| O sujeito absoluto descrito por Heidegger, ou seja, a razão, coloca diante de si o ente como um objeto absoluto. A subjetividade pura de tal sujeito tem como corolário a objetividade radical do objeto. Não permite que o objeto em si venha à presença do pensamento. Em vez disso, o representa, ou seja, faz com que aparecer e comparecer diante de si, constrangindo-o a se deixar determinar em vez de deixá-lo ser visto e ouvido. Para Heidegger, vor-stellen, pré-pôr, re-presentar significam trazer diante de si mesmo em se referindo a si. Este pôr em posição de um ente diante de si mesmo é pôr em o-posição. Esse tipo de representação por um sujeito absoluto, que, aplicado a Deus, lhe faz perder, segundo Heidegger, o que há de sagrado e sublime nele (GA7), não é mais uma escuta atenta do presente a partir desde sua livre vinda, mas é o tipo de cálculo que não conhece mais nada sensível. É a apreensão e o domínio, o constrangimento e a dominação. Entendido como be-greifen, se assemelha mais a uma agressão premeditada para uma total tomada de posse calculada do que a uma abertura acolhedora para o que é oferecido. A existência do sujeito significa a sujeição do objeto. Como um objeto subjugado, o ser representado é privado de seu ser. Ele deixa de ser o hypokeimenon, a própria substância de suas qualidades. O ego cogitans, seguro de sua própria existência, assegura o ente para si mesmo, objetivando-o e submetendo-se ao controle incisivo de seu cálculo. Assim, transforma o mundo atual em um mundo de imagens fictícias (GA5), situadas no não-visível e no não-sensível, ambos pertencentes à esfera interna e fechada da consciência. Por meio dessa objetivação pela razão calculadora e decompositora, os entes objetivados, na imanência dessa consciência, são levados a um conhecimento estável e certo. A certeza da existência do sujeito é igualada pela certeza do conhecimento verdadeiro do objeto. | O sujeito absoluto descrito por Heidegger, ou seja, a razão, coloca diante de si o ente como um objeto absoluto. A subjetividade pura de tal sujeito tem como corolário a objetividade radical do objeto. Não permite que o objeto em si venha à presença do pensamento. Em vez disso, o representa, ou seja, faz com que aparecer e comparecer diante de si, constrangindo-o a se deixar determinar em vez de deixá-lo ser visto e ouvido. Para Heidegger, vor-stellen, pré-pôr, re-presentar significam trazer diante de si mesmo em se referindo a si. Este pôr em posição de um ente diante de si mesmo é pôr em o-posição. Esse tipo de representação por um sujeito absoluto, que, aplicado a Deus, lhe faz perder, segundo Heidegger, o que há de sagrado e sublime nele (GA7), não é mais uma escuta atenta do presente a partir desde sua livre vinda, mas é o tipo de cálculo que não conhece mais nada sensível. É a apreensão e o domínio, o constrangimento e a dominação. Entendido como be-greifen, se assemelha mais a uma agressão premeditada para uma total tomada de posse calculada do que a uma abertura acolhedora para o que é oferecido. A existência do sujeito significa a sujeição do objeto. Como um objeto subjugado, o ser representado é privado de seu ser. Ele deixa de ser o hypokeimenon, a própria substância de suas qualidades. O ego cogitans, seguro de sua própria existência, assegura o ente para si mesmo, objetivando-o e submetendo-se ao controle incisivo de seu cálculo. Assim, transforma o mundo atual em um mundo de imagens fictícias (GA5), situadas no não-visível e no não-sensível, ambos pertencentes à esfera interna e fechada da consciência. Por meio dessa objetivação pela razão calculadora e decompositora, os entes objetivados, na imanência dessa consciência, são levados a um conhecimento estável e certo. A certeza da existência do sujeito é igualada pela certeza do conhecimento verdadeiro do objeto. |