estudos:eric-nelson:tao:chuang-tzu
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| + | ====== Chuang Tzu ====== | ||
| + | //NELSON, Eric S. Heidegger and Dao: things, nothingness, | ||
| + | **I. Os caminhos de Heidegger com o [[spc> | ||
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| + | **1. Heidegger em Bremen** | ||
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| + | 1. Consideram-se, | ||
| + | * Ali discutiu e recorreu ao Daodejing e ao Zhuangzi em palestras e conversas, em 1930, 1949, 1951 e 1960, devendo-se os engajamentos interculturais cosmopolitas de Heidegger nessa cidade hanseática comercial culturalmente aberta, em parte, a seus interesses leste-asiáticos compartilhados com seu amigo bremense, o escritor Heinrich Wiegand Petzet. | ||
| + | * Segundo a obra biográfica de Petzet, Encontros e Diálogos com Martin Heidegger, 1929–1976, | ||
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| + | 2. Foi discutido antes, na introdução ao Capítulo 1, seu retrato da recitação e interpretação heideggerianas da alegria dos peixes do Zhuangzi numa reunião noturna de 1930, mencionando, | ||
| + | * Heidegger a passagem do [[spc> | ||
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| + | 3. O autor bremense Hans Jürgen Seekamp, mais conhecido por sua obra sobre o poeta Stefan George, notou o engajamento heideggeriano com o daoismo e reflexões sobre o sentido de dao durante sua palestra proferida em 4 de maio de 1951 sobre Lógos, em Bremen. | ||
| + | * Onde, acrescenta, as pessoas têm "senso cultivado para a Ásia", | ||
| + | * E dos poetas e intelectuais alemães que a abraçaram ativamente. | ||
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| + | 4. Ao falar de potencialmente construir ponte genuína no futuro, Seekamp introduz Heidegger e sua hesitação quanto a se é possível entendimento genuíno através de línguas distintivas, | ||
| + | * Cita-se: "não sabemos o que realmente se quer dizer quando ouvimos pessoas dizerem ' | ||
| + | * Sendo Heidegger fundamentalmente filósofo do caminho e de sua motilidade, falando, paralelamente a fontes daoistas antigas, do caminho do ser, do nada, das coisas, da existência, | ||
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| + | 5. O dao fala sem dúvida ao Ocidente, que não tem ouvidos para compreendê-lo, | ||
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| + | **2. Heidegger entre Polemos e [[lx> | ||
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| + | 6. A reticência e reserva respeitosas salvaguardam, | ||
| + | * Retomando sua atenção e tomando guinada intrigante e mais visível em 1943 com "A Singularidade do Poeta", | ||
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| + | 7. Reavalia sua própria filosofia e os perigos de seu próprio discurso anterior de decisão, autoafirmação, | ||
| + | * Em nome da nova fusão e coordenação coercitivas ([[lx> | ||
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| + | 8. Heidegger afirmou repetidamente, | ||
| + | * Escolhendo consciente e intencionalmente aderir ao movimento para tentar influenciar sua direção, tendo Hannah Arendt e Elisabeth Blochmann se sentido particularmente traídas por seu oportunismo de estar do lado aparentemente " | ||
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| + | 9. A visão heideggeriana de " | ||
| + | * Criticando repetidamente seus compromissos biológico, valorativo e de visão-de-mundo como vulgares, tendo Heidegger igualmente denunciado os elementos populistas do movimento, queixando-se de que preferia boxe, carros e rádio à poesia de Hölderlin. | ||
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| + | 10. Heidegger é assim melhor classificado como intelectual-literato elitista conservador (fala Habermas de " | ||
| + | * Tendo, como analisaram Arendt e outros, Heidegger carecido de engajamento sério e reflexão sobre o poder estatal que pode ser controlado pela autoordenação de esfera pública florescente, | ||
| + | * Infundindo sentimentos autoritários, | ||
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| + | 11. Questiona-se então como transitou o pensamento heideggeriano de ética sacrificial e violenta apologética e ideologicamente conduzida de polemos e obra rumo à liberdade do deixar desprender (lassen), do reinar violento criativo do ser como physis rumo à autoordenação gerativa das coisas e do mundo no reinar do ser. | ||
| + | * Devendo-se chamar isso de deslocamento antecipatório rumo ao dao, sem jamais lá chegar, dada a distância e hesitação entre Europa e Ásia no pensamento de Heidegger, sendo uma fonte desse deslocamento o Zhuangzi. | ||
