estudos:caron:totalidade-estrutural-abertura
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| ====== Caron (2005:895) – Possibilidade de uma totalidade estrutural da abertura ====== | ====== Caron (2005:895) – Possibilidade de uma totalidade estrutural da abertura ====== | ||
| - | * 1. A ANGÚSTIA COMO REVELAÇÃO DA IPSEIDADE E DA ABERTURA RADICAL | + | * A POSSIBILIDADE DE UMA TOTALIDADE ESTRUTURAL DA ABERTURA: O SER-PARA-A-MORTE |
| - | * 1.1. A angústia como tonalidade fundamental e seu papel na constituição do Dasein | + | * A questão da totalidade estrutural do Dasein |
| - | * A angústia é apresentada como a Stimmung que isola o Dasein, revelando-lhe sua ipseidade mais própria. Esse isolamento não é um mero afastamento dos outros, mas a revelação de que o Dasein é sempre " | + | |
| - | * A angústia não é um estado psicológico passageiro, mas a abertura para o nada, para o vazio que possibilita a manifestação do ser. Ela revela a compenetração entre o vazio e o si-mesmo, expondo a estrutura do Dasein como um ser-aberto, um ser-para-a-morte. | + | |
| - | * A referência à poesia de Tzara ("as campanas soam sem razão e nós também / caminhamos para escapar ao formigar das estradas" | + | |
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| - | * 1.2. A ipseidade como estrutura aberta e não substancial | + | |
| - | * A ipseidade não é uma substância ou uma identidade fechada, mas uma abertura permanente. Heidegger questiona como é possível falar de " | + | |
| - | * O Dasein é sempre "em projeto", | + | |
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| - | * 2. A POSSIBILIDADE DE UMA TOTALIDADE ESTRUTURAL DA ABERTURA: O SER-PARA-A-MORTE | + | |
| - | * 2.1. A questão da totalidade estrutural do Dasein | + | |
| * Heidegger questiona se a análise preparatória do Dasein, que revelou o " | * Heidegger questiona se a análise preparatória do Dasein, que revelou o " | ||
| * A abertura do Dasein é sua essência, mas como pensar uma estrutura para um ser que é, em si mesmo, abertura? A solução está na compreensão de que a estrutura do Dasein não é um sistema fechado, mas um movimento de abertura que se mantém até a morte. Mesmo diante da morte, o Dasein não cessa de se projetar para possibilidades, | * A abertura do Dasein é sua essência, mas como pensar uma estrutura para um ser que é, em si mesmo, abertura? A solução está na compreensão de que a estrutura do Dasein não é um sistema fechado, mas um movimento de abertura que se mantém até a morte. Mesmo diante da morte, o Dasein não cessa de se projetar para possibilidades, | ||
| - | * 2.2. O ser-para-a-morte como mediação entre a angústia e a temporalidade | + | * O ser-para-a-morte como mediação entre a angústia e a temporalidade |
| * O ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode) não é um mero relacionamento com um evento futuro (a morte como fim da vida), mas uma relação ontológica com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de sua impossibilidade. A morte não é o morrer empírico, mas a consciência de que o Dasein é sempre um ser-para-a-morte, | * O ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode) não é um mero relacionamento com um evento futuro (a morte como fim da vida), mas uma relação ontológica com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de sua impossibilidade. A morte não é o morrer empírico, mas a consciência de que o Dasein é sempre um ser-para-a-morte, | ||
| * A morte é a possibilidade extrema que revela ao Dasein sua abertura radical. Ela não é um objeto ou um evento, mas um modo de ser: o Dasein " | * A morte é a possibilidade extrema que revela ao Dasein sua abertura radical. Ela não é um objeto ou um evento, mas um modo de ser: o Dasein " | ||
| - | * 3. A MORTE COMO POSSIBILIDADE ESTRUTURANTE DA IPSEIDADE | + | * A MORTE COMO POSSIBILIDADE ESTRUTURANTE DA IPSEIDADE |
| - | * 3.1. A morte como revelação do nada e da diferença ontológica | + | * A morte como revelação do nada e da diferença ontológica |
| * A morte não é um evento empírico, mas a revelação do nada, do não-ente que possibilita a manifestação do ser. Ela é a "arche do nada", o abrigar-se do ser em sua retirada. A morte revela ao Dasein que ele não é um mero ente, mas um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | * A morte não é um evento empírico, mas a revelação do nada, do não-ente que possibilita a manifestação do ser. Ela é a "arche do nada", o abrigar-se do ser em sua retirada. A morte revela ao Dasein que ele não é um mero ente, mas um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | ||
| * A diferença ontológica, | * A diferença ontológica, | ||
| - | * 3.2. A morte como individualização radical e abertura para o ser | + | * A morte como individualização radical e abertura para o ser |
| * A morte individualiza o Dasein de maneira radical, pois ninguém pode morrer em seu lugar. Essa individualização não é um isolamento empírico, mas a revelação de que o Dasein é sempre " | * A morte individualiza o Dasein de maneira radical, pois ninguém pode morrer em seu lugar. Essa individualização não é um isolamento empírico, mas a revelação de que o Dasein é sempre " | ||
| * A relação com a morte não é uma relação com um evento futuro, mas uma relação com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de ser um si-mesmo autêntico. Essa relação é uma antecipação (Vorlaufen) que revela ao Dasein sua abertura radical e sua finitude. | * A relação com a morte não é uma relação com um evento futuro, mas uma relação com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de ser um si-mesmo autêntico. Essa relação é uma antecipação (Vorlaufen) que revela ao Dasein sua abertura radical e sua finitude. | ||
