estudos:dreyfus:esquilo
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| + | ====== Ésquilo (2011) ====== | ||
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| + | * A transição de Homero para Ésquilo é afirmada como tão pouco racional quanto a transição de Aristóteles para Galileu. | ||
| + | * A referência a Thomas Kuhn introduz a noção de mudança de paradigma como mudança de Gestalt. | ||
| + | * A inexplicabilidade é atribuída ao fato de que a mudança não deixa um meio comum pelo qual possa ser explicada. | ||
| + | * Entre Aristóteles e Galileu, não haveria relação racional, mas incomensurabilidade. | ||
| + | * O mesmo é afirmado para Homero e Ésquilo. | ||
| + | * O alcance possível é limitado a descrever diferenças recíprocas, | ||
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| + | * A pertença de cada obra ao passado do Ocidente é declarada crucial para a época contemporânea. | ||
| + | * Práticas pretéritas são afirmadas como preservadas nas margens do mundo atual. | ||
| + | * A tarefa proposta é afinar-se aos sentidos do sagrado que animam as obras examinadas. | ||
| + | * Por essa afinação, torna-se possível reconhecer e reanimar práticas capazes de sustentar um sentido do sagrado em uma era secular. | ||
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| + | * Ésquilo é introduzido como figura do século V a.C. e reconhecido como pai da tragédia. | ||
| + | * Sua obra é descrita como capaz de comunicar exaltação e terror intensos. | ||
| + | * A tradição anedótica de espetáculos tão assustadores que levariam parturientes a dar à luz prematuramente é mobilizada para acentuar o poder afetivo do trágico. | ||
| + | * A alegria produzida é apresentada como igualmente vívida, fazendo do espectador participante orgulhoso da grandeza da idade de ouro ateniense por meio da trilogia Oresteia. | ||
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| + | * A distância temporal entre Homero e Ésquilo é situada como passagem ao início do período clássico. | ||
| + | * Embora os deuses conservem o mesmo nome olímpico, a diferença decisiva é afirmada como transformação de sua função e de seu modo de aparecer. | ||
| + | * Os deuses de Ésquilo são descritos como forças subjacentes que estruturam o mundo ateniense. | ||
| + | * Eles governam o que importa e determinam o que faz sentido fazer em cada situação. | ||
| + | * Exigem unidade das ações e não se contentam com a diversidade feliz atribuída ao mundo homérico. | ||
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| + | * A exigência de unidade é contraposta à presença de um grupo concorrente de deuses na era de Ésquilo. | ||
| + | * Na Odisseia, os deuses de Homero são descritos como família diversa e tolerante, cooperando na condução e proteção da vida humana em múltiplas esferas. | ||
| + | * A felicidade homérica é afirmada como obtida mediante repressão de um grupo mais antigo de deuses. | ||
| + | * Esses deuses antigos são associados à lealdade familiar, fertilidade, | ||
| + | * Os humores de vingança e lealdade sanguínea são descritos como ausentes do mundo homérico, e isso é enfatizado como espanto. | ||
| + | * Em Ésquilo, a repressão é apresentada como tendo um preço, e o centro de gravidade desloca-se para a oposição entre dois sentidos totais e inflexíveis do justo. | ||
| + | * Os novos deuses olímpicos representam um desses sentidos. | ||
| + | * As antigas Erínias, apresentadas como primitivas, representam o outro. | ||
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| + | * A ausência de diversidade interna em cada grupo é afirmada, apesar da multiplicidade de membros. | ||
| + | * As deusas antigas da Oresteia são apresentadas de modo monolítico como velhas bruxas devotadas a um único modo de vida. | ||
| + | * Protegem famílias e clãs locais e exigem vingança sangrenta, punindo a recusa de executá-la. | ||
| + | * Os novos deuses encontram expressão paradigmática em Apolo. | ||
| + | * A crença fanática e unilateral numa razão universal destacada substitui a diversidade homérica. | ||
| + | * Ambos os grupos reivindicam universalidade e direito exclusivo ao entendimento correto de justiça. | ||
| + | * Cada um exige privilégio de punir transgressões segundo seus padrões. | ||
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| + | * O drama da Oresteia é definido pela oposição completa entre as duas concepções de justiça. | ||
| + | * As Erínias, associadas ao feminino, colocam a família acima de todos os valores. | ||
| + | * Os novos deuses, associados majoritariamente ao masculino, sustentam uma lei universal destacada, sem exceções para indivíduos, | ||
| + | * Apolo formula essa concepção destacada ao reivindicar que fala apenas segundo o comando de Zeus e ao identificar esse comando com a justiça. | ||
