estudos:caron:caron-200572-74-idem-e-ipse
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| + | ===== IDEM E IPSE (2005: | ||
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| + | Quando dizemos “eu”, estamos nos referindo a um subjectum, um ser exposto em toda a sua visibilidade e que se presta às apreensões da mente. Mas quando dizemos “o eu”, estamos dizendo eu = eu, totalidade complexa, distância de si para si em si, dimensão de temporalidade, | ||
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| + | “A ideia de ser em geral é, portanto, explicada por meio do inesse como idem esse. O que faz de um ser (ens) um ser é a “identidade”, | ||
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| + | Se o ser substancial que se encontra no mundo é alcançado segundo o idem, a verdadeira e total essência do homem, ao contrário, desenvolve-se segundo o ipse. Ipse e idem são os dois pólos constitutivos da ambiguidade da identidade. Por um lado, subsiste uma diferença fundamental entre o que é simples coincidência consigo mesmo e o que em si mesmo é relação de si mesmo consigo mesmo, mas, por outro lado, o idem só pode ser compreendido com base no ipse que o torna possível, enquanto o inverso é impossível. Pois é bem a mesma identidade que se expressa a cada vez, mas apenas em diferentes graus de profundidade. Se o idem é a identidade do presente como presente, a duração subjacente a toda mudança, a determinação desse idem é uma determinação temporal (o presente) e, portanto, está imediatamente ligada à temporalidade mais ampla do ipse (desdobrada, | ||
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| + | Assim, podemos anunciar de forma programática e com Paul Ricœur: “Nossa tese constante será que a identidade no sentido de ipse não implica nenhuma afirmação sobre um suposto núcleo imutável da personalidade. E isso mesmo que a ipseidade traga modalidades próprias de identidade”. O objetivo da nossa meditação é, portanto, estabelecer um pensamento sobre a essência do eu (que não seguirá, precisemos, o itinerário de Paul Ricœur, ao qual recorremos apenas pelas intuições problemáticas – e não pelas respostas originais), a fim de compreender como o eu, ao desdobrar o seu ser, desenvolve ao mesmo tempo um novo tipo de identidade (ipse), que não seria a de nenhum objeto, mas que permitiria abrir algo como a identidade ôntica (idem) de um objeto. Pelo menos é certo que o polo de um gênero totalmente singular, que carrega essa ipseidade, não poderá ser pensado como um sujeito, sendo esse termo entendido em seu significado tradicional, | ||
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