estudos:caron:gegenwart-peos-ii-3-2
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| + | ====== presente, aquilo que faz encontro, o Gegen-wart (2005:1599) ====== | ||
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| + | * Enquanto o pensamento permanece capaz de se dirigir para além de alguma realidade para interrogar sua proveniência, | ||
| + | * É que o si-mesmo não está ainda pronto para construir sobre sua terra natal. | ||
| + | * Assim, enquanto o si-mesmo não está no ekstático puro, ele não está em casa. | ||
| + | * E ele não está no ekstático puro enquanto pode questionar para algo que não é pensado como ekstático puro. | ||
| + | * Até o momento em que, questionando para o ekstático enquanto tal, ele pertence a esse ekstático ele mesmo, ao mesmo tempo que o leva à questão e pelo próprio fato de que o leva à questão. | ||
| + | * Por enquanto, o pensamento pode questionar para o Es que dá tempo e que dá ser. | ||
| + | * Esse Es não está ainda pensado em sua verdade, o que prova que permanece ainda um alhures cujo agir não foi fixado no tempo nem no ser. | ||
| + | * O tempo e o ser só chegaram a esse mesmo mistério que eles são. | ||
| + | * É preciso pensar o vínculo desse Es com aquilo que ele dá. | ||
| + | * Para pensar o ente como ente, é preciso transcender para o ser. | ||
| + | * Mas para pensar a verdade do ser ou do tempo que lhe é idêntico, é preciso igualmente transcender para um elemento que não está "para além" do ser e do tempo. | ||
| + | * É um elemento que no ser e no tempo permite relacionar-se a eles. | ||
| + | * A esse elemento, doravante, as denominações " | ||
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| + | * O Es dá ser, presença; ele é assim o ser, o tempo. | ||
| + | * Mas o Es que dá o ser e o tempo, o que é? | ||
| + | * Ser e tempo dão o presente. | ||
| + | * O presente é aquilo que faz encontro, o Gegen-wart. | ||
| + | * Cada presente é um ente, um a-cada-vez, um Jetzt, um agora, algo presentemente disponível, | ||
| + | * A soma dos " | ||
| + | * A partir do presente, tem lugar, da parte do pensamento calculante que quer permanecer no aberto para se preservar do inquietante, | ||
| + | * Esse processo separa cada presente de todo outro presente, isola-o, e encadeia em seguida cada agora assim obtido. | ||
| + | * O resultado é o que ele chama de modo derivado de tempo, um tempo que não tem nada de originário, | ||
| + | * Mas sabemos que, longe de descer do presente para o agora e do agora para o sistema mecânico e indiferenciado do tempo intramundano, | ||
| + | * Ele se atém bem mais essencialmente a tomar sob guarda o jorramento de todo presente: o ser-temporal da " | ||
| + | * O presente não é algo de simplesmente aí subsistente, | ||
| + | * É por isso que convém remontar do Gegenwart para aquilo que permite uma tal vinda ao encontro: a presença ela mesma. | ||
| + | * Em seguida, convém remontar dessa presença para aquilo que destina igualmente sua extensão, seu espaço. | ||
| + | * Remonta-se para aquilo que dá o espaço livre da clareira, o ser-tempo como An-Wesen irrigado pelo Es gibt que concede seu Lassen. | ||
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| + | * Reencontramos assim os três graus já evocados. | ||
| + | * Primeiro grau: o presente dos entes no espaço desbravado da presença, a clareira do ser. | ||
| + | * Segundo grau: esse espaço ele mesmo surgido no meio da espessura arborizada da negrura florestal que o cerca, o Anwesenlassen. | ||
| + | * Terceiro grau: a iluminação em si não luminosa do ser, o ato de clareira, a clareira. | ||
| + | * A clareira tem "esse caráter de se abrir em clareira, e, no coração dessa clareira, do presente pode advir como presente" | ||
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| + | * Bem longe de pensar o presente na direção do recorte infinito e indefinido ao qual ele pode dar prise, Heidegger o pensa na direção da unidade viva ou da Mesmidade que ele encarna. | ||
| + | * Se a presença surge, é, da mesma maneira que a clareira toma lugar no meio da floresta sombria, a partir da ausência. | ||
| + | * É aqui que a possibilidade da transcendência do si-mesmo dá a medida. | ||
| + | * Se a presença é compreendida como desdobramento de uma estadia à qual o homem pode relacionar-se, | ||
| + | * No ser-tempo, presente, passado e futuro são co-originários. | ||
| + | * Todo surgimento tem lugar na coesão de seus três princípios ekstáticos. | ||
| + | * Todo ente presente toma lugar e pode ser presentificado por aquilo que, tendo-sido, constitui seu horizonte. | ||
| + | * O par do futuro e do passado é a lethe que cerca todo presente – o vazio de onde ele surge e para onde retorna. | ||
| + | * É ela que lhe dá de se desdobrar e de se manter nesse desdobramento. | ||
| + | * Assim, se existem bem três modos no ser-temporal, | ||
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| + | * Quando o tempo é dividido em três partes distintas, estas mostram-se irredutíveis uma à outra. | ||
| + | * O presente é outra coisa que o passado, ele mesmo diferente do futuro, etc. | ||
| + | * Permanece impossível, | ||
| + | * Mas vimos como o pensamento heideggeriano da temporalidade reverte esse esquema. | ||
| + | * O presente só advém no meio da lethe, portado pela " | ||
| + | * Ele pode, desdobrando aquilo que lhe foi dado por esse passado, constituir assim seu futuro de desdobramento. | ||
| + | * O futuro é aquilo que presentifica tendo sido. | ||
| + | * "Wesen (desdobrar seu ser) significa Währen (ser como manere). Mas muito rápido nos damos por satisfeitos compreendendo Währen como puro e simples durar, e apreendendo a duração, ao fio condutor da representação corrente do tempo, como porção de tempo se estendendo desde um agora até aquele que segue." | ||
| + | * " | ||
| + | * "O avanço do desdobramento do ser avança vindo a nós (esse vir-a-nós sendo aquilo que nos importa, aquilo que nos olha); presença (Gegenwart), | ||
| + | * A presença é bem a comunhão das três ekstases temporais. | ||
| + | * A presença presentifica, | ||
| + | * O tempo é An-Wesen, um único processo de diferenciação que é a presença ela mesma enquanto ser-temporal. | ||
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| + | * A presença é a reserva do ser que permanece a salvo para poder continuar a emergir como presença através do presente. | ||
| + | * Ela preserva – equilibrando e adaptando a luz de seus dons – o olhar do homem em quem ela se faz aparecer. | ||
| + | * A presença é a reserva sustentada pela dobra do ser e do ente, portada pela essência do homem. | ||
| + | * A estrutura temporal do ser se diz na Mesmidade. | ||
| + | * A Mesmidade porta em si a manifestação de si mesma pela produção do ente. | ||
| + | * O ente manifesta aquilo de onde provém, de onde depende e para onde retorna, no olhar de um si-mesmo constituindo o Lá da própria manifestação. | ||
| + | * Em última instância, o si-mesmo, chegando ao pensamento do Ereignis, faz aparecer a manifestação como querendo precisamente manifestar-se num si-mesmo. | ||
| + | * Assim, ela aparece como toda-bondade doadora e protetora, à qual está necessariamente associada uma ipsidade. | ||
| + | * Toda-bondade deve ser partilhada na medida do que pode receber aquele que ela escolhe para comensal. | ||
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