estudos:caron:pensamento-do-si-peos-363
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| + | ====== instalação do pensamento do si (2005:363) ====== | ||
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| + | * A atitude grega inicial em relação à verdade é compreendida como aquilo que está fora do retraimento, | ||
| + | * O conceito de aletheia expressa uma estrutura privativa, assinalando a libertação de algo, a saber, do estado de retraimento | ||
| + | * A experiência grega original do verdadeiro não exclui a consciência do retraimento, | ||
| + | * O si inicial vive numa tensão entre a consciência do mistério e a ação contra o mistério, sem uma unidade pensada destes aspectos | ||
| + | * A experiência originária do ser envolve uma superposição, | ||
| + | * A consideração do desvelado ocorre dentro do horizonte desta associação, | ||
| + | * A ausência de acesso ao si como aquele que negocia tanto com o obscuro quanto com a clareza permite uma deriva potencial | ||
| + | * O si se vê compelido a arrancar o ente ao retraimento, | ||
| + | * A passagem dos primeiros gregos a Platão não constitui uma ruptura violenta, mas a exploração de uma possibilidade já presente | ||
| + | * O não questionamento da relação ser/si, com ambos postos como independentes, | ||
| + | * O si pode criar para si um mundo luminoso à imagem de sua própria visão, sem interrogar a possibilidade mesma de tal domínio sobre o preponderante | ||
| + | * Heidegger contrasta a posição de Platão com a de Teeteto, que identifica saber com aisthesis | ||
| + | * É necessário recuperar o sentido grego de aisthesis como ser-percebido de algo, como uma forma de fora-do-retraimento | ||
| + | * A resposta de Teeteto é conforme à relação inicial grega com o ser, pois a aisthesis parece ser a maneira mais imediata de algo estar fora do retraimento | ||
| + | * Platão, ao opor-se, não contradiz o fundamento dessa relação, mas a radicaliza | ||
| + | * A oposição não é entre intelectualismo e empirismo, mas entre níveis de desvelamento | ||
| + | * Platão opõe à aisthesis o logos, que, através da dialética, permite a ascensão ao mais visível, à Ideia | ||
| + | * O movimento é do aisthanesthai para o noein, para uma qualidade superior de desvelamento, | ||
| + | * A doutrina platônica representa um avanço, mas não uma ruptura, em relação à dobra inicial do espírito grego | ||
| + | * Há um cumprimento de uma atitude que constata o abismo mas deseja a inteligibilidade | ||
| + | * A colocação-em-vista torna-se mais radical, com meios doutrinais, levando a consequência do arrancamento ao retraimento ao seu extremo | ||
| + | * Instala-se uma doutrina geral do ente como aquilo mais acessível à vista mais liberta de todo retraimento | ||
| + | * Heidegger descreve a evolução da consciência do retraimento para a vontade de instalação no fora-do-retraimento | ||
| + | * O ente é primeiro experimentado em seu retraimento; | ||
| + | * A liberação do ente do retraimento e a instalação do si no ente assim liberado são um único movimento | ||
| + | * Platão é o fruto maduro desta árvore, aquele que levou ao extremo uma possibilidade do espírito grego | ||
| + | * O que poderia ter evitado o caminho para o aberto sem retraimento seria a assunção do pensamento da ligação entre ser e si | ||
| + | * A ausência deste pensamento permitiu que o si fosse considerado de modo independente do ser, como se a separação fosse possível e não uma possibilidade inscrita no próprio ser | ||
| + | * Os gregos não pensaram a diferença entre ser e ser-homem como uma possibilidade do ser | ||
| + | * Estabelecida a possibilidade de liberação na zona da luz, Platão extrai suas consequências, | ||
| + | * Ele evita assumir a associação entre velamento e desvelamento, | ||
| + | * Platão trata apenas do que é requerido para que o ente enquanto tal esteja fora do retraimento, | ||
| + | * A perda do fundamento da zona luminosa é pressuposta e estabelecida desde o início | ||
| + | * O solo é perdido ao ser colocado no que é derivado, iniciando a história da perda do solo pelo homem ocidental | ||
| + | * O combate presente na tragédia desaparece em Platão, pois a aletheia é apreendida como algo que pertence ao ente | ||
| + | * O conceito de luta é central para entender a mudança | ||
| + | * Em Platão, a luta do si contra o retraimento desaparece; a escuridão da caverna é vista como erro, não como retraimento | ||
| + | * A noção de pseudos só pode aparecer uma vez que a luz é posta como princípio | ||
