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estudos:deely:esquecimento-ser

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estudos:deely:esquecimento-ser [26/01/2026 13:25] – created mccastroestudos:deely:esquecimento-ser [26/01/2026 13:32] (current) mccastro
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 Deely1971 Deely1971
  
-  * emergência da questão do Ser como atenção filosófica ao mistério da totalidade, entendida como aquilo que se manifesta sempre além de qualquer região particular do ente, estabelecendo desde início o horizonte no qual a investigação heideggeriana se move. +investigação filosófica se depara com um paradoxo fundamental: por toda parte encontra o ente, mas nunca Ser. A pesquisa, em sua intenção explicativa, persiste no entetratando-como objeto. O Ser, no entanto, não é uma propriedade do ente, não pode ser objetificado ou produzido como talÉ o absolutamente Outro em relação todo ente, o Não-ente. Este Nada, contudo, vigora como Ser.
-    * caracterização da filosofia como surgindo da atenção ao todo enquanto todo, o que explica a proximidade inicial entre a investigação do Ser e a metafísica tradicional. +
-    * A distinção entre perguntas regionais e perguntas metafísicassendo estas últimas aquelas que interrogam o ente enquanto ente, sem privilégio ontológico para qualquer domínio específico da realidade. +
-    * A introdução da tese segundo qual toda pergunta metafísica supõe necessariamente a situação existencial daquele que perguntade modo que a questão do Ser implica simultaneamente o ente interrogado e Dasein que interroga.+
  
-  * A duplicidade estrutural da pergunta metafísica, que aponta ao mesmo tempo para os entes para a condição de possibilidade da própria interrogação+  * A origem da questão metafísica e sua natureza dupla 
-    * A afirmação de que a pergunta metafísica não apenas visa o ente em sua totalidade, mas retorna reflexivamente ao fenômeno que torna possível tal questionamento+    * A filosofia surge da atenção ao mistério da totalidade enquanto tal, como evidenciado no projeto heideggeriano
-    * A explicitação do caráter existencial dessa reflexividade, segundo qual a pergunta revela o Dasein como aquele para quem ente enquanto tal pode aparecer. +    * As questões metafísicas interrogam o ente enquanto tal, ultrapassando regiões particulares do real
- +    * Toda colocação da questão metafísica exibe uma dupla natureza. 
-  * A experiência fundamental de estar-em-meio-ao-ente-no-tododistinta de qualquer compreensão conceitual do todo dos entes+      * Ela aponta para existência dos entes (rochas, árvores, estrelas). 
-    * A distinção essencial entre compreender a totalidade do enteque é impossível, e encontrar-se sempre já situado no meio do ente enquanto totalidade+      * Simultaneamente, ela aponta de volta para o fenômeno que torna tal questão possível: a situação essencial da existência que a põe
-    * A caracterização dessa situação como um traço estrutural permanente da existência humana, não como um estado cognitivo ocasional+  * O fenômeno fundamental do Dasein e a totalidade 
-    * A identificação dessa diferença como núcleo temático inicial da problemática heideggeriana do esquecimento do Ser. +    * A consciência de que a mente humana é, de algum modo, todas as coisas constitui o fenômeno de base do Dasein
- +    * É impossível compreender absolutamente a totalidade dos entesmas é certo que nos encontramos no meio deles e que eles se revelam de algum modo em totalidade. 
-  * A determinação do mundo como horizonte unitário de manifestação dos entesirredutível à soma de todos os entes particulares. +      * Compreender a totalidade dos entes é absolutamente impossível
-    * A rejeição da concepção do mundo como mera totalização quantitativa de coisasvalores, instituições ideias+      * Encontrar-se no meio dos entes-em-totalidade é um acontecimento constante na existência. 
-    A exigência de uma significação própria do mundocapaz de explicar como os entes são enquanto entes no interior de um horizonte de sentido+    * Meditar essa diferença essencial leva à primeira compreensão do que significa o esquecimento do Ser. 