| + | * Em contraste, as Erínias definem justiça como expulsar de casa os que derramam sangue de parentes, estabelecendo a vingança como norma. | ||
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| + | * A concepção de justiça das Erínias é descrita como estranha ao mundo de Homero e como reprimida pela cultura homérica. | ||
| + | * As Erínias são apresentadas como indignadas por terem sido separadas e empurradas para baixo da terra pelos deuses do céu no Olimpo. | ||
| + | * A resposta delas afirma força, autoridade, memória do mal e inflexibilidade diante de súplicas humanas. | ||
| + | * O conflito entre deuses antigos e novos é posto como central à concepção de cultura ateniense clássica. | ||
| + | * Esse conflito é dito desdobrar-se em formas cada vez mais crescentes e sutis. | ||
| + | * A forma inicial e mais direta é localizada em Agamêmnon, a primeira peça da trilogia. | ||
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| + | * Agamêmnon é apresentado como general que conduziu a campanha de dez anos contra Troia, e Menelau como irmão cujo adultério motivou a guerra. | ||
| + | * Um episódio trágico anterior à guerra é posto como pano de fundo da trilogia. | ||
| + | * Para aplacar os deuses no caminho, Agamêmnon sacrifica a filha amada Ifigênia. | ||
| + | * O coro recorda o episódio logo no início e enfatiza o dilema devastador. | ||
| + | * A recusa ao comando profético e a execução do sacrifício são descritas como igualmente portadoras de ruína. | ||
| + | * O conflito de Agamêmnon é interpretado como foco no qual se concentra a batalha entre deuses antigos e novos. | ||
| + | * Enquanto pai e rei, ele é capturado entre exigências incompatíveis, | ||
| + | * O contraste com Odisseu é explorado. | ||
| + | * Odisseu é descrito como alternando papéis de pai, rei e aventureiro no tempo apropriado a cada um. | ||
| + | * Não se encontra em situação de escolher um mundo contra outro, e o politeísmo permite coexistência de múltiplos papéis sem necessidade de reconciliação. | ||
| + | * A tendência monoteísta à unidade em Ésquilo torna visível o conflito gerado por múltiplos papéis e exige resolução cultural satisfatória. | ||
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| + | * O início propriamente dito da ação é situado no retorno de Agamêmnon após a guerra. | ||
| + | * Clitemnestra, | ||
| + | * A perda de Ifigênia é indicada como motivo central, mas não único. | ||
| + | * Acrescenta-se a presença de Cassandra, escrava troiana trazida por Agamêmnon, como motivo de ciúme. | ||
| + | * A posição de Clitemnestra é complexificada pelo fato de ela ter iniciado um caso com Egisto durante a ausência do marido. | ||
| + | * Os detalhes salaciosos e a maldição de gerações são mencionados como componentes trágicos, mas deslocados como irrelevantes para o ponto buscado. | ||
| + | * O evento decisivo é apresentado de modo concentrado. | ||
| + | * Ao retornar, Agamêmnon é morto por Clitemnestra, | ||
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| + | * A ação de Clitemnestra é descrita como sobredeterminada, | ||
| + | * Ela afirma ausência de vergonha e apresenta a morte como resposta ao assassinato inicial cometido por Agamêmnon dentro da casa. | ||
| + | * A justificativa recorre à reciprocidade do sofrimento, associando o sangue da filha ao sangue do pai. | ||
| + | * A dificuldade emerge da duplicidade do ato. | ||
| + | * Como vingança pela filha, o ato é conforme às Erínias. | ||
| + | * Como assassinato do rei, ele é ab-rogação da lei universal odiada pelos novos deuses. | ||
| + | * O coro, figura do senso comum ateniense, é apresentado como oscilando entre as duas leituras. | ||
| + | * De um lado, afirma-se a correção da raiva por raiva e do pagamento pelo que matou. | ||
| + | * De outro, enfatiza-se o horror do regicídio traiçoeiro, | ||
| + | * A justificativa do ato é declarada depender do nome divino sob o qual se compreende a ação, isto é, dos deuses antigos ou dos novos. | ||
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| + | * O problema torna-se mais agudo em As Coéforas, a segunda peça. | ||
| + | * O retorno de Orestes, filho de Agamêmnon e Clitemnestra e irmão de Ifigênia, é apresentado como centro do drama. | ||
| + | * Orestes é descrito como exigindo justiça pela morte do pai e do rei. | ||
| + | * A decisão prática é formulada como alternativa entre dois modos de matar. | ||
| + | * Um modo vingativo em nome das Erínias, dirigido ao assassino do pai amado. | ||
| + | * Um modo racional e impassível em nome dos novos deuses e da lei universal, dirigido ao assassino do rei legítimo. | ||
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| + | * O coro reconhece que a vingança de sangue estabelece um ciclo interminável que ameaça destruir a cultura. | ||
