estudos:carneiro-leao:verdade
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| + | ====== verdade ====== | ||
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| + | //Excertos do livro " | ||
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| + | Nessas questões milenárias a filosofia se essencializa como ontologia, articulando a pré-compreensão do Ser no sistema dos conceitos transcendentais, | ||
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| + | Geralmente se opõe pressentimento a saber, ora colocando-o abaixo ora acima, em todo caso fora do saber. No vigor de sua essencialização, | ||
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| + | Assim se estrutura o seguinte uso terminológico: | ||
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| + | Já dessa explicação de termos meramente formal se pode ver que as três perguntas acima formuladas sobre o destino das diversas determinações do ser do ente, nos vários períodos da metafísica, | ||
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| + | O comércio com os entes, de que necessita o homem para existir, se sustenta e articula numa pré-compreensão multiforme da **Verdade ** do Ser, vigente na dimensão da linguagem, por cuja força o homem sempre usa a palavra " | ||
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| + | 2. Os Termos da Questão do Ser: A problemática da tensão de imanência e transcendência na existência humana se agita antes do problema clássico da analogia. Investiga o fundamento de possibilidade no qual somente toda analogia pode mover-se e o homem pode existir metafisicamente. Já na conclusão de sua tese de habilitação ao magistério, | ||
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| + | Com a publicação dos escritos posteriores já não cabe dúvida de que a filosofia heideggeriana é uma reflexão sempre mais exclusiva sobre a essencialização da verdade do ente como a **Verdade ** do Ser. A existência humana se agita dentro da tensão entre imanência e transcendência, | ||
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| + | O Ser nunca é diretamente acessível. Como diferença ontológica, | ||
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| + | 3. O Modo de Investigação da Questão do Ser: De vez que a **Verdade ** do Ser nunca é direta mas apenas obliquamente acessível à reflexão, enquanto, isto é, retraindo-se em si mesma, ilumina o ente em determinada figura de referência e diferença com seu ser, a história da existência se tem processado no espaço metafísico, | ||
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| + | Desse modo surgiu Heidegger no mundo filosófico como o pensador, que pretende repetir desde seus fundamentos toda a tradição ocidental segundo a questão prévia (die Vor-frage) sobre o Sentido e a **Verdade ** do Ser. Quer ele trate da Sentença de Anaximandro, | ||
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| + | Em razão de a diferença ontológica vigorar num esquecimento reduplicativo de si mesma, a questão sobre o Sentido do Ser não pode ser hoje posta senão na própria luz em que se ilumina a história da metafísica. Porque esquecemos tanto a diferença ontológica como que a esquecemos, só se poderá investigar a **Verdade ** e o Sentido do Ser numa superação da tradição. Essa superação não é uma negação. Não pretende destruir e aniquilar a metafísica. Pretendê-lo não seria apenas uma pretensão infantil mas um esforço Münchhauseneano, | ||
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| + | Essa necessidade não é extrínseca. A superação não só tem que falar a linguagem em vigor e servir-se de seus títulos e de sua gramática para tornar-se inteligível dentro dos limites da filosofia vigente. É antes de tudo uma necessidade intrínseca, | ||
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| + | Para se compreender o itinerário do pensamento de Heidegger é de suma importância o significado dialético desse exórdio da metafísica. Uma profunda ambigüidade penetra todos os passos da questão sobre o Sentido do Ser, forçando-lhe a investigação numa marcha, cujo movimento é, a um tempo, pro-jetivo e re-gressivo. É pro-jetivo, enquanto, procurando superar a metafísica, | ||
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| + | Os escritos posteriores, | ||
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| + | 4. O Lugar da Introdução à Metafísica: | ||
