estudos:chretien:hermeneutica-lucas
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| + | ===== Bases para hermenêutica de Lucas 12,49 por Orígenes ===== | ||
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| + | Tendo isso em mente, é possível agora passar ao objeto em si, ou seja, à interpretação que Orígenes dá a Lucas 12,49 (Vim para lançar Fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!). Essa palavra de Jesus teve para ele uma força de chamado muito particular e um prolongado impacto. De fato, não apenas ele a cita, no que nos foi preservado de sua obra, cerca de vinte e cinco vezes, mas sobretudo ele a compreende com uma grande Riqueza e variedade de sentidos, que se complementam em vez de se repetirem. | ||
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| + | Metodicamente, | ||
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| + | A importância dessa palavra para Orígenes também está ligada ao caráter central do fogo em seu pensamento e em sua simbólica. Henri de Lubac havia observado: para Orígenes, "em si mesmo como em sua ação, nenhuma imagem o (sc. Deus) descreve melhor, talvez, do que a imagem do Fogo". Esse simbolismo é certamente bíblico, mas há para Orígenes, sem dúvida, uma poética do fogo. Como o quadro de compreensão dessa frase se estabelece para Orígenes? | ||
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| + | O primeiro alicerce da interpretação é o incessante contato com o fogo que pertence à nossa humanidade, nossa experiência comum do fogo deste mundo. Apenas essa experiência pode dar sentido ao fato de Deus ser chamado de " | ||
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| + | O segundo alicerce da interpretação é a natureza do locutor. Esse fogo, é o Cristo Salvador que afirma que veio lançá-lo sobre a terra: não podemos esquecer isso por um instante, e isso restringe a multiplicidade de sentidos do fogo nessa frase, pois o fogo que vem do Salvador só pode ser ele mesmo to sôtèrion pur, "o fogo salutar", | ||
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| + | O terceiro alicerce da interpretação é de importância capital e separa como com uma espada a exegese patrística da exegese histórica, ou melhor, historicista, | ||
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| + | Para Orígenes, como para todo leitor orante, as palavras de Cristo não são insetos fixados e fossilizados no âmbar da história. Não se trata apenas, para compreendê-las, | ||
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| + | Essa questão conduz por si mesma ao quarto alicerce da interpretação. Como podemos chegar a ouvir em verdade, e assim, a partir daí, transmitir em verdade a outros, o que Jesus disse sobre o fogo? Só podemos compreender a palavra sobre o fogo se ela se tornar para nós uma palavra de fogo e um fogo de palavra, assim como não poderíamos compreender em verdade uma palavra sobre o amor sem deixá-la se tornar para nós uma palavra de amor, já que aquele que a profere é ele mesmo fogo, assim como é amor. O fogo chama o fogo, ele o chama em resposta, nessa resposta que formará apenas o lugar onde ele pode ser ouvido em verdade. Essa ligação do fogo e da palavra, assim como da escuta e da pregação, é central na exegese que Orígenes faz de Lucas 12,49. | ||
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| + | Antes de estudá-la mais precisamente, | ||
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| + | Falando do salmo citado, Orígenes diz: "Eu também medito as palavras do Senhor e as estudo; mas não sei se sou tal que, em minha meditação, | ||
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