estudos:caron:reserva-ser-peos-1182
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| + | ====== reserva do ser (2005:1182) ====== | ||
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| + | * A manifestação da noite como luz exige reconhecer que a obscuridade não é simples ausência de claridade, mas um modo originário de iluminação que se vela para proteger tanto o que aparece quanto aquele a quem algo aparece. | ||
| + | * A noite só pode aparecer como noite porque é ela mesma luminosa, ainda que essa luminosidade exceda toda luz visível e, por isso, se manifeste sob a figura do escuro. | ||
| + | * A visibilidade da noite indica a existência de uma luz de outra espécie, distinta da luz condicionada que ilumina os entes na clareira. | ||
| + | * A luz noturna caracteriza-se por velar o próprio excesso, oferecendo-se como claridade atenuada para não consumir o olhar finito que a recebe. | ||
| + | * O velamento não é efeito secundário, | ||
| + | * A noite pacifica o olhar ao resguardar a desmedida da fonte luminosa. | ||
| + | * A distinção entre duas luzes torna-se decisiva, pois há uma luz derivada que ilumina os entes e uma luz originária que se reserva e só se manifesta como noite. | ||
| + | * A primeira corresponde à luz da clareira e do campo do visível. | ||
| + | * A segunda circunda e penetra a clareira sem jamais se oferecer como objeto iluminado. | ||
| + | * A noite aparece como condição para que haja espaço intervalar no qual cada ente possa surgir em sua singularidade e manter-se sem ser aniquilado pelo excesso de presença. | ||
| + | * A obscuridade cria distância, medida e lugar. | ||
| + | * Sem esse resguardo, nenhuma aparição seria suportável. | ||
| + | * A luz que se vela não renuncia à manifestação, | ||
| + | * O aparecer do ente é inseparável do não-aparecer da fonte. | ||
| + | * O ser doa ao ocultar-se. | ||
| + | * A noite deve ser pensada como profundidade própria da luz, e não como sua negação, pois é nela que a luz encontra a possibilidade de se tornar acessível. | ||
| + | * A noite é produtiva e geradora. | ||
| + | * Ela constitui o campo no qual a luz pode advir como luz habitável. | ||
| + | * A relação do si com a noite funda-se em uma comunhão estrutural, pois o si só pode acolher a manifestação na medida em que participa dessa reserva. | ||
| + | * A finitude do si exige a atenuação da luz. | ||
| + | * O velamento protege o si da aniquilação pelo excesso. | ||
| + | * A aparição da luz como noite indica que a desmedida quer manifestar-se como tal, mas apenas sob a condição de não destruir o ente que a manifesta. | ||
| + | * A luz se faz noite para que sua grandeza possa ser experimentada. | ||
| + | * O contraste é necessário para que a desmedida seja sentida. | ||
| + | * A finitude do Dasein não é obstáculo à manifestação, | ||
| + | * O si suporta a manifestação porque a luz se retrai. | ||
| + | * A fragilidade torna-se lugar de revelação. | ||
| + | * O ser não pode manifestar-se plenamente sem abolir toda fenomenalidade, | ||
| + | * Se tudo estivesse manifesto, nada poderia emergir. | ||
| + | * O velamento é necessário ao próprio desvelamento. | ||
| + | * A noite constitui o único modo pelo qual a luz incomensurável pode aparecer sem destruir aquilo a que se destina. | ||
| + | * A manifestação plena equivaleria a um fogo contínuo e insuportável. | ||
| + | * A reserva protege tanto o ente quanto a verdade do aparecer. | ||
| + | * O si ocupa um lugar decisivo nessa economia, pois é o ente para o qual o ser pode aparecer como ser. | ||
| + | * O ser se reserva para que haja um si. | ||
| + | * A dignidade da ipseidade é afirmada, não abolida, por essa economia doadora. | ||
| + | * A reserva do ser deve ser compreendida como pudor e como conservação, | ||
| + | * O velamento é resguardo. | ||
| + | * A reserva mantém em potência a possibilidade de novos surgimentos. | ||
| + | * A emergência jamais pode ser total, pois só há surgimento onde algo permanece ainda não surgido. | ||
| + | * A manifestação exige um fundo não manifestado. | ||
| + | * O surgir é essencialmente encoativo. | ||
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