estudos:caron:sujeito-objeto-concordancia-peos-1075
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| + | ====== sujeito, objeto e concordância (2005:1075) ====== | ||
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| + | * A colocação em questão da definição tradicional da verdade como adaequatio rei et intellectus não visa a refutação nem a superação dessa concepção, | ||
| + | * A diferença sujeito/ | ||
| + | * A crítica heideggeriana não se situa no plano da oposição entre verdadeiro e falso, mas no plano anterior do domínio em que algo como verdade ou falsidade pode ter lugar. | ||
| + | * A possibilidade de um enunciado se regular pela coisa pressupõe que aquilo sobre o que se fala já esteja previamente dado como medida, pois nenhum dizer poderia ajustar-se a algo que não estivesse já de algum modo conhecido e manifestado. | ||
| + | * Todo enunciado se move em um campo prévio de abertura no qual algo já é apresentado como algo, mesmo quando a visão é “torta”, | ||
| + | * O problema da verdade desloca-se, assim, da correção do enunciado para o fundo que torna possível ao si entrar em relação com o ente. | ||
| + | * A questão da essência da verdade é a questão do fundamento da capacidade relacional da ipseidade, fundamento que permanece impensado tanto pela filosofia quanto pelo senso comum, precisamente porque é admitido como evidente e utilizado sem retorno à sua fonte. | ||
| + | * O senso comum, entendido como domínio do impensado, fornece ao si uma segurança aparente que o dispensa de interrogar o solo a partir do qual suas “verdades” operam. | ||
| + | * Essa segurança funciona como resistência à exigência de pôr em questão o que é digno de questionamento, | ||
| + | * A concepção escolástica da verdade como concordância possui duas acepções correlatas, adaequatio ad rem e adaequatio ad intellectum, | ||
| + | * A verdade da coisa e a verdade do juízo só podem concordar porque ambas são fundadas na ideia divina que garante sua harmonia originária. | ||
| + | * Nesse contexto, o intelectus humanus, enquanto ens creatum, participa do intelectus divinus e pode conformar-se à coisa porque coisa e ideia compartilham a mesma estrutura ideal. | ||
| + | * A estrutura do si não pode emergir como problema no interior dessa harmonia teológica, pois o si já possui antecipadamente seu lugar garantido em um ordem total e não é aberto à questão de seu próprio ser. | ||
| + | * O si humano é pensado como imagem do si divino, cujos atributos são simplesmente reduzidos e aplicados à finitude, deslocando o problema do si sem jamais colocá-lo. | ||
| + | * Deus funciona como um Vorhanden onticamente disponível, | ||
| + | * A filosofia moderna, ao abandonar o fundamento teológico, não abandona a estrutura da concordância, | ||
| + | * Kant, o racionalismo progressista e a filosofia da vontade de potência mantêm intacta a estrutura representativa na qual o si é o lugar da concordância ou da não-concordância. | ||
| + | * A razão, desligada de sua relação com o ser, passa a operar como instrumento de ordenação e dominação do ente em totalidade. | ||
| + | * A verdade passa a ser compreendida como conformidade do ente às estruturas do sujeito, conformidade que, se não se dá, deve ser produzida por meio do arraisonnement. | ||
| + | * Mesmo quando critica a metafísica, | ||
| + | * A evidência torna-se princípio, e a ausência de fundamento transforma-se em postulação arbitrária. | ||
| + | * A definição moderna da verdade fixa duas teses fundamentais, | ||
| + | * A possibilidade mesma de o si pronunciar o “é” e emitir juízos permanece impensada, embora seja estruturalmente anterior a qualquer adequação. | ||
| + | * Antes de qualquer concordância, | ||
| + | * O esquema sujeito/ | ||
| + | * A representação é concebida como reação do sujeito a uma ação do objeto, introduzindo a ideia de refração e deformação como estrutura inevitável do conhecimento. | ||
| + | * Esse modelo torna a adequação um ideal inatingível, | ||
| + | * Toda teoria da adequação repousa paradoxalmente sobre a pressuposição de uma inadequação originária, | ||
| + | * A distinção sujeito/ | ||
| + | * A filosofia se deixa assim mistificar por uma estrutura que ela mesma institui e nunca interroga. | ||
| + | * Antes de sujeito e objeto, há uma tonalidade de acordo fundamental que abre o espaço de seu vis-à-vis, tonalidade na qual se dá a exposição originária ao ente. | ||
| + | * Não são os termos que fundam a relação, mas a relação que abre o domínio no qual algo como subjetivo e objetivo pode ser traçado. | ||
| + | * Essa tonalidade fundamental é o elemento comum que a metafísica não soube sustentar. | ||
| + | * A substituição parmenidiana do to auto pela adequação homoiosis marca a perda da primazia do Mesmo em favor da primazia dos termos separados. | ||
| + | * Pensar e ser deixam de ser mantidos em sua mesmidade originária e se transformam em sujeito e objeto. | ||
| + | * A história da filosofia torna-se a oscilação incessante entre primado do sujeito e primado do objeto. | ||
| + | * A perda do elemento unificador conduz a um esgotamento do desejo de coerência e à especialização da filosofia em saberes positivos que evitam pensar o il y a e o je suis. | ||
| + | * A verdade permanece pensada como concordância, | ||
| + | * A exposição histórica da adaequatio cria, contudo, a possibilidade de interrogar finalmente sua condição de possibilidade ontológica. | ||
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