estudos:caron:jogo-do-retiro-peos-1132
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| + | ====== estrutura do si tomada no jogo do retiro (2005:1132) ====== | ||
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| + | * A questão “quem?” constitui a via originária pela qual o Dasein se reporta ao seu próprio ser, revelando que sua relação ao ser é desde o início relação com algo enigmático, | ||
| + | * O si encontra-se a si mesmo como problema não por introspecção psicológica, | ||
| + | * A questão “quem?” não solicita uma determinação substancial, | ||
| + | * Longe de conduzir ao individualismo, | ||
| + | * A ipseidade não é compreendida como fechamento egológico, mas como exposição à questão do ser. | ||
| + | * A pergunta pelo “quem” rebaixa toda subjetividade entendida como instância autônoma e auto-fundante. | ||
| + | * A questão “quem?” não é colocada pelo Dasein como iniciativa soberana, mas lhe é dirigida pelo próprio ser, razão pela qual a ipseidade se apresenta como não familiar, inquietante e penosa. | ||
| + | * O si não é o autor da questão que o constitui, mas aquele a quem a questão é endereçada. | ||
| + | * Essa passividade originária indica que a ipseidade é regida pelo ser e não o inverso. | ||
| + | * O ser se caracteriza essencialmente como velamento que se volta para o si ao mesmo tempo em que se desvia, de modo que o si se encontra estruturalmente relacionado à obscuridade e ao mistério. | ||
| + | * O ser não se oferece como presença plena, mas apenas na diferença em relação ao ente. | ||
| + | * A perpétua esquiva do ser constitui o envio da questão ao si. | ||
| + | * Ao se reportar ao ser, o si se reporta a uma obscuridade fundamental, | ||
| + | * A questão “quem?” emerge como expressão dessa relação constitutiva ao mistério. | ||
| + | * No si, questão e resposta coincidem estruturalmente. | ||
| + | * A pergunta “o que é?” não se acrescenta posteriormente ao si, mas é constitutiva da ipseidade enquanto tal, pois o Dasein é aquele cujo ser consiste em questionar em direção ao ser de todo ente e de si mesmo. | ||
| + | * O questionar não é uma atividade ocasional, mas o modo de ser do Dasein. | ||
| + | * A ipseidade coincide com a pré-compreensão do ser enquanto questão. | ||
| + | * O Dasein é definido simultaneamente como pré-compreensão do ser e como questão, pois só há questão possível onde já está tecida uma relação com a enigma do “há”. | ||
| + | * A relação ao ser precede toda interrogação explícita. | ||
| + | * O si é a própria tessitura dessa relação. | ||
| + | * Mantendo-se em retiro em relação ao ente, o Dasein pode ter acesso ao ser do ente e interrogar o ser enquanto ser, pois o ser é ele mesmo retiro. | ||
| + | * O acesso ao ser exige distanciamento em relação à instantaneidade do ente. | ||
| + | * O Dasein persevera no olhar dirigido ao ser enquanto ser. | ||
| + | * Exposto no fundo ao retiro do ser, o si recebe dele a função de ser-desvelador no interior do desvelamento ontológico. | ||
| + | * Cada ente interpela o si exigindo manifestação. | ||
| + | * O si responde tentando fazer aparecer o ente em sua independência. | ||
| + | * Todo desvelamento depende do Dasein e de sua pertença ao jogo do desvelar, mas o próprio desvelamento se abre sobre um vazio possibilitador. | ||
| + | * Esse vazio não é carência, mas condição de possibilidade de todo aparecer. | ||
| + | * A manifestação exige espaço, e esse espaço é concedido pelo velamento. | ||
| + | * A estrutura ontológica do si consiste na interpenetração do velamento e da manifestação em um único ato. | ||
| + | * O si é domínio ekstatico da abertura e do retiro do ser. | ||
| + | * O desvelar não elimina o velar, mas o pressupõe. | ||
| + | * A ipseidade é o lugar onde uma clareira desveladora se produz, razão pela qual o si é essencialmente Lichtungsein. | ||
| + | * Há um vínculo fundamental entre si e Lichtung. | ||
| + | * A clareira não pertence ao homem como propriedade, | ||
| + | * A liberdade constitui a essência da verdade predicativa enquanto relação pela qual o homem compreende o ser e manifesta o ente. | ||
| + | * O comportamento do si é regido pela liberdade e não por si mesmo. | ||
| + | * A liberdade permite transcender o ente e deixá-lo aparecer em totalidade. | ||
| + | * O deixar-ser, próprio da liberdade ek-sistente, | ||
| + | * O velamento pertence ao próprio desvelamento. | ||
| + | * O si contém simultaneamente um desvelamento e um velamento originário. | ||
| + | * O par velamento/ | ||
| + | * Pensar o ser exige pensar essa unidade difícil. | ||
| + | * A verdade não é pura claridade, mas jogo essencial de ocultação e manifestação. | ||
| + | * A aletheia deve ser pensada como unidade do desvelamento e do velamento, e não como simples extração do ente para fora da noite. | ||
| + | * A lethe não é o contrário acidental da verdade, mas sua fonte. | ||
| + | * O desvelamento procede do velamento. | ||
| + | * O velamento não é um efeito secundário do ente, mas o próprio ser enquanto origem que se resguarda em seu desdobramento. | ||
| + | * O ser vela-se ao dar lugar ao ente. | ||
| + | * A obscuridade é constitutiva da luz. | ||
| + | * O si não é a causa do velamento, mas é ele mesmo dissimulação porque é atravessado originariamente pelo velamento do ser. | ||
| + | * A fraqueza do si deriva da maneira como o ser se dispensa. | ||
| + | * O si só pode deixar-ser o ente porque o ser recua. | ||
| + | * A ipseidade consiste em acompanhar o retiro do ser, estando ao mesmo tempo diante do ser e no ser. | ||
| + | * O si prolonga o retiro e o vê. | ||
| + | * O si é relação originária ao retiro. | ||
| + | * O si verdadeiro advém quando sustenta a prova da noite e retorna a si após ter habitado a obscuridade do dom. | ||
| + | * A ipseidade autêntica não elimina o velamento. | ||
| + | * O si é o lugar-tenente do não-ente. | ||
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