-    * A compreensão do mundo como condição de possibilidade para que os entes apareçam como tais. +  * O mundo e a revelação do ente em totalidade 
- +    * Na experiência vividaencontramo-nos no meio do que-é-em-totalidade, por ele inteiramente perpassados. 
-  * A descoberta do caráter negativo ou ocultante da manifestação do ente no todo+    * O Mundo não é a soma de todos os entes, pois tal soma é inconcebível não acrescenta nada aos seus fatores
-    A constatação de que os entes sempre se destacam contra um fundo de totalidade que nunca é plenamente apreendido+      É necessário atribuir ao Mundo uma significação particularque a noção de soma não sugere
-    A tese de que o Ser se revela apenas ao revelar os entes, permanecendo ele mesmo inapreensível em si+    * A atenção ao fenômeno do Mundo revela que nossa consciência dele é permeada por uma ocultação ou negatividade peculiar
-    * A formulação do paradoxo segundo o qual o Ser se oculta precisamente no ato pelo qual faz os entes aparecerem. +      Os entes se destacam sempre de um fundo de totalidade, embora nunca compreendamos essa totalidade de modo atual
- +      Serao revelar os entes, não pode ser apreendido positivamente por si mesmo, ocultando-se justamente naquilo a que dá origem
-  * A experiência do esquecimento do Ser como experiência histórica fundamental da filosofia. +  * A ocultação do Ser e a tradição filosófica 
-    * A afirmação de que os filósofos da tradição não tematizaram explicitamente o caráter ocultante do Ser. +    * Essa dimensão de ocultação na revelação dos entes, embora implicada na questão do Ser, foi ignorada pela tradição filosófica pré-heideggeriana
-    * A descrição da descoberta heideggeriana segundo a qual a questão do Ser conduziu imediatamente à experiência de seu esquecimento. +    * A primeira experiência da questão do Ser foi seguida pela experiência do esquecimento do Ser
-    * A interpretação desse esquecimento não como falha contingentemas como consequência estrutural da maneira como o Ser se manifesta. +    * A reticência do Ser não passou totalmente despercebida na tradição. 
- +      * São Tomás de Aquino descreveu-a como a contração do Ser nos modos do discursoou categorias da linguagem. 
-  * A aproximação entre a concepção heideggeriana e a noção tomista de contração do Ser nas categorias da linguagem+      * Esta fórmula é equivalente ao que Heidegger caracteriza como a permeação do Dasein por modos de comportamento aniquiladores, que sozinhos colocam Dasein frente a frente com os entes como tais
-    * A apresentação da ideia de que o Ser se contrai nos modos discursivosperdendo-se na determinação categorial+  * O Ser como tema real e a diferença ontológica 
-    * A articulação dessa contração com a noção heideggeriana de negatividade intrínseca ao Ser. +    * No desvelamento e explicação do Ser, os entes são o tema preliminar e concomitante, mas o tema real é o Ser
-    * A compreensão da verdade como processo de desvelamento ocultamento simultâneosidentificado com aletheia. +    * Embora o Ser não possa ser exceto nos entesele pode manifestar-se suficientemente como si mesmo para permitir discerni-lo em sua diferença para com os entes
- +    * A noção de Ser, manifestada em qualquer ente particular, tem uma inteligibilidade confusa que mistura indistintamente tudo o que se encontra na entidade. 
-  * A determinação do Ser como finito em razão de sua manifestação plural nos entes. +      * Os entes particulares só podem ser experimentados factualmente se o Ser mesmo for previamente apreendido de um modo muito diferente das conceituações deste ou daquele tipo de ente
-    * A tese de que presença e presente nunca coincidem plenamente+    * Só porque o Ser está na consciência, ou seja, é compreensível no Dasein, este pode compreender e conceituar características do Ser como independência, o em-si a Realidade em geral. 
