estudos:ernildo-stein:mv:lebenswelt-e-ser-no-mundo-30-33
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| + | A redução transcendental coloca entre parênteses a realidade em sua existência exterior reproduzindo-a nos polos (vividos) da consciência, | ||
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| + | Então, a palavra Lebenswelt ligava-se de alguma maneira com a questão da existência. Como a questão da existência, | ||
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| + | A questão tornou-se mais tensa quando Husserl enfrentou o mundo histórico. Até que ponto é possível conhecer por meio dos diversos processos reducionistas o mundo histórico? Como o mundo histórico deve ser cortado dos elementos da experiência imediata da existência, | ||
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| + | Foi na sua ocupação com o mundo da vida que Husserl encontrou-se com um dos seus discípulos, | ||
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| + | Não podemos estranhar muito, portanto, que a ideia de cotidianeidade que Husserl criou fosse usada depois por Heidegger. Foi nesse momento, em que Husserl escutava a objeção de Heidegger (de que a redução transcendental excluía o sujeito concreto, existente, que sustentava o eu transcendental), | ||
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| + | Aquilo que Husserl excluía da tematização da redução transcendental não deveria ser atingido por um outro processo, mas, ao contrário, a palavra Lebenswelt colocaria em dúvida a redução transcendental. Então Husserl, que havia desenvolvido a sua Filosofia por meio de um método rigoroso, no meio de seus devaneios ou de um ato falho, criou a palavra que tornava problemático o seu próprio método. Poderíamos dizer que, deixando de lado a palavra Lebenswelt, continuar-se-ia a praticar a redução transcendental sem problemas. | ||
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| + | Na verdade Husserl, depois disso, nunca mais recuperou a paz. O termo Lebenswelt produz a crise da razão na fenomenologia de Husserl como ele a concebera, reconstruindo a realidade exterior pela redução. | ||
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| + | Husserl inventara Lebenswelt para designar o campo que ele precisava para dar unidade às experiências, | ||
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| + | Por que Heidegger fez isso? Em parte por preconceito, | ||
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| + | [32] Tanto assim que hoje podemos ler textos de Heidegger, do período de 1921-1922, em que ele escreve o seguinte: “Não vida, mas Dasein”. Não vida, mas ser-aí. A resistência à expressão Lebenswelt por parte de Heidegger, certamente, surgiu da Leben, que era objeto de muitos preconceitos nos anos 20 entre os fenomenólogos. | ||
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| + | Quanto a Husserl estava posto o germe da desconfiança de que a construção de sua teoria não dava conta de uma questão central. Essa suspeita foi cada vez mais reforçada, até que surgiu Ser e tempo. A obra em que Heidegger realizava um processo novo, em que se introduzia um método novo. Esta obra passou a ser um espelho no qual Husserl via o problema do seu trabalho não resolvido, o qual ele havia remetido ao conceito de mundo da vida. | ||
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| + | Fundamentalmente, | ||
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| + | Husserl, com a palavra Lebenswelt, queria procurar um lugar onde houvesse uma evidência não produzida pela redução transcendental: | ||
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| + | Essa opção de Husserl em definir esse campo revelou-se como o seu grande achado, mas que ao mesmo tempo o pôs em crise. Achado que foi reforçado por Heidegger contra o método husserliano e que levou Husserl a desenvolver uma série de elementos novos que vão aparecer na sua obra A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental. [33] Neste livro Husserl tenta justificar o conceito de mundo da vida, sabidamente sem o sucesso que ele próprio esperava, e nele aparece claramente a crise da razão, a ruptura da razão husserliana em que podia caber tudo, exceto a existência e o mundo concreto. | ||
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| + | //STEIN, Ernildo. As ilusões da transparência: | ||
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