estudos:caron:transcendencia-nadificacao
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| + | ====== o si diante de seu fundo (2005:1015) ====== | ||
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| + | * A metafísica, | ||
| + | * A diferença ontológica não se apresenta como estrutura abstrata exterior ao existente humano, mas como aquilo que só pode efetivar-se enquanto compreendida, | ||
| + | * Interrogar o fundo no qual o si desdobra essa essência significa, portanto, não investigar um substrato psicológico ou antropológico, | ||
| + | * A transcendência, | ||
| + | * A transcendência do si é ela mesma transcendida, | ||
| + | * O fundo no qual a transcendência do si se enraíza não é um fundamento positivo, mas um fundo abissal, um fundo-sem-fundo, | ||
| + | * A entrada na Kehre consiste precisamente em deslocar o olhar do si tomado como centro para aquilo que, no si, o ultrapassa e o condiciona, substituindo a primazia da estrutura existencial pela primazia do ser que a torna possível, e reconhecendo que a analítica do si já aponta, desde o início, para além de si mesma. | ||
| + | * O plano a partir do qual se pensa o si e o ente não é produzido pelo si, mas é o próprio ser, entendido como aquilo que ilumina e dá a pensar, de tal modo que não há um plano no qual haja primeiramente homens para depois haver ser, mas apenas um plano no qual há primeiramente ser, e no qual algo como homem pode aparecer. | ||
| + | * Pensar a partir desse plano implica reconhecer que o ser e o plano coincidem, pois o ser não é um objeto do pensamento, mas o próprio ato de manifestar-se, | ||
| + | * O si pertence transcendentalmente ao ser, e essa pertença não é posterior nem derivada, mas constitutiva, | ||
| + | * A possibilidade de o si sair de si, colocar-se à distância de si mesmo e elaborar um discurso sobre si não se funda em uma faculdade reflexiva autônoma, mas no fato de que o si é dominado por um elemento que não é um ente e que, precisamente por isso, o abre à possibilidade de se relacionar consigo mesmo. | ||
| + | * A transcendência que o si recebe de sua proximidade com o transcendens puro é transcendental, | ||
| + | * O excesso do si sobre si não deve ser compreendido como acréscimo ou superabundância, | ||
| + | * Ser em excesso sobre si significa não retirar o próprio ser de si mesmo, mas recebê-lo de uma verdade mais originária que determina tanto o ser quanto o modo de ser do si, fazendo com que a essência do si consista precisamente em não ser plenamente idêntico a si. | ||
| + | * O si define-se, assim, não como substância nem como sujeito, mas como dependência essencial de um fundo que o domina, fundo que o arranca de qualquer auto-posição e o mantém em uma abertura jamais fechável. | ||
| + | * A ipseidade não coincide com o si empírico ou psicológico, | ||
| + | * O fundo ao qual o si se refere não funciona como simples mediação cognitiva entre o si e si mesmo, pois não há termos previamente dados entre os quais o fundo interviria, mas é o próprio fundo que possibilita os termos e os mantém em sua relação. | ||
| + | * Sendo o si essencialmente abertura, sua essência não reside em si mesmo, mas naquilo que o abre, fazendo com que o si jamais se feche sobre si, jamais seja autossuficiente, | ||
| + | * O ser mantém o si em abertura ao permanecer ele próprio em uma opacidade abissal que provoca o movimento do pensar e impede qualquer fechamento, de tal modo que o si só pode articular sua dinâmica existencial porque permanece exposto a uma dimensão que não se deixa reduzir a objeto nem a fundamento disponível. | ||
| + | * O ser não é apenas ratio cognoscendi ou ratio agendi, mas ratio essendi, pois não apenas permite ao si compreender-se e agir, mas concede-lhe o próprio ser, sendo essa determinação frequentemente esquecida por uma filosofia que se toma a si mesma como princípio. | ||
| + | * Pensar adequadamente a estrutura do si exige, portanto, restituir a prepotência dessa essência originária, | ||
| + | * A fidelidade à estrutura do si exige reconhecer o primado do fundo essencial sobre o si, pois deter-se exclusivamente no si equivale a desnaturar, pelo próprio método da investigação, | ||
| + | * Pensar a estrutura do si significa pensar a estrutura de origem, e isso só se torna possível quando o pensamento aceita saltar a partir do si para além do si, seguindo o movimento pelo qual o próprio si aponta incessantemente para aquilo que o torna possível. | ||
| + | * Nesse salto, não há oposição entre ruptura e continuidade, | ||
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