estudos:caron:espacialidade-peos-1307
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revision | |||
| estudos:caron:espacialidade-peos-1307 [24/01/2026 06:08] – mccastro | estudos:caron:espacialidade-peos-1307 [09/02/2026 20:16] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== espacialidade do pensamento (2005:1333) ====== | ||
| + | |||
| + | PEOS | ||
| + | |||
| + | * O sentido último da espacialidade do pensamento reside em sua abertura ao que o envia a si mesmo, apontando para a Palavra. | ||
| + | * No cerne de todo ente há um elemento não-ente que lhe dá ser. | ||
| + | * Este elemento é um vazio infinito que penetra e circunda cada ente, abrindo-o ao espaço e ao aparecer. | ||
| + | * O fundo de nosso pensamento é idêntico a esse mesmo elemento espacializante. | ||
| + | * Um ente só pode aparecer ao pensamento porque este já está, de algum modo, junto a ele. | ||
| + | * O pensamento, sendo ele mesmo tecido de espaço, já percorreu o espaço e é composto do mesmo vazio espacializante, | ||
| + | * O pensamento não é uma matéria que recebe impressões, | ||
| + | * A capacidade de nos relacionarmos com um ente em seu ser funda-se nessa identidade elementar. | ||
| + | * A projeção que se projeta a si mesma e se vê diante de si, tratada no Kantbuch, encontra aqui sua explicação. | ||
| + | * O mesmo elemento (o ser como vazio espacializante) explica a possibilidade da transcendência. | ||
| + | * A percepção humana é sempre uma resposta a um chamado proveniente do ente. | ||
| + | * Ouvimos permanentemente uma voz que, a partir de cada ente, nos interpela com a pergunta "o que é?". | ||
| + | * Ouvir uma voz é já se colocar no lugar onde ela se profere, ser composto da mesma sonoridade. | ||
| + | * O ser dá espaço para que se possa pensar, e o pensamento é ele mesmo ser. | ||
| + | * Isso explica a transversalidade inata e a virtuosidade espacial do pensamento. | ||
| + | * Pensamento e ser são um elemento semelhante, confirmando o princípio de que "o semelhante conhece o semelhante" | ||
| + | * Não nos voltamos para um ente senão porque somos feitos da mesma consistência que ele e nosso pensamento pertence ao mesmo claro (aletheia). | ||
| + | |||
| + | * O si-mesmo é essencialmente resposta, situado em um diálogo originário regido pelo ser. | ||
| + | * A percepção é uma resposta porque pertencemos a um elemento ao qual somos semelhantes. | ||
| + | * Este elemento nos precede, envolve e condiciona; por isso somos " | ||
| + | * O si-mesmo é aquele que a Voz convocou para a tarefa de mostrar. | ||
| + | * Ele se inscreve no desdobramento de um diálogo inicial que lhe é atribuído. | ||
| + | * Esse diálogo desenha a função de suas faculdades segundo a ordem da resposta. | ||
| + | * Dizer e ouvir têm uma origem essencial comum no diálogo originário. | ||
| + | * A separação entre as duas faculdades decorre da morfologia corporal (boca e ouvido em lugares distintos). | ||
| + | * Sua unidade originária, | ||
| + | * A morfologia do corpo é assim reinserida no diálogo estruturante entre o si-mesmo e o ser. | ||
| + | |||
| + | * A superioridade da ordem ontológica da ipseidade não implica um poder constitutivo sobre o ente. | ||
| + | * A alma não é constitutiva; | ||
| + | * Onde o ser deixa ser ao fazer ser, o si-mesmo apenas deixa ser o próprio ser em seu fazer-ser. | ||
| + | * O si-mesmo não possui poder constituinte nem domínio ontológico autêntico sobre o ente. | ||
| + | * Sua abertura ilimitada a todo ente não confere posse ou maestria. | ||
| + | * A maestria técnica não é maestria verdadeira, colocando o homem em perigo ôntico e ontológico. | ||
| + | * O si-mesmo sofre, padece, é exposto e lançado. | ||
| + | * Estar junto ao ente é estar aberto a ele e, ao mesmo tempo, padecer dele. | ||
| + | |||
| + | * A simultaneidade de proximidade e estranhamento em relação ao ente é explicada pela estrutura do Da. | ||
| + | * O si-mesmo já está sempre junto ao ente (proximidade), | ||