| + | * A lei é formulada como retribuição inevitável, | ||
| + | * A ruína é descrita como endurecimento da semente, indicando uma herança de violência que se autoalimenta. | ||
| + | * Para interromper o ciclo, Orestes deve matar a mãe em nome de Apolo e da justiça universal, não em nome da vingança. | ||
| + | * A execução é exigida como fria, racional e deliberada, como se seguisse de argumento incontestável. | ||
| + | * Essa exigência é apresentada como única via para impedir que a violência leve a cultura à guerra civil. | ||
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| + | * Uma objeção motivacional é introduzida, | ||
| + | * Não se pode cortar a garganta da própria mãe apenas porque a razão o exige. | ||
| + | * As Erínias são apresentadas como força motivacional básica da cultura. | ||
| + | * Elas podem produzir frenesi emocional e mover a ação para além do que ocorreria sem elas. | ||
| + | * Sem raiva, torna-se difícil imaginar como a razão, isoladamente, | ||
| + | * A referência a Hume formula a tese de que a razão é serva das paixões, reforçando a insuficiência motivacional da racionalidade destacada. | ||
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| + | * A solução de Ésquilo é anunciada como engenhosa, mas deliberadamente não explicitada, | ||
| + | * Apesar de Orestes realizar o ato de modo frio e racional em nome do compromisso olímpico com razão e lei, isso não salva a cultura. | ||
| + | * As Erínias de Clitemnestra perseguem Orestes e exigem vingança. | ||
| + | * Conclui-se que o conflito cultural não é apenas individual e não pode ser encerrado por um ato individual. | ||
| + | * O desfecho exige práticas culturais que reconciliem os deuses antigos e os novos. | ||
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| + | * A reconciliação é apresentada como o feito decisivo da peça final, mas a abertura de As Eumênides descreve a situação como desesperadora. | ||
| + | * A cultura parece condenada à guerra civil. | ||
| + | * Nesse ponto, Atena introduz um plano. | ||
| + | * Ela é apresentada como deusa nova e olímpica. | ||
| + | * Enquanto mulher, favorece formas locais de persuasão, em contraste tanto com a razão universal de Apolo quanto com o confronto violento das Erínias. | ||
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| + | * Atena reconhece como justificada a queixa das Erínias por terem sido repelidas e separadas. | ||
| + | * A repressão homérica das deusas da terra e do sangue é apresentada como privilégio concedido aos olímpicos. | ||
| + | * A caracterização homérica das Erínias como repulsivas e sua raridade de menção na Odisseia são mobilizadas para indicar um apagamento. | ||
| + | * A repressão é interpretada como causa de sua obscuridade e perigo. | ||
| + | * Em analogia terapêutica, | ||
| + | * Afirma-se que paixões como indignação moral impõem a moralidade e que forças como sexualidade motivam ações. | ||
| + | * Essas motivações são apresentadas como mais universais que a lealdade sanguínea de clãs, mas não tão abstratas quanto regras universais impotentes. | ||
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| + | * Atena persuade as deusas antigas a assumirem o papel de paixões primordiais e motivadoras da cultura. | ||
| + | * Ao obter reconhecimento dos novos deuses, as Erínias revertem a exclusão sofrida. | ||
| + | * A transformação é descrita como conversão de ira em boa vontade. | ||
| + | * Elas abandonam a vingança familiar e tornam-se as Eumênides, as Benévolas, prometendo cuidar de Atenas e de seu modo de vida. | ||
| + | * A nova orientação desloca a guerra para fora e condena o combate interno, estabelecendo uma norma de unidade cívica. | ||
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| + | * A transformação alcança também os deuses olímpicos. | ||
| + | * Atena substitui a tendência ao seguimento de regras universais destacadas e ao desprezo das emoções por um sistema de júri. | ||
| + | * Esse júri é descrito como responsivo às sensibilidades locais dos cidadãos atenienses envolvidos. | ||
| + | * Esse arranjo torna-se essencial às práticas específicas do modo de vida ateniense. | ||
| + | * As Eumênides são apresentadas como capazes de cuidar e proteger essas práticas. | ||
| + | * A união de deuses antigos e novos é realizada numa cidade ideal da qual os atenienses podem orgulhar-se. | ||
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| + | * No final, Atena afirma a recusa de aceitar o eclipse da cidade na estima da humanidade. | ||
| + | * Deuses olímpicos e Eumênides marcham juntos para fora do teatro cantando a glória de Atenas. | ||
| + | * O convite aos espectadores, | ||
| + | * A passagem da cena para as ruas indica que o efeito do drama é uma prática cultural efetiva, não apenas um tema representado. | ||