-    * A consequência de que o Ser se retira necessariamente por trás dos entes aos quais concede presença. +    * Tudo o que conhecemos é compreensível em termos de seu estado de Sermas o Ser mesmo transcende qualquer ente ou classe possível de entes
-    * A definição do mistério do Ser como esse retraimento essencial no próprio revelar-se+  * A finitude do Ser e seu mistério 
- +    * O Ser transcendente é essencialmente finito, pois aparece apenas numa pluralidade de entes que não pode abolir
-  * A formulação da diferença ontológica como núcleo da problemática do Ser. +      * A Presença presente nesta Presença nunca coincidem. 
-    * A distinção entre entes e Ser enquanto talentendida como diferença radical e irredutível+    * Ser, em suas manifestações, é necessariamente finito. 
-    * A caracterização do Ser, do ponto de vista entitativo, como Não-ente ou Nada+      * Ele se retrai atrás dos entes aos quais confere presença, ocultando-se em suas próprias revelações
-    * A afirmação de que o Nada não é simples negaçãomas próprio modo como Ser se distingue dos entes. +    * Este desvelamento auto-ocultante é precisamente o que Heidegger entende pelo mistério do Ser
- +    * Olhar através da revelação do que-é para o mistério da Presença mesma é questionar no sentido da única questão que existe: o que é aquilo que é enquanto tal em totalidade
-  * A interpretação do Nada como horizonte positivo da inteligibilidade. +    * O Ser desvia toda atenção de si e dirige o olhar do Dasein para os entes. 
-    * A afirmação de que algo é compreendido como ente apenas por oposição ao Nada. +      * Os entes empiricamente presentes se revelam como presentes em razão do fulgor do Ser, que é o Não-ente. 
-    * A ampliação do conceito de ente para além da substância sensívelincluindo significaçõesatosafetos possibilidades+  * O Nada, a diferença ontológica e a articulação do Ser 
-    * A identificação da diferença entre algo e nada como a distinção mais originária do pensamento do Ser. +    * A reticência misteriosa, mútua ao Não-ente e aos entes, cada um revelado em razão do que não é, aponta para o não que os separa. 
- +    * Este não que separa entes e Não-ente é a diferençaa saber, a diferença ontológica
-  * A centralidade da pergunta por que há ente e não antes nada. +    * Ser, considerado entitativamente, do ponto de vista dos entesé o Não-ente. 
-    * A interpretação dessa pergunta não como busca de uma causa supremamas como interrogação sobre a possibilidade mesma da manifestação do ente+      * Este horizonte de objetividade designado como Não-ente admite uma descrição positiva em termos do Ser mesmo, o Ser do ente
-    * A compreensão dessa possibilidade como processo de não-ocultamento marcado pela negatividade. +    * Toda a problemática do desvelamento-ocultação no Ser nada mais é que o problema do não que constitui a diferença ontológica enquanto tal. 
-    * A denúncia do esquecimento do Ser como esquecimento desse processo originário. +    * O que deve ser tornado temático é o Ser dos entes em sua diferença (Não-ente) para com os entese mesmo em sua diferença para com que pode ser dito sobre os entes precisamente como tais. 
- +      * O Ser sempre deve ser contraído aos entes, comportando o risco de ser considerado apenas como um ente e, assim, ser completamente esquecido
-  * crítica à metafísica tradicional como pensamento que opera a partir de uma compreensão prévia e não tematizada do Ser. +    * O problema central da filosofia, para Heidegger, é discernir o Ser para si, ainda que não por si mesmo. 
-    * A tese de que a metafísica permanece restrita ao ente enquanto ente+  * A formulação do Ser como a diferença fundamental 
-    A afirmação de que a verdade é reduzida à verdade do conhecimentoperdendo seu caráter originário de desvelamento+    * Para Heidegger, aquilo que nunca e em lugar algum é se desvela como o que difere de tudo que é, e isso chamamos Ser. 
-    * A conclusão de que a metafísica, por sua própria estrutura, permanece excluída da experiência do Ser. +    * O Ser não é uma qualidade existente dos entes, nem pode ser concebido objetivamente. Este puramente Outro é aquilo-que-não-é. Este Nada funciona como Ser
- +    * Esta maneira incomum de articular o Ser dá o conceito mais amplo possível do ente como tal: ele é algo e não nada. 
