estudos:caron:olhar-fenomenologico-peos-296
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| + | * A crítica à fenomenologia de Husserl assenta na questão do primado da evidência e do visível. | ||
| + | * A abordagem de Husserl opera sob o " | ||
| + | * Esse princípio estabelece a evidência como norma onipresente e onipotente, limitando o recebimento do dado aos limites em que ele se dá. | ||
| + | * A máxima "às coisas mesmas" | ||
| + | * A ausência de pressuposição husserliana significa, portanto, a posição de uma esfera de evidência realizada como redução. | ||
| + | * Heidegger propõe uma radicalização da fenomenologia através de uma modificação fundamental da sua máxima orientadora. | ||
| + | * A distinção crucial opera-se entre as " | ||
| + | * A referência às Sachen corresponde a uma afirmação do pensamento no seu estado, sem questionar a sua essência ou origem. | ||
| + | * A referência à Sache implica precisamente o questionamento da essência do pensamento e do seu horizonte ontológico possível. | ||
| + | * O princípio husserliano não determina o que são essas " | ||
| + | * Para Heidegger, a evidência não é evidente por si mesma, pois está envolvida no mistério da sua própria presença e permite um contacto com o obscuro. | ||
| + | * A fenomenologia não se pode medir pelo padrão da ideia de ciência, pois este já pressupõe a subjetividade transcendental como fundamento. | ||
| + | * A análise revela uma pressuposição circular na base do projeto husserliano. | ||
| + | * O " | ||
| + | * Este princípio só pode ser enunciado porque a consciência já foi implicitamente posta como fundamento de toda a filosofia. | ||
| + | * O princípio precede e motiva a redução, mas o seu resultado (o eu puro residual) é, ele mesmo, o fundamento do princípio. | ||
| + | * Este círculo estigmatiza a pressuposição fundamental da interpenetração entre subjetividade e evidência. | ||
| + | * O si mesmo heideggeriano distingue-se radicalmente do sujeito husserliano pelo seu acesso ao ser. | ||
| + | * O si mesmo só tem acesso ao ente ou a si próprio através de uma pré-compreensão daquilo que é em si mesmo obscuro. | ||
| + | * Esse obscuro não é um nada, mas o não-ente que concede o espaço para uma escuta, o " | ||
| + | * O ser é o pré-potente (Überwältigend), | ||
| + | * A tarefa da fenomenologia heideggeriana é tornar-se uma " | ||
| + | * Contra Husserl, para quem ser é estar presente e dado integralmente à intuição, Heidegger afirma que o " | ||
| + | * O inaparente é o fundamento do fenômeno, pois todo fenômeno, para chegar à presença, deve sair de um domínio primário de velamento. | ||
| + | * O fenômeno só é verdadeiramente fenômeno no sentido etimológico grego: ao avançar para o visível a partir do inaparente. | ||
| + | * A fenomenologia torna-se, assim, um caminho que se deixa mostrar aquilo diante do qual é conduzido: o inaparente. | ||
| + | * Esta reorientação implica uma transformação radical do conceito de consciência e do lugar da ipseidade. | ||
| + | * A consciência (Bewusstsein), | ||
| + | * O Dasein não é um sujeito, mas o ser-aí, o lugar onde o ser aparece, caracterizado por estar numa abertura. | ||
| + | * O fundamento do " | ||
| + | * A consciência é, portanto, ser-em-uma-abertura para o ser, e não o inverso. | ||
| + | * A redução fenomenológica é conduzida a um auto-transcendimento que a reconduz ao ser. | ||
| + | * A redução radical heideggeriana não remove o ente, mas visa tornar radicalmente presente o seu caráter de ser. | ||
| + | * A " | ||
| + | * O resultado da redução do eu puro à sua pureza é a relação pré-compreensiva com o ser, o único resíduo radical. | ||
| + | * Liberado o ser, o si mesmo aparece mantendo-se junto ao ente que visa, para além da diferença entre interior e exterior. | ||
| + | * A fenomenologia culmina como pensamento do ser a partir do seu retraimento. | ||
| + | * O ser mesmo é retraimento, | ||
| + | * A tarefa do pensamento não é iluminar ou manipular o invisível, mas abrir-se ao seu reinado e guardar o seu mistério. | ||
| + | * O pensamento deve suportar a obscuridade primeira do ser, honrando o seu abismo sem o ofender, num " | ||
| + | * A história da filosofia é percorrida de forma desconstrutiva para libertar progressivamente o olhar, de modo a que o si mesmo possa pensar-se no que tem de mais originário e próprio: a sua relação íntima com a noite originária do ser. | ||
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