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| + | 12. Esse texto reporta recusas repetidas de participação e coordenação políticas coercitivas, | ||
| + | * Sendo pessoas, coisas e palavras vagando livremente de sua posicionalidade instrumental estratificada percebidas como ameaças anárquicas caóticas à ordem disciplinar, | ||
| + | * Em contraste com ela desfrutando inútil e livremente sua água e lama por si mesma, intimando outras passagens forma social diferente de antipolítica, | ||
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| + | 13. Essa ideia é expressa em passagens do Zhuangzi, do Liezi, e negativamente no capítulo " | ||
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| + | 14. Várias transmissões chinesas e interculturais interpretam o daoismo como filosofia da liberdade, tendo fontes daoistas antigas sido repetidamente ligadas à liberdade individual frente à coerção do Estado e da sociedade na imaginação chinesa e europeia. | ||
| + | * Devendo-se considerar mais uma vez alguns exemplos históricos contextualizadores, | ||
| + | * Sendo, na visão poética utópica de Hart, o dao anarquia na qual harmonia não forçada nasce do conflito e cacofonia das coisas. | ||
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| + | 15. O Zhuangzi foi aliado ao anarquismo e individualismo em sua recepção alemã do início do século XX, tendo Richard Wilhelm descrito essa tendência como exprimindo ideal anarquista de idade dourada sem governantes, | ||
| + | * Descrito a história chinesa como dialética entre comunalismo autoritário e individualismo anarquista, começando com Laozi e Zhuangzi, tendo Hans e Sophie Scholl e a resistência estudantil Rosa Branca apelado à concepção laoísta de sociedade florescente, | ||
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| + | 16. Diferentemente desses bravos estudantes em Munique, Heidegger falhara em ver, nos anos 1930, as diferenças cruciais entre povo, Estado e liderança carismática, | ||
| + | * Enquanto leituras autoritárias e conservadoras enfatizaram o caráter estético e subjetivo apolítico da liberdade de Zhuangzi, despolitizando-a assim, entendeu Eichhorn que opera dentro do nexo de coisas e relações sociopolíticas com repercussões políticas transformativas. | ||
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| + | 17. O daoismo ofereceu modelos de liberdade relacional mundana em contraste com a liberdade de sis atomísticos autointeressados ou sujeitos coletivos totalitários legitimando o poder do Estado, estando o entendimento alemão da liberdade daoista, com suas complexas transmissões históricas, | ||
| + | * Embora se deva cuidar de não superestimar a importância do Zhuangzi e seu senso de liberdade para Heidegger, implementam suas reflexões inspiradas em Zhuangzi sobre deixar, esperar e inutilidade, | ||
| + | * Ethos radicalmente diferente de desprendimento ([[lx> | ||
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| + | 18. Heidegger foi, segundo a análise de Löwith de Ser e Tempo, filósofo da utilidade, do propositado em-vista-de-que, | ||
| + | * Estando as suspeitas de Löwith parcialmente certas, sendo as reflexões semidaoistas de Heidegger, de 1943 a 1950, delimitadas por suas preocupações culturais, filosóficas e políticas e sua situação interpretativa. | ||
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| + | 19. As reflexões de Heidegger revelam elementos consideráveis relacionados ao daoismo em seu pensamento pós-1943, falando seus " | ||
| + | * Sua própria versão de vaguear calmo e despreocupado zhuangziano, | ||
| + | * Sendo vários de seus poemas-de-pensamento e notas antes inéditas evocativos de um " | ||
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| + | 20. Os motivos daoistas adotados por Heidegger não podem ser ditos constituir " | ||
| + | * Revelando essas facetas diferentes perspectivas para ethos de deixar e liberar coisas e pessoas, e concernindo a outros motivos vitais de sua filosofia madura: utilidade e inutilidade, | ||
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| + | **3. Palavras, imagens e fios condutores** | ||
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| + | 21. Heidegger refere-se mais frequentemente a palavras e imagens associadas ao Laozi, como evidente nas Palestras de Bremen de 1949 e em múltiplas discussões da coisa, exprimindo, direta e indiretamente, | ||
| + | * Confirmando essa atenção persistente ao Zhuangzi, Heidegger o evoca ao longo da terceira Conversa do Caminho de Campo de 1944–1945, | ||