| + | * Como entender essa simultaneidade? | ||
| + | * O conceito de " | ||
| + | * " | ||
| + | * É a essência do Dasein deixar o ente vir ao encontro na proximidade, | ||
| + | * A des-distância" | ||
| + | * Permite a relação com o ente como tal, inscrevendo-o no cerne de nossa espacialidade, | ||
| + | * Transcende a diferença entre distância e proximidade. | ||
| + | * Para que haja diferença entre dois pontos, é necessário a identidade de um mesmo elemento que os relacione. | ||
| + | * Afirmar uma diferença é afirmar uma proximidade de natureza. | ||
| + | * A ubiquidade do homem é uma ubiquidade de abertura e disponibilidade, | ||
| + | * O homem pode se transportar para toda parte com seu pensamento, mas o faz precisamente como não estando lá. | ||
| + | * Ele está junto ao ente como não estando nele mesmo, não como possuidor de seu ser. | ||
| + | * A mediação tecnológica comprova a relação perpétua de separação que se tenta reduzir. | ||
| + | |||
| + | * A relação com o ente se dá através do nada, do não-ente, que é o ser como vazio espacializante. | ||
| + | * Somos impregnados pelo ser, que é espaço, vazio, não-ser. | ||
| + | * Dessa compenetração não possuímos nada, não extraímos poder algum. | ||
| + | * Estamos no vazio, caindo, por assim dizer, em direção ao céu. | ||
| + | * Não estamos ligados ao ente por qualquer fio ou onda ôntica, mas pelo nada, pelo não-ente. | ||
| + | * Isso nos torna próximos do ente (abertos a ele) e, ao mesmo tempo, distantes (não possuímos nada nele). | ||
| + | * Somos expostos, não dispomos; somos revelados pelo ser, que é o princípio insondável do ente. | ||
| + | * No ente, é a estranheza que nos é próxima, é a proximidade que nos é estranha. | ||
| + | * O Durchstehen é um estar (stehen) que se sustenta no não-ser mesmo. | ||
| + | * Somos feitos de um elemento (o ser como doação pura, deixar-ser) que nos coloca junto ao ente, mas como algo igualmente misterioso no ente e em nós. | ||
| + | |||
| + | * A ambiguidade da " | ||
| + | * Somos lançados no elemento que nos torna presente o ente em seu ser. | ||
| + | * Isso nos faz próximos do ente em seu distanciamento. | ||
| + | * Nossa constituição é estar sempre já junto ao ente, mas essa constituição não é nossa. | ||
| + | * Ser um Da significa ser, ao mesmo tempo, lá e aqui, uma espacialidade da qual padecemos. | ||
| + | * Somos expostos à imensidão de um espaço patético, sofrendo tanto esse espaço quanto o que ele deixa ser. | ||
| + | * A abertura nos coloca atrás e junto ao ente, mas não nos torna constituintes; | ||
| + | * Estamos simultaneamente no próximo e no distante do ente porque somos próximos do distante que é o mistério de sua presença. | ||
| + | * Somos afetados pelo deixar-ser e por aquilo que ele deixa ser. | ||
| + | * No deixar-ser, afastamos o ente para que ele venha ao encontro, e nos relacionamos com ele em sua independência. | ||
| + | * Essa é a essência do Da: uma dupla atividade simultânea, | ||
| + | * Esta dupla atividade é a própria ipseidade, sempre situada além e, por isso, sempre em seu aqui e sua diferença. | ||
| + | |||
| + | * O si-mesmo é definido como ser do distante, realizando-se na simultaneidade de proximidade e distância. | ||
| + | * A verdadeira proximidade das coisas cresce no homem apenas através desses distantes originários. | ||
| + | * O si-mesmo, como pensamento, vive nessa simultaneidade, | ||
| + | * Próximo do ente porque pensa o ser no qual ele está; distante do ente porque o ser é um elemento de estranheza que afirma a individualidade ôntica do ente. | ||
| + | * No si-mesmo produz-se um espaço de jogo onde o ente vem ao encontro do pensamento. | ||
| + | * O si-mesmo é a própria " | ||
| + | |||
| + | * A percepção não é representação, | ||
| + | * Toda apreensão exige que já estejamos junto das coisas, de um modo que por elas sejamos concernidos, | ||
| + | * É a dimensão paradoxal do ser-relacional, | ||
| + | * Não há mais abismo entre sujeito e objeto, nem entre apresentação e representação. | ||
