estudos:caron:legein-peos-1229
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| + | ====== legein, logos e noûs expressam a ipseidade (2005:1229) ====== | ||
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| + | * A realidade humana inscrita no ser expressa-se na e como a ipseidade, especificamente no próprio pensamento e suas estruturas. A questão "o que significa pensar?" | ||
| + | * O que os gregos chamaram de legein e noein traz à fala, pela primeira vez, a essência do pensamento e a estrutura da ipseidade, saturadas da proximidade à origem (Ursprung). É necessário investigar como a estrutura do logos e do noûs expressa a ipseidade. | ||
| + | * A lógica tradicional, | ||
| + | * A lógica não se reflete sobre o fato de que seu objeto (o pensamento) é idêntico ao sujeito que a pratica. Ela trabalha sobre um fenômeno cortado de sua própria fenomenalização, | ||
| + | * A ciência em geral, e a lógica em particular, parecem condenadas a não refletir sobre suas fundações. A lógica nasce quando a filosofia grega se torna uma questão de escola, no momento em que o ser (eidos, ousia) se torna " | ||
| + | * A lógica é uma invenção dos mestres de escola, não dos filósofos. Ela tem um caráter derivado, pois não pensa o que faz e omite o fundamental: | ||
| + | * O logos, antes de significar discurso ou razão, possui um sentido originário de colher, recolher, pôr junto (legein, legere). Esta atividade envolve um duplo movimento aparentemente contraditório: | ||
| + | * Analisando o ato de recolher (die Lese), descobre-se uma estrutura tripla guiada por uma finalidade: 1) colher/ | ||
| + | * Heidegger nomeia esta unidade com a palavra Sammeln (recolher), e sua realização como Versammlung (reunião, recolhimento). O recolhimento (como em uma antologia) implica seleção (Auslese), uma escolha prévia (Vor-lese) guiada pelo cuidado com o que se recolhe. | ||
| + | * Esta seleção prévia (Vor-lese) introduz a partícula vor, que significa tanto " | ||
| + | * A verdade da seleção é o ato de " | ||
| + | * O logos é, portanto, um lassen (deixar), mas um deixar ativo, idêntico ao recolhimento (Versammlung). Ele é a simultaneidade paradoxal de amassar (recolher para dentro) e estender (deixar ser para fora). | ||
| + | * A atividade fundamental do logos é uma totalização não totalitária do ente, não sob a égide de um ente supremo, mas sob o expoente do " | ||
| + | * O logos é a presença da physis no coração do pensamento. No homem, a atividade de emergência (Seinlassen) própria da physis está presente como logos. O pensamento em ação na realidade humana é, em sua essência, physis. | ||
| + | * O logos deixa o ente ser, reúne o ente para o deixar ser. Ele é a abertura mesma do pensamento, que só pode raciocinar após ter sempre já deixado ser aquilo a que se refere. Antes de tudo, o logos estabelece o ente como não-sistema, | ||
| + | * No legein, inscreve-se um duplo movimento simultâneo de inter-exteriorização. Nele, é o ser como prepotência do deixar-ser que se desdobra. O Logos (escrito com maiúscula) é muito mais que uma atividade humana; é uma modalidade do ser. O pensamento como logos está reinserido no ser, cuja verdade é ela mesma Logos. | ||
| + | * O Logos é o desdobramento do ser como aletheia; ele reúne e deixa emergir. Ele é a atividade de desobstrução da physis, atividade que se associa a um logos, a um si-mesmo no qual ela se prolonga e se completa. | ||
| + | * O si-mesmo ouve a palavra do Logos, existe a partir dessa palavra que lhe diz silenciosamente: | ||
| + | * Com o Logos, é a eclosão possibilitada pelo deixar-ser que se afirma como princípio fundamental do ente. O ente não é mais totalizado em torno da prepotência de um ente supremo, mas em torno da prepotência do ser que não é nenhum ente. O ente não é encerrado no Logos, mas propriamente expresso (ex-primido) por ele. | ||
| + | * A Versammlung do Logos é a afirmação da prepotência deste jorrar universal, que recolhe as coisas em si apenas para as pôr a salvo e preservá-las em sua independência. O ser, como Logos, é totalmente indeterminável como um ente. Ele é o que liga todas as coisas, mas age como uma impulsão que as lança ao Aberto. | ||
| + | * O Logos é a " | ||
| + | * O si-mesmo é necessário na economia geral da aletheia. Sem ele, nenhum ente seria banhado pelo vazio suficiente para sua manifestação. Este papel essencial é nomeado, de modo impensado, pelo termo grego logos. | ||
| + | * O logos como estrutura do si-mesmo é o cumprimento do Seinlassen (deixar-ser). O ser desvela o ente graças à abertura de um comportamento (o Dasein) e, com isso, desvela-se a si mesmo como ser. Mais ainda: o ser desvela um ente para se desvelar a si mesmo, para ser pensado. | ||
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