estudos:caron:presenca-temporalidade-peos-ii-3-2
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| + | ====== ser - presença - presentação - temporalidade (2005:1599) ====== | ||
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| + | * O fato de o presente ser uma realidade orlada do não-ente que são o passado e o futuro foi assinalado pela tradição filosófica. | ||
| + | * Para Aristóteles, | ||
| + | * Não algo simplesmente nulo, um puro nada, mas algo que avança bem se desdobrando, | ||
| + | * Esse faltar é nomeado precisamente pelo "não mais" e pelo "ainda não", que ambos se referem ao agora. | ||
| + | * Contrariamente a essa concepção clássica que faz do agora a referência, | ||
| + | * Essa presença, halo de enigma de todo ente-presente, | ||
| + | * Isso significa que o presente deve ser pensado no desdobramento, | ||
| + | * O presente não tem a solidez de uma positividade absoluta sobre a qual se poderia apoiar como se fosse uma evidência. | ||
| + | * Carregado de uma espessura de abismo, ele é uma realidade vibracional. | ||
| + | * Pelo Dasein que o manifesta em sua presença, o presente canaliza a espuma do mundo subterrâneo. | ||
| + | * O presente vibra, jaz em suspenso no vazio daquilo que o concede. | ||
| + | * É no domínio aberto pelo Dasein que ele aparece simultaneamente no ser e em sua fragilidade. | ||
| + | * O presente ressoa do desdobramento que se diz nele e da presentificação que o faz avançar no aberto. | ||
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| + | * O pensamento do tempo adquire assim uma forma inédita e mantém-se para além da diferença tradicional entre o devir e o permanente. | ||
| + | * Ele retoma cada um desses dois termos no seio de um mesmo desdobramento. | ||
| + | * Sendo, o presente desdobra-se nesse espaço que lhe dá de ser, portanto torna-se. | ||
| + | * E tornando-se, | ||
| + | * Ultrapassando e reintegrando os clivagens tradicionais, | ||
| + | * O temporal significa o transitório, | ||
| + | * O próprio tempo passa. | ||
| + | * Mas o tempo passando constantemente, | ||
| + | * Permanecer significa: não se esvanecer, portanto: avanço do ser, isto é, ser no movimento de aproximação que é a entrada na presença. | ||
| + | * O tempo passa, portanto, infinitamente o tempo que passa. | ||
| + | * O tempo é em si mesmo ser, o elemento de presentificação em que o ato de ser faz e deixa ser o ente-presente. | ||
| + | * Com a palavra " | ||
| + | * Quer-se dizer "o espaço livre do tempo", | ||
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| + | * Assim, o ser é presença, e toda presença, enquanto espaço de surgimento, é apresentação, | ||
| + | * Toda apresentação é co-originariedade das três ekstases do futuro, do passado e do presente. | ||
| + | * Nelas, todo ente se desdobra, é e torna-se. | ||
| + | * As três ekstases que vimos constituir a estrutura do Dasein pertencem ao ser. | ||
| + | * O ser, enquanto apresentação, | ||
| + | * A estrutura do Dasein, a temporalidade do si-mesmo, é o próprio ser-temporal. | ||
| + | * O ser-temporal dá assim a um ente o fundo-essencial de seu próprio ser para poder como tal manifestar-se. | ||
| + | * O que Heidegger diz sobre a tridimensionalidade ekstática do tempo em "Tempo e Ser" é idêntico ao que dizia em "Ser e Tempo" | ||
| + | * A diferença é que é doravante o ser que porta em sua Mesmidade essa tripla dimensão, e não mais o si-mesmo em sua ipseidade, que é apenas seu lugar-tenente. | ||
| + | * O tempo verdadeiro é a proximidade do desdobramento do ser a partir do presente, do ter-sido e do futuro. | ||
| + | * É uma proximidade que unifica seu dar triplamente esclarecedor. | ||
| + | * O tempo sempre atingiu o homem de tal modo que ele não pode ser homem senão mantendo-se no coração dessa ternária doação. | ||
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