| + | * Não há propriamente representação, | ||
| + | * Essa apresentação é o Durchstehen que torna possível todo Durchgehen. | ||
| + | * O si-mesmo é o ser de um // | ||
| + | * Assim, não lidamos com imagens das coisas, mas com as coisas mesmas. | ||
| + | * O pensamento se mantém na distância que nos separa do lugar do ente; estamos junto dele lá, não junto de um conteúdo de representação. | ||
| + | * A alma é em si mesma espaço livre para um acolhimento, | ||
| + | * Ela não constitui um domínio idiosincrático onde as coisas sofreriam um índice de refração subjetivo. | ||
| + | * Não há na ipseidade matéria para uma impressão; ela é feita do nada, da pura disponibilidade do logos como Seinlassen. | ||
| + | * Para que os entes se inscrevam nela como tais, ela deve ser totalmente despojada, capaz de um completo desapego. | ||
| + | |||
| + | * A doutrina plotiniana da percepção confirma essa concepção não-representacional e espacial. | ||
| + | * A alma vê o que está fora dela; não há impressão nela, ela não é modelada como cera. | ||
| + | * Se a forma do objeto estivesse nela, ela não precisaria olhar para fora. | ||
| + | * A alma atribui distância e dimensão ao objeto, o que seria impossível se a impressão interna tivesse seu tamanho. | ||
| + | * A visão vê o que não está situado nela; essa é sua condição. | ||
| + | * A essência do espírito é não ter limites fixos, permanecendo imóvel e, ao mesmo tempo, indo ao ser que está em toda parte. | ||
| + | |||
| + | * A estrutura do espírito como pensamento-ser fundamenta a espacialidade ubíqua do si-mesmo. | ||
| + | * O si-mesmo é Durchstehen, | ||
| + | * O pensamento pode pensar o espaço porque é ele mesmo espaçoso, impregnado do ser. | ||
| + | * O ser dá, e o pensamento é seu dote. | ||
| + | * O pensamento tem o poder de escutar (Hören) o ser, o que só é possível com base em uma pertença (Gehören), em um ter-sido-sempre-já-concordado. | ||
| + | |||
| + | * A pertença (Gehören) se cumpre na obediência atenta (Gehorchen), | ||
| + | * A pertença é o logos; a obediência é o noein que acolhe e guarda. | ||
| + | * Nela, o ser do homem permanece apropriado (ge-eignet) àquilo de onde é chamado. | ||
| + | * Nesta obediência, | ||
| + | * Tornando-se reconhecimento: | ||
| + | * O pensamento é renúncia e reconhecimento como uma mesma coisa. | ||
| + | * Renunciando, | ||
| + | * A alegria da renúncia é ver desabrochar o segredo que deixa ser todas as coisas. | ||
| + | * O si-mesmo, como pensamento pela capacidade de escuta, deve obediência a sua estrutura, isto é, ao ser. | ||
| + | * O noein assume realizar o pensamento como Memória do ser. | ||
| + | * Esse reconhecimento da origem é o próprio si-mesmo atingindo seu ser-próprio, | ||
| + | |||
| + | * A transição da pertença (Gehören) à obediência (Gehorchen) é mediada pelo logos como endereçamento e pelo apelo da consciência. | ||
| + | * O dizer (legein) como mostrar funda-se no legein como pôr. | ||
| + | * O noein cumpre o legein ao manifestá-lo como deixar-ser e ao salvaguardá-lo. | ||
| + | * Para isso, o noein deve obedecer ao ser, ao logos, que lhe difunde continuamente uma mensagem. | ||
| + | * Em //Ser e Tempo//, a voz da consciência, | ||
| + | * Esta é a estrutura de seu ser-em-dívida. | ||
| + | * O si-mesmo ouve uma voz silenciosa que o reclama para recordá-lo a si mesmo e referenciá-lo à sua origem. | ||
| + | * Uma voz ao mesmo tempo suave (por já ouvida) e dolorosa em seu imperativo. | ||
| + | * O noein só pode se desdobrar porque em seu ser já foi chamado. | ||
| + | * O logos se realiza nele, mas para que o noein se decida a assumir sua guarda, deve ser estimulado a endossá-la. | ||
| + | * O fundamento da "voz da consciência" | ||
| + | * O logos, ou o ser como Palavra, é em si mesmo endereçamento de si a um " | ||
| + | * A transição para o pensamento do Ereignis ocorre naturalmente: | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