| + | * A perda da consideração pela espessura do retraimento é decisiva | ||
| + | * Lethe perde sua consistência própria, deixando de ser motivo de combate; apenas o pseudos deve ser combatido | ||
| + | * A aletheia como relação de força, como arrancamento contra o retraimento, | ||
| + | * A verdade é pensada em graus comparativos dentro do aberto sem retraimento | ||
| + | * Na alegoria da caverna, o fora-do-retraimento se desdobra em sombras e coisas, ambos acessíveis, | ||
| + | * O homem deixa de ser o mais inquietante face ao abismo para aquele que corre risco ao não se situar na pura clareza | ||
| + | * O conhecimento propriamente dito é entendido como ver, theorein | ||
| + | * A visão é paradigmática; | ||
| + | * O ver próprio ao si implica um vínculo com a permanência de uma plena presença | ||
| + | * O si é aquele que vê e se considera portador de luz | ||
| + | * A dimensão noturna, compreendida na capacidade de se reportar ao ser, é afastada e esquecida | ||
| + | * A escuridão é invertida: deixa de ser originária para ser derivada e dependente da luz | ||
| + | * O ser-homem é definido em relação à luz e à sua essência de estar no fora-do-retraimento | ||
| + | * A escala do ente e a escala do homem estão em contraponto estreito | ||
| + | * Para ser si mesmo, o si deve seguir os graus do ente, ascendendo a sempre mais fora-do-retraimento | ||
| + | * A sabedoria consiste em escolher no ente o que é dado como o mais sendo | ||
| + | * A interpretação do mundo e a autointerpretação estão estreitamente conectadas | ||
| + | * A falta de sabedoria traz obscurecimento; | ||
| + | * O logos é compreendido em seu poder descobridor e reunidor | ||
| + | * O sentido fundamental de legein é colher, recolher, expor, propor | ||
| + | * O logos é o modo mais imediato de descobrir, assumindo primordialmente a função do aletheuein | ||
| + | * Em Platão, o logos vê seu poder de desabrigamento aumentado quando dominado no dialegesthai | ||
| + | * O dialegesthai é uma perfuração discursiva que visa a um enunciado de bom teor sobre o ente mesmo | ||
| + | * O diálogo é um comunicar que permite um desvelamento mais forte pelo compartilhamento | ||
| + | * A dialética permite uma perfeita travessia do visível e é a arte que o si deve possuir para atingir o próprio | ||
| + | * O logos encontra sua plena dimensão de desabrigamento na dialética, que é o modo primordial de declausura do ente | ||
| + | * A questão do si em Platão não é a da possibilidade do si no ser originariamente velado, mas a do meio pelo qual o ser como luz é alcançado | ||
| + | * A busca do ser e a busca do si estão associadas; o si se torna divino ao comunicar-se com a clareza | ||
| + | * A decisão para a filosofia é uma decisão de existência orientada não apenas para o logos, mas para o dialegesthai | ||
| + | * O logos, para permanecer fiel à sua função de deloun, deve elevar-se à função perfurante do dialegesthai | ||
| + | * O paradigma da visão e do projeto de uma visão organizadora e totalizante permanece central | ||
| + | * O papel do filósofo é o de discernir e articular o todo segundo suas juntas naturais, através da diairesis | ||
| + | * O dialegesthai se desdobra em sunagoge e diairesis, ambas formas de um único descobrimento | ||
| + | * Embora a posição do homem pareça depender de uma ordem prévia, é o olhar do homem que determina a doutrina | ||
| + | * O que se vê do ser depende do que se aceita ver; o acesso ao verdadeiro fundo permanece uma possibilidade | ||
| + | * Platão tematizou o contato do olhar com o ente quando este se atém apenas à sua possibilidade de encontro e abandona sua capacidade para o mistério | ||
| + | * A redução do ser ao ente presente é o correlato da redução do ser à vista imediata | ||
| + | * Com a colocação das Ideias no princípio, todos os elementos dissimulados no ente são esclarecidos | ||
| + | * O que era aletheia como desdobramento do ser torna-se agora papel das Ideias | ||
| + | * As Ideias são o mais fora-do-retraimento, | ||
| + | * O si que deseja progredir deve dirigir-se à essência do ente, às Ideias | ||
| + | * O desejo de ver visa a tornar próprio o ente, acessando as ligações luminosas entre os entes para um uso harmonioso | ||
| + | * O papel do filósofo platônico é colocar sob a vista e "olhar de alto", organizando o mundo sob a luz sinóptica | ||
| + | * A capacidade de dialética permite ao si comunicar-se com a luz, atravessar o ente e desabrigá-lo da melhor forma | ||
| + | * A doutrina platônica se estabelece sobre o fundo de uma vitória total do si descobridor sobre a lethe | ||