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| + | * O rito é interpretado como fazendo ver que o politeísmo homérico foi deixado para trás em virtude de um novo estado afetivo. | ||
| + | * Esse estado é identificado como amor por Atenas. | ||
| + | * Os cidadãos são unidos no orgulho de preservar um ânimo dado pelos deuses. | ||
| + | * O orgulho concentra-se na unidade afetiva produzida pela participação na peça. | ||
| + | * A peça torna-se paradigma do que foi alcançado. | ||
| + | * Ela mostra como a receptividade ao ânimo de amor por Atenas reconciliou deuses antigos e novos. | ||
| + | * Os antigos são reinterpretados como emoções sangrentas de indignação e vingança. | ||
| + | * Os novos são caracterizados pela tendência ao destaque e ao fanatismo moral. | ||
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| + | * A função da peça é elevada a uma função divina, mas com um deslocamento no tipo de divindade. | ||
| + | * Não se trata de um deus situacional que puxa a agir aqui e agora, como em Homero. | ||
| + | * Trata-se de um deus mais universal e mais monoteísta, | ||
| + | * A Oresteia convoca a participação no desdobramento de um mundo novo e brilhante, instilando um orgulho ateniense específico. | ||
| + | * A importância sagrada e paradigmática do drama é indicada como reconhecida pelos próprios atenienses. | ||
| + | * A exceção institucional da repetição anual da Oresteia, ao contrário de outras tragédias premiadas, é mobilizada como evidência desse estatuto singular. | ||
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| + | * O predomínio da emoção de orgulho cívico e a centralidade de Atenas como foco de devoção total deslocam o sagrado do politeísmo para maior unidade. | ||
| + | * Isso introduz um problema peculiar relativo a Zeus. | ||
| + | * Sem o politeísmo homérico, perde-se o lugar de Zeus como pai da família olímpica. | ||
| + | * Uma solução é atribuída a Ésquilo como notável ainda que pouco articulada. | ||
| + | * Zeus não é mais um deus personificado presidindo o panteão. | ||
| + | * Tampouco é apenas uma força cultural como as Erínias e os deuses olímpicos da trilogia. | ||
| + | * Ele torna-se o pano de fundo tácito do agir que sustenta todas as forças. | ||
| + | * Como fundo pervasivo, não é descritível, | ||
| + | * A referência coral a Zeus como seja ele o que for e a afirmação de que nada ocorre sem Zeus entre mortais consolidam essa função de fundo. | ||
| + | * Essa concepção do sagrado é declarada tão profunda que reaparece centralmente no Deus Pai judaico-cristão. | ||
| + | * Ela é também projetada como realização poética que só reaparecerá muito mais tarde, em Moby Dick. | ||
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| + | * A peça não apenas descreve uma solução para tensões culturais, mas a produz enquanto prática. | ||
| + | * Ao sair do teatro cantando, os cidadãos não apenas veem, mas são tomados pelo orgulho por Atenas, que irrompe ao redor deles. | ||
| + | * A profundidade do pensamento trágico inclui a percepção de perigos internos ao ânimo patriótico que ele estabelece. | ||
| + | * Emoções esmagadoras como patriotismo não são facilmente tornadas construtivas. | ||
| + | * Uma vez que os cidadãos compartilham uma identidade e um ânimo de patriotismo, | ||
| + | * Esse desejo é descrito como tensão com a transitoriedade de physis, transliterada como physis. | ||
| + | * Homero é apresentado como tendo compreendido que humores, enquanto fazem as coisas importar, seguem curso transitório. | ||
| + | * Eles surgem, dominam por um tempo e então se desfazem. | ||
| + | * Ésquilo reconhece o mesmo para o patriotismo. | ||
| + | * Quando as Erínias perguntam por garantia de honra para todo o tempo, Atena responde que não precisa prometer o que não pode fazer. | ||
| + | * Apesar disso, o desejo de permanência está inscrito no próprio ânimo patriótico. | ||
| + | * Com isso, o germe da ruína de Atenas é descrito como plantado na origem. | ||
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| + | * Após o triunfo, os atenienses tentam estabelecer universalidade e permanência de Atenas pela força. | ||
| + | * A garantia de duração eterna é buscada por anexação de estados vizinhos e formação de império. | ||
| + | * Colônias que não reconheciam os deuses atenienses e não pagavam tributo anual são destruídas. | ||
| + | * Homens são mortos e mulheres e crianças são vendidas como escravas. | ||
| + | * A consequência é inversa ao objetivo. | ||
| + | * O domínio brutal gera rebelião nas colônias, faccionalismo e até guerra civil em casa. | ||
| + | * O desfecho é a curta duração da idade de ouro, limitada a cinquenta anos, confirmando a fragilidade interna do projeto de permanência. | ||
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