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| + | 22. Imagem e palavra são temas em textos daoistas antigos que empregam imagens de pensamento e palavras sugestivas e paradoxais para indicar a grande imagem sem imagem e a palavra sem palavra expressas no [[spc> | ||
| + | * Ouvir o que não pode ser ouvido, as formas sem forma, e o fio que percorre o caminho. | ||
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| + | 23. Heidegger refere-se, nessa palestra, sobretudo a exemplos ocidentais (Agostinho, Klee, Heráclito), | ||
| + | * Mostrando, mais uma vez, texto daoista como o ponto é a inação no sentido do " | ||
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| + | 24. Serve de fio condutor (Leitfaden) para a direção do caminho para Heidegger, sendo um fio parte de teia de fios que velam e revelam em seu velar a ausência-de-imagem do sem-palavra, | ||
| + | * E suas relações interentre-coisas que se aproximam na conversa, não apenas mencionando ou invocando, mais uma vez, fontes Lao-Zhuang nessa palestra, posicionando Heidegger suas palavras e imagens de pensamento como elementos de seu próprio modo de pensar, sendo isso indicativo de engajamento mais profundo. | ||
| + | * Podendo ser chamado de deslocamento quase daoístico, tendo em vista as inegáveis diferenças de Heidegger em relação às variedades chinesas do daoismo e sua integração seletiva de elementos e imagens de pensamento ziranistas específicos. | ||
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| + | 25. Nessa narrativa, artesania não instrumental serve de imagem de pensamento para como interagir com as coisas, emergindo o suporte de sino de madeira (Glockenspielstande) como se fosse a própria árvore expressa através da obra dos espíritos, sendo moldado através de artesania responsiva nascida do "jejum que aquieta o coração-mente" | ||
| + | * Sem dependência de técnica, habilidade ou cálculo pragmáticos propositados, | ||
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| + | 26. Heidegger aborda a inutilidade das coisas e palavras através da " | ||
| + | * Na qual pondera o " | ||
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| + | 27. A " | ||
| + | * Suprimindo e esquecendo a utilidade instrumental, | ||
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| + | 28. Várias passagens ajudam a contextualizar a noção da coisa e do uso no Zhuangzi, notando-se, no capítulo externo "Vagar Setentrional do Conhecimento" | ||
| + | * E no capítulo externo " | ||
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| + | 29. É seu próprio vazio ou nada e autonaturação (isto é, a ausência-de-coisidade das coisas) que coisa (reúne) a coisa, sendo a sintonia exemplar com as coisas uma de inutilidade e não-propositividade, | ||
| + | * Permanecendo em comportamento livre, à-vontade e indeterminado (des-coisificado) pelo coisar das coisas, deslocando perspectivamente a liberdade zhuangziana o si que sojorna com e em meio a entes, terra e céu. | ||
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| + | 30. As reflexões tardias de Heidegger concernentes à inutilidade divergem de seus sentidos nos textos de meados dos anos 1930, sendo expressão a que Heidegger recorrentemente revisita em suas obras tardias, tipicamente sem referir-se direta ou indiretamente ao Zhuangzi. | ||
| + | * Onde é coordenada com o deixar-ir da Gelassenheit, | ||
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| + | 31. É também insuficiente identificar seu pensamento do desprendimento exclusivamente com o misticismo alemão medieval ou o daoismo Lao-Zhuang antigo, sendo, contudo, claramente forte sua herança daoista, ao retratar Heidegger, através de imagens de pensamento exemplares e modelos ilustrativos, | ||
| + | * E habitar com e em meio a coisas, mortais e deuses entre céu e terra, sendo subapreciado o quanto há uma inclinação daoista em obra em sua linguagem do quádruplo, composto de mortais e imortais, céu e terra. | ||
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| + | 32. Igualmente, seu deixar-desprender não significa nem unificação mística de outro mundo da alma com Deus, nem passividade contemplativa fixa, negando Heidegger repetidamente que seu pensamento seja forma de misticismo, descrevendo Pöggeler as últimas conversas de Heidegger com Bernhard Welte. | ||
| + | * Como o estudo heideggeriano de Eckhart e do misticismo o conduziu não a Deus e à alma, mas às coisas que formam caminho e lugar: "Deus só era Deus na linguagem 'não dita' das ' | ||
| + | * Estando o discurso maduro de Heidegger sobre coisas e caminhos diretamente conectado com sua interpretação de textos daoistas. | ||