| + | * A capacidade de desabrigamento pertence à natureza do ser-homem | ||
| + | * A questão heideggeriana é a da origem dessa capacidade, nunca considerada por Platão | ||
| + | * A verdade é maior que o homem; o que o homem é vem do ser, mas este vínculo não é levado em conta | ||
| + | * Para Heidegger, o si libera o espaço de jogo onde o ente aparece; esta capacidade, e não seu uso, deve tornar-se a Coisa do pensamento | ||
| + | * Para Platão, a questão é a forma como o olhar descobridor deve submeter a totalidade do desvelado, o que depende da luz posta como princípio | ||
| + | * O si se cumpre num relato ao que mais merece ser visto, presuposto como visível | ||
| + | * A ipseidade mais própria confunde-se com o campo de visibilidade possível | ||
| + | * O Bem é uma Ideia que brilha, concede a visão e é, portanto, visível e conhecível | ||
| + | * O Bem conjuga o olhar do si e a luz do ente, tornando-os indissociáveis para a eficácia da capacidade de desabrigamento | ||
| + | * O agathon é uma potência potencializante que permite ao si decidir sobre o uso do ente em totalidade | ||
| + | * O si é o olho da alma, tendo um relato originário com a luminosidade primeira | ||
| + | * O poder-ver e o poder-ser-vido são mantidos sob o mesmo jugo da luz | ||
| + | * A luz possui o caráter do através, do diafano, que abre passagem ao olhar e permite às coisas mostrar-se | ||
| + | * O problema da comunicação das Ideias no Sofista visa possibilitar o exercício do dialegesthai pelo si | ||
| + | * A transformação do não-ser em um gênero do ser, o " | ||
| + | * O ser é pensado como dynamis do koinonein, como ser-suscetível-de enquanto ser-conjuntamente | ||
| + | * Platão faz um uso do não-ser, integrando-o ao ser para torná-lo fluido e dar legitimidade perfurante ao legein | ||
| + | * O não-ser é reduzido à luz, tornando-se abertura da Ideia à diferença dentro da identidade na luz do Bem | ||
| + | * O espaço do ser, sombrio, é ocultado em favor daquilo a que ele dá acesso | ||
| + | * A vontade platônica é organizar o espaço do ente, não localizar o espaço do ser | ||
| + | * O não-ser é apreendido como outro-ente, perdendo sua carga misteriosa | ||
| + | * O não-ser reduzido a eidos completa a redução platônica do si à zona de claridade | ||
| + | * O não-ser é tornado perfeitamente visível e consistente, | ||
| + | * O ser mesmo, não-ente, é perdido de vista em favor da luz derivada considerada originária | ||
| + | * A metafísica utiliza o espaço do ser, do qual o si tem pré-compreensão, | ||
| + | * O si se vê proibido de reportar-se ao não-ente, fundo de toda presença | ||
| + | * A vista é entregue a si mesma, cortada do fundo obscuro de onde advém | ||
| + | * Com Platão, o homem conquista o aberto sobre o retraimento, | ||
| + | * O si é constantemente convocado para tornar visível, como receptáculo da luz que faz aparecer os entes segundo suas Ideias | ||
| + | * A obscuridade da caverna e a obscuridade do ser não são comparáveis | ||
| + | * As sombras da caverna pertencem ao distrito da luz, são claridades diminuídas, | ||
| + | * O inquietante e seu lugar próprio desaparecem do pensamento | ||
| + | * Com Platão consuma-se a reviravolta que afasta o velamento prepotente e o faz cair no esquecimento | ||
| + | * O não-ser é reduzido a Ideia; o ser é considerado luz cuja fonte não é buscada | ||
| + | * O si é pensado como requerido para o aparecimento dos entes em seu ser-ideal, cumprindo-se na posta-em-luz da dialética | ||
| + | * O si possui um relato primordial com a luz, mas a questão da possibilidade de apreender o mais obscuro não é colocada | ||
| + | * A única obscuridade presente em Platão é uma distorção feita à luz, que o si deve superar | ||
| + | * A relação com o inquietante, | ||
| + | * O si perde a possibilidade de referir-se ao seu próprio ato de ver, fixando sua essência em sua essência derivada | ||
| + | * O si se entifica, perde sua morada ao desviar-se do inquietante, | ||
| + | * Platão é a virada decisiva que introduz a filosofia na metafísica ou no esquecimento da noite do ser | ||
| + | * Todos os grandes pensadores serão inconscientemente determinados pelas escolhas de Platão | ||
| + | * A metafísica advém quando o ente em sua visibilidade torna-se a medida do ser e do si | ||
| + | * Este movimento é possível porque o si é levado em sua essência para o que lhe parece oferecer-se com mais segurança: o visível e a luz, não o inquietante | ||
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