-  * A necessidade de partir do Nada para recolocar a questão do Ser. +      * Um delírioo sentido de um poemaDeuso amor, a esperança são algo não nada, ainda que não sejam coisas no sentido metafisicamente primário
-    * A afirmação de quese Ser não é entea investigação deve começar pelo que não é ente. +    * A partir da ideia de algo, coisa real coisa ideal não são mais opostas uma à outra, mas ambas se distinguem do Nada como o totalmente outro, entendidas em seu caráter fundamental como não nada. 
-    * identificação do Nada como nome desse ponto de partida+    * A ideia heideggeriana de Ser formula exigência de que o pensamento do Ser comece da mais ampla e profunda de todas as distinções: a diferença entre algo e nada. 
-    * A equivalência entre dizer que o Ser não é coisa e dizer que ele é Nada. +      * Com isso, o problema do nada é trazido para o centro do projeto filosófico, e este nada é o véu do Ser mesmo
- +  * A questão fundamental: por que há entes e não antes nada? 
-  * A exigência de uma transformação do homem em Dasein como condição para pensar o Ser. +    * A questão mais abrangente, profunda e fundamental é: por que há entes, por que há algo e não antes nada? 
-    * A tese de que apenas no Dasein o Ser pode aproximar-se da verdade para o homem histórico. +      * Através delao que-é-em-totalidade se abre pela primeira vez com vista ao seu possível fundamento, mantendo-se aberto no ato de questionar
-    * A afirmação de que o Ser do ente é compreensível apenas se o Dasein se mantém originariamente no Nada. +    * A questão significa: como é possível que os entes possam ser como entes, independentemente de causas metafísicas. 
-    * A necessidade de uma analítica fundamental do Dasein para esclarecer essa possibilidade. +      * É uma questão sobre o acontecimento do processo de clareira da alétheia, entendido como emergência da diferença ontológica, permeado pela negatividade. 
- +    * Heidegger a expande: como acontece que os entes tenham a primazia em toda parte, enquanto aquilo que não é um ente, pensado como Não-ente no sentido do Ser mesmo, permanece esquecido? 
-  * A redefinição da essência do homem a partir da compreensão do Ser. +  * O Ser como Não-ente e a crítica à metafísica 
-    * A rejeição da definição do homem como animal racional enquanto fundamento último+    * O Ser, para Heidegger, é precisamente aquilo quedo ponto de vista ôntico dos entes, é o Não-ente. 
-    * A caracterização do homem como aquele para quem o Ser está em questão+      * Inversamente, o Não-ente é o Ser mesmo formulado em outros termos que não os ônticos
-    * A compreensão da autocompreensão humana como expressão onticamente inadequada de uma estrutura ontológica mais originária+    * A metafísica opera com uma concepção prévia do Ser em suas respostas sobre o ente enquanto tal
- +      Alheia à natureza peculiar desta concepção pré-ontológica, que não se radica na razão pura, metafísica é apartada da verdade do Ser. 
-  * A compreensão pré-ontológica do Ser como estrutura fundamental do Dasein+      * Para a metafísicaa natureza da verdade aparece apenas na forma derivada da verdade do conhecimento
-    * A afirmação de que essa compreensão não é conceitual nem plenamente explícita+    * Sendo metafísica, está por natureza excluída da experiência do Ser, pois representa os entes tendo em vista apenas o que do Ser já se manifestou como ente
-    * A tese de que toda tematização ontológica é uma radicalização dessa compreensão prévia+      * Ela nunca atenta para o que se ocultou neste ente justamente enquanto se tornou desoculto. 
-    * A identificação do Dasein como o lugar do Ser entre os entes. +  * A questão-guia e a identificação do Ser com o Nada 
- +    * A questão-guia é: o que se chama Ser
-  * A conclusão provisória sobre o esquecimento do Ser. +      * Se não concerne aos entes, deve começar daquilo que não é um ente. A questão nomeia e grafa com maiúscula: o Nada. 
