estudos:caron:si-mesmo-fundo-peos-328
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| + | ====== resistência inicial do si mesmo ao seu fundo " | ||
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| + | * A problemática do si mesmo não se coloca explicitamente no pensamento grego originário, | ||
| + | * O homem não é ainda considerado como centro do ente em seu conjunto, não havendo o primado do sujeito, da consciência como condição do ente ou da certeza como critério de verdade. | ||
| + | * O homem grego não é pensado como um ser aberto àquilo que se abre para ele (não é ainda o Dasein heideggeriano), | ||
| + | * Vive-se num estado ontológico inconsciente, | ||
| + | * A essência do homem aparece aos gregos como o "mais inquietante" | ||
| + | * O homem é o mais inquietante no seio do inquietante, | ||
| + | * A noção de deinon possui uma dupla significação: | ||
| + | * O homem é deinon, portanto, tanto por estar exposto à prepotência do ser, quanto por ser ele mesmo o " | ||
| + | * Esta posição do homem como " | ||
| + | * Longe de um harmonioso monismo, o homem grego se compreende em luta contra uma realidade violenta, desejando escapar à sua dominação. | ||
| + | * O fazer-violência consiste em reunir o que é vivido como nos ultrapassando – a perdoação (Walten) do ser – e " | ||
| + | * Este produzir (hervor-bringen) é um fazer passar do estado velado ao não-velado, | ||
| + | * A violência do homem reside em querer extirpar o que acede ao aberto do destino de seu desvanecimento, | ||
| + | * O pensamento originário, | ||
| + | * A essência do homem consiste em se colocar do lado do desvelado e contra o velamento, arrancando a este último o que a ele está destinado a retornar. | ||
| + | * Os primeiros pensadores gregos testemunham a dominação do ser e o poder do homem de se erguer contra ela, mas a possibilidade mesma desta confrontação não é pensada. | ||
| + | * Surge uma contradição: | ||
| + | * A palavra φύσις (physis) expressa a apreensão grega originária do ente em seu conjunto. | ||
| + | * Physis diz o que desabrocha por si mesmo, se desdobra abrindo-se. Este desdobrar é, ao mesmo tempo, um retornar para dentro de si, para suas raízes no fechado. | ||
| + | * O termo, porém, não diz explicitamente o vínculo essencial com o nada ou não-ente do velado. A " | ||
| + | * Heráclito recorda, no fragmento " | ||
| + | * Para Heidegger, o ser é abertura de declausura que a si mesma se fecha. A dimensão noturna do ser, seu retraimento (kryptesthai), | ||
| + | * O si mesmo grego, face ao desvelamento, | ||
| + | * O si mesmo se situa imediatamente frente ao inquietante, | ||
| + | * A physis é pensada como o que se desdobra por si mesmo, independentemente do si mesmo. O si mesmo, não pensado em continuidade com a desocultação, | ||
| + | * A noção de αλήθεια (aletheia), comumente traduzida por " | ||
| + | * O comportamento do si mesmo face à desocultação consiste em instalá-la para se instalar a si mesmo na luz. A luta para conquistar essa disponibilidade, | ||
| + | * As palavras dos primeiros pensadores são sinais desta consciência do perigo de perder de vista o fundo do qual a physis emerge. | ||
| + | * Anaximandro, | ||
| + | * No entanto, não pensaram a plena continuidade entre a obscuridade reconhecida como primeira e a luz que, apesar da prepotência do inquietante, | ||
| + | * O vínculo do ser e do ser-homem que lhe faz face não é tomado em guarda. Não há palavra grega para a co-pertença ek-stática do homem ao ser. | ||
| + | * Esta continuidade impensada abre a porta para a dualidade e para a possibilidade de um dos domínios (a tendência humana à clareza ou a tendência do ser ao retraimento) predominar sobre o outro. | ||
| + | * Heráclito, ao indicar a prepotência do retraimento, | ||
| + | * O fragmento " | ||
| + | * A abertura (aletheia) é ela mesma um modo de ser do Dasein humano. Aletheuein significa ser-descobridor, | ||
| + | * A dimensão de retraimento do ser não deve mascarar sua dimensão de partilha com aquele que ele estabelece como seu Da (aí). | ||
| + | * O si mesmo grego constrói-se contra a prepotência da ocultação, | ||
| + | * O si mesmo não é (ainda) um sujeito cortado do ser, mas é contra o ser no ser. Precisa do inquietante como o oposto ao qual se opõe para definir sua essência. | ||
| + | * Este precário equilíbrio no combate não pode durar, pois o ser e sua violência inquietante tendem a entrar em retraimento. | ||
| + | * Quando o inquietante se retrai, o si mesmo move-se apenas no interior do desvelado, e a relação com a ocultação primeira tende a esvanecer-se. | ||
| + | * Com o advento do primado do visível e da luz – ou seja, com o início da metafísica –, o si mesmo perde seu obstáculo originário e entra em declínio. | ||
| + | * O si mesmo precisa, para ser si mesmo, de um obstáculo, de um " | ||
| + | * Este obstáculo abissal aparece em sua teneur apenas nos primeiros gregos, baseado na intuição da " | ||
| + | * Com o retraimento do inquietante, | ||
| + | * Inicia-se assim a " | ||
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