estudos:caron:ser-tempo-dacao-peos-ii-3-2
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| + | ====== ser é tempo (2005:1599) ====== | ||
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| + | * O ser é tempo. | ||
| + | * Ser e tempo se confundem num mesmo processo de doação. | ||
| + | * Ambos coincidem no seio da estrutura de um dar que eles manifestam e veiculam. | ||
| + | * O ser que é tempo, ou ser-temporal, | ||
| + | * Ele é tomado não como a evidência de uma doação da qual tudo proviria – o que seria um novo meio de tentar o domínio conceitual do ente em totalidade. | ||
| + | * Ele é tomado em si mesmo, o ser tomado a cargo pelo pensamento abre sobre seu próprio mistério. | ||
| + | * O ser deve ser tomado para si mesmo, como doação enquanto tal e não como doação em vista daquilo que ela dá. | ||
| + | * A colocação em relevo do processo de doação não basta; é a doação ela mesma que deve ser guardada em sua nudez pelo pensamento. | ||
| + | * A doação não deve tornar-se pretexto para nos voltarmos para o dado a fim de explicá-lo integralmente. | ||
| + | * Ela deve ser para o pensamento a ocasião de se voltar para ela e para ela exclusivamente. | ||
| + | * O ser mantém seu ser de algo que se vela nele: ele mesmo. | ||
| + | * O ser redobra seu mistério: há ser. | ||
| + | * O ser enquanto tal, pensado na exclusividade de seu ato de ser, como exige sua prepotência, | ||
| + | * O ser pode ser, se não se toma cuidado, ocasião para não mais pensá-lo. | ||
| + | * Sendo processo de doação, ele pode não mais ser re-olhado em sua doação. | ||
| + | * É por isso que a tarefa do pensamento se constitui na guarda do ser enquanto tal, ou do mistério de que haja ser, de que haja doação. | ||
| + | * O ser é em si mesmo o próprio mistério de seu dar. | ||
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| + | * No entanto, a palavra " | ||
| + | * O próprio ser é esse gesto de dom porque ele é originariamente portado por uma doação que não é outra senão ele mesmo. | ||
| + | * Essa doação permanece ocultada desde que não se toma cuidado com o fato de que há ser. | ||
| + | * O ser é velado por sua própria denominação, | ||
| + | * A palavra tornou-se a expressão do impensado do qual é vítima. | ||
| + | * O ser tout court é o ser que deixa lugar ao impensado. | ||
| + | * O ser pensado e apreendido em vista de si mesmo não é mais, para o pensamento, o ser, mas mais rigorosamente o "Il y a l' | ||
| + | * Dele surge o puro "Il y a", o puro "Es gibt", a pura doação. | ||
| + | * O redobramento da doação acompanha a tomada sob guarda do ser enquanto tal. | ||
| + | * O ser, doravante pensado, aparece ao pensamento em toda sua espessura e toda sua profundidade. | ||
| + | * Isto é, como mistério do dar puro, o que a palavra " | ||
| + | * O que diz, ao contrário, seguramente, | ||
| + | * A palavra " | ||
| + | * O ser, que é pura doação, pertence ao dar. | ||
| + | * Essa evidência, precisamente porque ela aparece como evidência, deve ser manifestada e salvaguardada. | ||
| + | * O ser é tempo, ele é doação do presente. | ||
| + | * Essa doação do presente pode ser apreendida como doação do presente ou como doação do presente, conforme o pensamento escolhe colocar o acento no "il y a" ou no "o que há". | ||
| + | * Ser é tempo, tempo é ser, ser e tempo são An-wesen. | ||
| + | * O An-wesen diz a comunidade de todo ato de doação no dar puro. | ||
| + | * O ser é ele mesmo o movimento de sua própria doação. | ||
| + | * É porque ele está inscrito no mistério do dom que ele é dom. | ||
| + | * Esse dom não é outra coisa que ele mesmo, mas ele mesmo pode dizer outra coisa que esse dom. | ||
| + | * O Es gibt não é mais profundo que o ser, mas diz que o ser é ser e diz o ser que é o ser. | ||
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| + | * O desígnio de Heidegger não é encontrar mais profundo que o ser, mas aprofundar nossa estadia no ser. | ||
| + | * O objetivo é deixar-nos dizer a tenção de sua verdade e voltar lá onde já estamos. | ||
| + | * " | ||
| + | * A démarche heideggeriana não é, portanto, um ir-para-frente ou um ir-mais-fundo, | ||
| + | * O ser toma diferentes aspectos conforme o pensamento, à medida que prossegue a estadia junto de sua essência, aprende a olhar a tensão do desdobramento que é o ser. | ||
| + | * O retorno a si do si-mesmo, o retorno do si-mesmo ao lugar onde ele já e desde sempre tem seu sítio, a acensão ao pensamento de sua origem é um paradoxal caminhar imóvel. | ||
| + | * Ele não avança para um ponto fixo do espaço, mas gira no coração da essência a fim de liberar o pensamento mais originário da origem. | ||
| + | * Assim, "o tranquilo retorno para lá onde já estamos é finalmente infinitamente mais difícil que as corridas rápidas indo lá onde ainda não estamos" | ||
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