-    * A afirmação de que a recuperação do Ser exige uma transformação simultânea da concepção de homem e da tarefa da filosofia+    * Se o Ser não é um ente, o processo de desocultação tem um caráter não inerente, que o contrai esconde nos entes que deixa ser. 
-    * A indicação de que essa recuperação não elimina metafísicamas reconduz ao seu fundamento+      * Descrevendo o Ser apenas em termos dos entes que ele não é, o máximo a dizer é que ele não é um ente. Sendo todo ente uma coisa, o Ser não é uma coisa, é Nenhuma-coisa, é Nada. 
-    * A abertura da questão metodológica sobre a adequação da fenomenologia para sustentar essa transformação+    * Ser e Nada são um. Esta identificação serve para recuperar a experiência-problema inicial que impediu Heidegger de aceitar a formulação aristotélica da questão do Ser. 
 +  * A mudança do homem em seu Dasein como exigência 
 +    * Manter-se no problema do Nada como problema do Ser mesmo exige mudar o homem em seu Dasein
 +    * Fator decisivo para recuperar o Ser de seu esquecimento é a experiência essencial de que só no e a partir do Dasein pode evoluir para o homem histórico qualquer aproximação da verdade do Ser
 +    * Ser dos entes só é compreensível se o Dasein, por sua própria natureza, se constringe dentro do Nada. 
 +      * Constranger-se ao Nada é um acontecimento subjacente a todo encontrar-se no meio dos entes já disponíveis. 
 +      * A possibilidade intrínseca deste acontecimento deve ser clarificada numa analítica fundamental-ontológica do Dasein. 
 +    * É preciso clarificar em princípio como o homem é mudado em seu Dasein para estabelecer os limites da questão em Ser e Tempo
 +  * A transformação essencial do homem noção de Dasein 
 +    * O método para efetuar esta transformação essencial do homem e precisar a noção de Dasein como foco para formalizar a questão do Ser está em jogo no caráter problemático heideggeriano. 
 +    * A compreensão desta questão é decisiva por dois motivos: 
 +      * A noção preliminar de Dasein só pode ser apreciada corretamente através de uma clara visão da compreensão heideggeriana da natureza da pesquisa fenomenológica. 
 +      * As dificuldades do Heidegger tardio em explicar o envolvimento do Ser na natureza humana são consequência da falha em clarificar a relação entre o homem em seu Dasein e o homem como ente, a articulação estrutural ôntico-ontológica que dá origem à possibilidade de uma compreensão categorial e existencialista da realidade humana. 
 +  * A superação e a transformação da metafísica 
 +    * A perspectiva metafísica considera a luz do Ser suficientemente iluminada quando reconhecemos que olhamos através dela para os entes. 
 +      * A verdade do Ser seria o solo onde a metafísica, como raiz da árvore da filosofia, é mantida. 
 +      * Vista em seus próprios termos, essa base é algo ainda não dito, que transforma a essência da metafísica. 
 +    * A insuficiência desta perspectiva terá de ser mostrada. 
 +    * O primeiro passo para recuperar o Ser de seu esquecimento envolve a conjectura crucial de que, em vista da desocultação do Ser, o envolvimento do Ser na natureza humana é uma característica essencial do Ser. 
 +      * Se a Presença e o presente nunca coincidem, a Presença também não pode sê-lo exceto na natureza essencial de um ente que tem abertura para o encontro com os entes como seu Ser. 
 +    * Uma vez compreendido isso, não se pode mais aceitar a pretensão da metafísica de cuidar do envolvimento fundamental no Ser e de determinar decisivamente todas as relações com os entes como tais. 
 +      * A visão dos entes como tais só é possível graças à luz do Ser, que, no entanto, não cai no âmbito do questionamento metafísico sobre o que os entes são. 
 +  * A superação da metafísica e a nova concepção da natureza humana 
 +    * Esta superação da metafísica não a abole. 