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| + | 33. O deixar-desprender, | ||
| + | * E mesmo a laissez-faire na fisiocracia de François Quesnay, que advogava governo pela physis interpretada como acordar com a simplicidade natural, desprender a autoprodutividade da terra e do povo, e laissez faire et laissez passer. | ||
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| + | 34. O wuwei não é política econômica em textos daoistas antigos, nem é retiro místico à interioridade do si interno, sendo agir e sintonizar-se a partir da não-ação (wei wuwei) arte intramundana do ser-no-mundo que esvazia, aquieta e simplifica o si, o desejo e a vontade com humildade. | ||
| + | * Ao mesmo tempo em que libera as coisas a si mesmas e seu próprio essenciar, podendo isso ser interpretado como instância heideggeriana da assim-de-si-idade. | ||
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| + | 35. Essa inclinação ziranista do pensamento de Heidegger é orientada ao indivíduo nos anos 1920 e orientada à coisa depois de 1943, sendo, no pensamento inicial de Heidegger, de aproximadamente 1919 a 1930, operante em noções de retornar ao próprio autoessenciar singular e ser-com momento anárquico ou libertário símile-laissez-faire. | ||
| + | * Talvez informado em parte pelo relato de Okakura do wuwei e ziran daoistas, sendo a solicitude que abre espaço para e ajuda a individuação dos outros. | ||
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| + | 36. Em 1929, Heidegger pode falar de habitar co-existencialmente com a coisa ao mesmo tempo em que prioriza o [[lx> | ||
| + | * Havendo também o uso do autoacontecer símile-ziran da verdade do ser, ocultando-se e desvelando-se a si mesma, em sua palestra de Bremen de 1930, que se vale do Zhuangzi de Buber, falando Heidegger repetidamente de " | ||
| + | * Evocando mais uma vez o sábio daoista descrito como ajudando e nutrindo sem agir intervencionista ou coercitivo. | ||
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| + | 37. Na primeira das Conversas do Caminho de Campo, o deixar-desprender é descrito como ajudar sem assertivamente querer e efetuar, aparecendo essa propensão quase daoista ou ziranista mais fortemente no pensamento de Heidegger após 1943. | ||
| + | * Ocorrendo o momento ziran-orientado ao reconhecer o autoessenciar não só do Dasein (como em 1929), mas de entidades, terra e céu, dando os momentos ziranistas iniciais e tardios de Heidegger a impressão de estarem enredados com o Laozi e o Zhuangzi. | ||
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| + | 38. Os enredamentos daoistas de Heidegger tornam-se mais claros a partir de cerca de 1943, primeiro, não se tratando o desprendimento de afastar-se e retirar-se para tranquilidade ou serenidade de espírito, como na ataraxia estoica. | ||
| + | * Não deixando isso as coisas se aproximarem e tornarem-se próximas em silêncio, nota Heidegger por volta de 1942/43, durante período de engajamento intensificado com o Daodejing, não se tratando de silenciar encenado pelo si, mas de ouvir para dentro do silencioso. | ||
| + | * Cita-se: "o silêncio da natureza e a simplicidade de todas as coisas." | ||
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| + | 39. A natureza existe não apenas através de atividade e projeção humanas, mas através do deixar emergir e mundanizar da terra, não sendo o que é inadequadamente chamado " | ||
| + | * Sendo na inação (Nicht-Handeln) — que não é mero fazer-nada (Nichts-tun) — que se prepara o espaço aberto lúdico da clareira do ser. | ||
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| + | 40. Segundo, em meio a essas mesmas reflexões, Heidegger articula afirmação que se liga a suas outras discussões relacionadas à tradução de Wilhelm do Zhuangzi: "o mais necessário é o desnecessário e o útil é o necessário." | ||
| + | * Sendo a desnecessidade ou inutilidade da coisa momento de sua liberdade e autonaturação no Zhuangzi, como acentuam as traduções de Buber e Wilhelm, articulando-se o desprendimento nos anos 1940 de modos que se cruzam com imagens de pensamento e momentos do Zhuangzi. | ||
| + | * Expresso como sintonia e comportamento mundanos de receptividade e responsividade livres às coisas e ao mundo, e salvaguarda destes, em seu próprio autoacontecer símile-ziran. | ||
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| + | 41. Isso não é tudo, espelhando algumas das reflexões de Heidegger durante esse período, de modos significativos, | ||
| + | * O esvaziamento do coração-mente, | ||
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