explicitamente ao //caminho de Cézanne//. | ||
| + | * Declara: //Encontrei aqui o caminho de Cézanne, ao qual, de um extremo ao outro, meu próprio caminho de pensamento de algum modo se acorda.// | ||
| + | * Segundo relato de Heinrich Wiegand Petzet em //Auf einen Stern zugehen//, primeiro encontro sobre Cézanne ocorreu em novembro de 1947 em Friburgo. | ||
| + | * Na ocasião, Heidegger já possuía profundo conhecimento das //Cartas sobre Cézanne// de Rilke. | ||
| + | * Leu para os interlocutores a carta de 18 de outubro de 1907, insistindo no trecho onde Rilke fala não da pintura, mas da //mudança (Wendung)// que ocorre no seio dessa pintura. | ||
| + | * Análise da //Wendung// (viragem, mudança de direção) tal como vista por Rilke na obra de Cézanne. | ||
| + | * Rilke descreve: //...este trabalho que não mostrava o menor parti-pris, a menor inclinação, | ||
| + | * Trabalho reduz //algo de ente à sua densidade em cor//, com tal probidade que essa coisa //inicia uma nova existência num além da cor//, sem guardar memória de uma existência anterior. | ||
| + | * Rilke identifica esta mudança com o que ele próprio atingira ou aproximara em seu trabalho poético. | ||
| + | * Comentário de Rilke: //Ele também é um pobre.// Heidegger, em seu caminho, também se vê diante da tarefa de pensar a pobreza. | ||
| + | * Aprofundamento do contato de Heidegger com a obra de Cézanne através de círculos intelectuais e coleções. | ||
| + | * Por intermédio de H.W. Petzet, Heidegger estabelece relações com o círculo basiliense em torno do pastor Paul Hassler. | ||
| + | * Conhece Ernst Beyeler, cuja galeria e coleções possuem numerosas obras de Cézanne. | ||
| + | * Visitas regulares a Basel ao longo dos anos para estudar telas, aquarelas e desenhos na Galeria Beyeler e no Museu da Cidade. | ||
| + | * Intuição heideggeriana aprofundada: | ||
| + | * Paralelo entre a consciência do fracasso ou da incompletude em Cézanne e em Heidegger. | ||
| + | * Cézanne declara a Émile Bernard: // | ||
| + | * Afirmação de quem fez a experiência amarga do fracasso, do não-conseguir // | ||
| + | * Lamento melancólico: | ||
| + | * Heidegger, ao final da entrevista com Richard Wisser, evoca a injunção de Heinrich von Kleist: | ||
| + | * // | ||
| + | * Diferença de tom: // | ||
| + | * Ambos confrontam os limites de realização em seus campos. | ||
| + | * Heidegger radicaliza a compreensão do fracasso ou da não-realização, | ||
| + | * Impossibilidade de pensar não é atribuída apenas a uma falha individual (como a idade ou experiência insuficiente, | ||
| + | * Possui razões mais profundas, ligadas à finitude e ao //destino (Geschick)// | ||
| + | * Lema da Edição Integral: //Wege nicht Werke// (Caminhos, não obras). | ||
| + | * Nenhum texto é um acabamento verdadeiro; todos são momentos de um caminho. | ||
| + | * Esta não-realização é parte da assinatura de uma existência finita e da época histórica. | ||
| + | * Observação de Balzac em // | ||
| + | * Nota-se um esvaziamento do conceito de //obra//, que outrora abrangia também os trabalhos do artesanato. | ||
| + | * Inversão da relação entre //obra (Werk)// e //trabalho (Arbeit)// ou //produto (Erzeugnis)// | ||
| + | * Heidegger entende //obra// exclusivamente como //obra de arte// ou // | ||
| + | * O // | ||
| + | * No mundo clássico, o modo de ser do trabalho estava ligado a um estilo de presença no mundo. | ||
| + | * Na modernidade, | ||
| + | * Pensar esta situação histórica, especialmente com o despertar do cuidado pela obra de arte como obra, implica pensar nossa relação com o mundo. | ||
| + | * Obstáculo maior diagnosticado por Heidegger: //Nós ainda não pensamos.// | ||
| + | * Todo o trabalho de Heidegger pode ser resumido como: // | ||
| + | * O pensamento preparatório ao qual se dedica o filósofo // | ||
| + | * Essas figuras podem ser antecipadas, | ||
| + | * Limites e alcance do pensamento preparatório de Heidegger. | ||
| + | * Este modo de pensar, por si só, não é capaz de fazer advir um novo mundo. | ||
| + | * No entanto, é disso que se trata: //trabalhar para o aparecimento de um outro mundo.// | ||
| + | * Na situação atual, em um // | ||
| + | * Definição da maravilha da obra de arte e especificidade da obra de Cézanne. | ||
| + | * A maravilha de uma obra talvez seja estar inteiramente destacada de seu autor, a ponto de ele não saber que é uma obra. | ||
| + | * Rilke viu a //obra através das obras// de Cézanne: a //Wendung// que permite às coisas ao nosso redor passar a uma nova existência. | ||
| + | * Testemunho de Émile Bernard sobre Cézanne: //A ideia de beleza não estava nele, ele só tinha a da verdade.// | ||
| + | * Ponto de convergência final com a reflexão heideggeriana sobre a arte. | ||
| + | * Em //A Origem da Obra de Arte// (1935), Heidegger anotou: //Na obra, é a verdade que está em obra.// | ||
| + | * Conclusão: conhecendo minimamente quem foram Cézanne e Heidegger, começa-se talvez a ouvir de que modo o que eles dizem //se responde// mutuamente. | ||
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