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estudos:caron:voltar-a-si-peos-1346

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 +====== si-mesmo, imerso no ser, pode se voltar para ele? (2005:1346) ======
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 +PEOS
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 +  * Surge a questão de como o si-mesmo, estando imerso no ser, pode ainda se voltar para ele.
 +    * A possibilidade de se voltar não implica a possibilidade de se desprender do ser.
 +    * A solução é encontrada na análise da transcendência, cuja elasticidade da espacialidade permite ao pensamento retroceder enquanto permanece nela.
 +    * A presença recorrente deste problema revela que o ser, para fazer nascer um si-mesmo em seu seio, deve ser constituído por uma estrutura de apelo, ou seja, constituir-se como Palavra (Parole).
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 +  * A condição para nos relacionarmos com o ser, do qual somos sempre já apreendidos, é que ele próprio se volte para nós.
 +    * Estamos no ser e não podemos sair de seu domínio; nossa única maneira de nos referirmos a ele provém dele mesmo.
 +    * A pré-compreensão ontológica só é compreensível se captamos o ser como aquele que nos chama e nos olha, aquele que nos concede ouvidos e olhos.
 +    * O ser não é um irracional insensato; seu mistério tem um sentido e se diz, mesmo permanecendo desconhecido.
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 +  * Estamos no ser como em uma Palavra que nos domina e à qual só damos ouvidos porque ela sempre já nos chamou e nos deu os meios para ouvi-la.
 +    * A Palavra está sempre à nossa frente; nós apenas falamos em seu seguimento.
 +    * A enunciação da enigma atesta um sentido.
 +    * O fato de o "ser" sempre nos dizer algo é o que nos faz seres falantes.
 +    * Nossa fala testemunha nosso recuo em relação ao estado presente que nossos palavras delimitam.
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 +  * A temporalidade originária, que constitui a estrutura do si-mesmo como ser-aberto ao ser enquanto ser, abre-se à possibilidade da palavra.
 +    * A Palavra é a origem mesma da ek-sistência transcendente própria à ipseidade.
 +    * Ao falar, o si-mesmo atesta que está entregue ao ser como Palavra, à qual responde por sua estrutura de falante.
 +    * A questão sobre se o homem possui a palavra ou é por ela possuído encontra uma solução natural.
 +      * O homem é capturado por sua capacidade de falar, que não escolheu.
 +      * A capacidade de fala é, ela mesma, uma resposta ao envio de uma Palavra originária, a do ser.
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 +  * Tomar cuidado com o fenômeno da palavra do si-mesmo é constatar a guinada pela qual o ser aparece como regente da estrutura presentificante do si-mesmo.
 +    * Estamos no ser como em uma palavra, e na palavra como no ser.
 +    * A margem que nos permite nos voltar para o ser já está compreendida em sua própria verdade, sendo correlativa do apelo.
 +    * Da mesma forma, só sabemos que falamos e podemos tomar distância da linguagem porque esta própria linguagem nos dá a vê-la e nos olha.
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 +  * A unidade da essência do pensamento é revelada: não há diferença entre ver e ouvir no contexto da relação com o ser como Palavra.
 +    * Só é possível ver o ente porque sua presença bruta sempre já nos interpelou e convocou.
 +    * Só é possível ouvir a Palavra do ser pronunciada na presença de cada ente porque já vimos o espaço noturno onde o ente instala seus contornos.
 +    * Saber olhar é entrar no silêncio opulento da Palavra do ser.
 +    * O exemplo de Mozart ilustra a indiferenciação entre audição e visão na gênese da obra, revelando a unidade da essência do pensamento.
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 +  * A essência do pensamento é uma unidade inaparente de apreensão pelo olhar e pela audição, confiada ao homem como ser pensante.
 +    * A simultaneidade da escuta na visão de Mozart o mostra como um receptáculo transparente para a vinda à presença.
 +    * Ele exemplifica a tarefa da ipseidade humana: a //Entschlossenheit// para o //Seinlassen// (deixar-ser).
 +    * Como instrumento musical de Deus, Mozart apaga sua individualidade para transmitir o dado, obedecendo à Palavra.
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 +{{tag>Caron}}