| - | * 3.3. A morte como possibilidade da possibilidade | + | * A morte como possibilidade da possibilidade |
| * A morte é a possibilidade que possibilita todas as outras possibilidades. Ela não é um objeto de conhecimento, | * A morte é a possibilidade que possibilita todas as outras possibilidades. Ela não é um objeto de conhecimento, | ||
| * A antecipação da morte não é uma meditação obsessiva, mas a compreensão de que a morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein. Ela revela ao Dasein que ele é um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | * A antecipação da morte não é uma meditação obsessiva, mas a compreensão de que a morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein. Ela revela ao Dasein que ele é um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | ||
| - | * 4. A ABERTURA E A ESTRUTURA DO SOI: ERSCHLOSSENHEIT E ENTschlossenheit | + | * A ABERTURA E A ESTRUTURA DO SOI: ERSCHLOSSENHEIT E ENTschlossenheit |
| - | * 4.1. A abertura (Erschlossenheit) como constituição fundamental do Dasein | + | * A abertura (Erschlossenheit) como constituição fundamental do Dasein |
| * O Dasein é sua abertura (Erschlossenheit). Essa abertura não é um estado passivo, mas um movimento ativo de compreensão e projeção. O Dasein é sempre um ser que se compreende como possibilidade, | * O Dasein é sua abertura (Erschlossenheit). Essa abertura não é um estado passivo, mas um movimento ativo de compreensão e projeção. O Dasein é sempre um ser que se compreende como possibilidade, | ||
| * A abertura do Dasein é possibilitada pela morte, que revela ao Dasein sua finitude e sua relação com o ser. A morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein, revelando-lhe que ele é um ser que se relaciona com o ser. | * A abertura do Dasein é possibilitada pela morte, que revela ao Dasein sua finitude e sua relação com o ser. A morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein, revelando-lhe que ele é um ser que se relaciona com o ser. | ||
| - | * 4.2. A decisão (Entschlossenheit) como assumir a abertura | + | * A decisão (Entschlossenheit) como assumir a abertura |
| * A decisão (Entschlossenheit) é o modo como o Dasein assume sua abertura. Ela não é uma escolha entre possibilidades, | * A decisão (Entschlossenheit) é o modo como o Dasein assume sua abertura. Ela não é uma escolha entre possibilidades, | ||
| * A decisão revela ao Dasein que ele é um ser que se projeta para possibilidades, | * A decisão revela ao Dasein que ele é um ser que se projeta para possibilidades, | ||
| - | * 5. A MORTE COMO REVELAÇÃO DA DIFERENÇA ONTOLÓGICA E DA IPSEIDADE | + | * A MORTE COMO REVELAÇÃO DA DIFERENÇA ONTOLÓGICA E DA IPSEIDADE |
| - | * 5.1. A morte como revelação do ser e do nada | + | * A morte como revelação do ser e do nada |
| * A morte revela ao Dasein que ele não é um mero ente, mas um ser que se relaciona com o ser. Ela é a revelação do nada, do não-ente que possibilita a manifestação do ser. A morte é a "arche do nada", o abrigar-se do ser em sua retirada. | * A morte revela ao Dasein que ele não é um mero ente, mas um ser que se relaciona com o ser. Ela é a revelação do nada, do não-ente que possibilita a manifestação do ser. A morte é a "arche do nada", o abrigar-se do ser em sua retirada. | ||
| * A relação com a morte revela ao Dasein que ele é um ser finito, mas também um ser que se relaciona com o infinito, com o ser que o transcende. Essa relação constitui o Dasein como um ser aberto, um ser que se compreende como possibilidade. | * A relação com a morte revela ao Dasein que ele é um ser finito, mas também um ser que se relaciona com o infinito, com o ser que o transcende. Essa relação constitui o Dasein como um ser aberto, um ser que se compreende como possibilidade. | ||
| - | * 5.2. A morte como individualização e abertura para o ser | + | * A morte como individualização e abertura para o ser |
| * A morte individualiza o Dasein de maneira radical, pois ninguém pode morrer em seu lugar. Essa individualização não é um isolamento empírico, mas a revelação de que o Dasein é sempre " | * A morte individualiza o Dasein de maneira radical, pois ninguém pode morrer em seu lugar. Essa individualização não é um isolamento empírico, mas a revelação de que o Dasein é sempre " | ||
| * A relação com a morte não é uma relação com um evento futuro, mas uma relação com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de ser um si-mesmo autêntico. Essa relação é uma antecipação que revela ao Dasein sua abertura radical e sua finitude. | * A relação com a morte não é uma relação com um evento futuro, mas uma relação com a possibilidade mais própria do Dasein: a possibilidade de ser um si-mesmo autêntico. Essa relação é uma antecipação que revela ao Dasein sua abertura radical e sua finitude. | ||
| - | * 5.3. A morte como possibilidade da possibilidade | + | * A morte como possibilidade da possibilidade |
| * A morte é a possibilidade que possibilita todas as outras possibilidades. Ela não é um objeto de conhecimento, | * A morte é a possibilidade que possibilita todas as outras possibilidades. Ela não é um objeto de conhecimento, | ||
| * A antecipação da morte não é uma meditação obsessiva, mas a compreensão de que a morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein. Ela revela ao Dasein que ele é um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | * A antecipação da morte não é uma meditação obsessiva, mas a compreensão de que a morte é a possibilidade que mantém aberta a estrutura do Dasein. Ela revela ao Dasein que ele é um ser que se relaciona com o ser, um ser que transcende a si mesmo em direção ao ser. | ||
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