 +      * Enquanto o homem permanecer animal rationale, será também animal metaphysicum. 
 +      * A metafísica pertence à natureza do homem que se entende como animal racional
 +    * Se o pensamento conseguir retroceder ao solo da metafísica, poderá ajudar a efetuar uma mudança na concepção da natureza humana, acompanhada de uma transformação da tarefa da metafísica
 +    * A transformação da ideia de natureza humana marca o primeiro passo para longe do esquecimento do Ser em direção à determinação do sentido do Ser. 
 +      * O passo é possível quando se realiza claramente que o mais básico no homem não é um traço específico da ordem ôntica, mas algo que não reside no homem à maneira de um acidente ou propriedade inerente. 
 +      * Este algo pertence a uma ordem fundamentalmente distinta da ordem ôntica, sendo a possibilidade prévia para todo campo sujeito-objeto: a compreensão do Ser pelo homem. 
 +  * O homem como Compreendedor do Ser e a noção de Dasein 
 +    * O homem é, antes e durante tudo, Compreendedor do Ser, o ente dotado desde sua origem de uma compreensão do Ser. 
 +      * Esta compreensão não está presente nele como um conhecimento totalmente realizado ou conceitualmente explícito, mas está sempre em jogo em tudo o que o homem faz
 +      * A autoconsciência é uma expressão ôntica e inadequada da verdade ontológica de que o homem é o ente para quem, em seu Ser, há preocupação com o Ser. 
 +    * A compreensão em questão é a realidade ontológica por trás da distintividade ôntica do homem, radicalmente outra que quaisquer traços ônticos específicos
 +      * É desta dimensão ontológica, pertencente essencialmente à ordem do intencional, que Heidegger tem em mente ao usar o termo Dasein para designar o Ser do homem. 
 +  * A compreensão pré-ontológica e a radicalização da questão do Ser 
 +    * Na transformação da concepção da natureza humana exigida pela recolocação do Ser, esta apreensão pré-conceitual do Ser será chamada pré-ontológica
 +    * A transformação da tarefa metafísica nesta perspectiva recuperada será um afastamento da preocupação com sujeitos transobjetivos do esse para se engajar imediatamente na explicitação desta compreensão pré-ontológica, elevando-a ao nível dos conceitos
 +    * A questão do Ser nada mais é que a radicalização de uma tendência-essencial-de-Ser que pertence ao próprio Dasein: a compreensão pré-ontológica do Ser
 +    * Mais originário que o homem é a finitude do Dasein nele, como estrutura que deixa os entes serem manifestos ao homem, tornando possível todo encontro. 
 +      * Esta finitude é Aí do Ser entre os entes, fonte da unidade entre a questão do Ser e a finitude do homem que a põe
 +  * A exigência metodológica e a prioridade do Dasein 
 +    * Até aqui, descreveu-se uma experiência inicial e esboçaram-se os requisitos para tratá-la filosoficamente. questão de satisfazer esses requisitos metodologicamente permanece em aberto. 
 +    * Ainda se deve clarificar em princípio o que está em jogo em qualquer noção de natureza humana que prescinda da dimensão ôntica do homemquão fundamental tal distinção seria. 
 +    * A transformação da natureza humana exigida por Heidegger não é autoevidente
 +    * A discussão não demonstrou ainda prioridade do Daseinnem se ele pode ou deve servir como o ente primário ser interrogado. 
 +      * No entanto, algo como uma prioridade do Dasein já se anunciou
 +    * Considerar cuidadosamente esta mudança do homem em Dasein é necessário para torná-la transparente em princípio. 
 +      * Surgirá então a questão sobre se o método heideggeriano é, em última instância, inadequado para assegurar na modalidade do ser humano concepção que ele mesmo primeiro cria. 
 +    * Entender o Dasein é entender o poder e os limites da filosofia fenomenológica em sua maturidade, bem como sua relação orgânica com a filosofia tradicional.
estudos/deely/esquecimento-ser.txt · Last modified: by mccastro