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| + | Semelhante a todos os escritos de Heidegger a Introdução à Metafísica é de grande densidade de conteúdo e de um caráter socrático vigoroso. Abrange desde reflexões filológicas sobre as palavras mais corriqueiras da linguagem até análises penetrantes da realidade político-social de seu tempo. Com o crescer da familiaridade do conteúdo se vai revelando aos poucos o desenrolar de toda a dialética da **Verdade ** do Ser nas diversas configurações existenciais de sua essencialização metafísica. Aprendendo a pensar I: Itinerário do Pensamento de Heidegger | ||
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| + | 5. A Hermenêutica da Introdução à Metafísica: | ||
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| + | Todo esse processo de desfiguração não foi um acaso, nem se trata de um processo, que poderia ter sido sustado. É o vigor do próprio esquecimento do Ser que se destina historicamente durante toda a época da metafísica. Nesse sentido o retorno às origens da metafísica não é um esforço para fazer renascer o pensamento pré-socrático, | ||
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| + | Com efeito o vigor histórico do esquecimento do Ser, que na era da técnica e da ciência atinge o paroxismo de sua virulência, | ||
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| + | A dialética de presença e ausência da **Verdade ** do Ser na História da metafísica é o que distingue a Hermenêutica da Introdução de qualquer hermenêutica científica. Essa se limita, em e por força de sua própria essencialização metafísica, | ||
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| + | A discussão de seus pressupostos abre toda uma outra dimensão de pensamento: a dimensão do Pensamento Essencial, que, reconduzindo a vigência histórica do humanismo às suas raízes na metafísica, | ||
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| + | Daí a tese do Sein und Zeit de que, edificando-se num esquecimento do Ser, a metafísica exige ser re-pensada no fundamento de sua possibilidade e assim superada em seu esquecimento. O primeiro esforço nesse sentido é procurar arrancar o ser do homem à interpretação metafísica, | ||
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| + | O contexto, a que corresponde o Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein, | ||
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| + | 9. O Tractatus não é uma corrente de discursos, que pretendesse demonstrar teses segundo uma ordem hipotáti-ca ou para tática de argumentação. É que todo discurso está ordenado à organização lógica de fatos relativos a um conhecimento objetivo do mundo. O pensador não quer provar nada. Visa tão-somente a re-velar nas funções da língua o vigor do pensamento e assim denunciar a ilusão de se lhe atribuir o registro próprio da ciência. O projeto do Tractatus é inteiramente despojado de qualquer pretensão científica. A vitalidade de seus aforismos não pode ser determinada como um sistema de sentenças. Só fatos são suscetíveis de discurso. Uma sentença não pode exprimir senão um fato, simples ou complexo. Como o autor de Delfos, o pensador não afirma nem nega coisa alguma. Ele apenas assinala, enviando-nos à viagem de todas as nossas línguas. A metafísica tem sido vítima de seus próprios encantos. Mobilizada pelo narcisismo metafísico, | ||
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| + | O Divino, diz Hölderlin, só retorna no tempo devido, "in richtiger Zeit". Este é o tempo da sagração do mundo. O novo advento não depende do homem. Depende de Cristo. O que resta ao homem é apenas preambular a fé, convertendo-se para sua Essência. Nesta conversão recupera a sensibilidade para o mistério de Existência, | ||
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| + | Antes de responder e para poder simplesmente perguntar, o pensamento tem de pensar primeiro e sobretudo o que há com este " | ||
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| + | O Cristianismo des-mascarou o antropomorfismo do politeísmo pagão e o substituiu pelo monoteísmo de um Deus pessoal. Por outro lado, a Esquerda Hegeliana desmascarou o antropocentrismo radical do monoteísmo cristão e o substituiu pelo materialismo ateu de uma humanidade desalienada. Por mais diversos e inversos que sejam, um e outro esforço se fizeram e se fazem na força da mesma estrutura onto-teo-lógica da metafísica. Questionar a originariedade do politeísmo, | ||
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| + | As mesmas cadeias lógicas, que unem a estrutura di-mórfica da metafísica ao humanismo, ligam-na também ao monoteísmo. E assim como o humanismo masca e mascara a experiência originária do homem com o Ser, assim também o monoteísmo metafísico diverte e perverte a experiência originária do homem com o Divino. Ora, o Divino constitui o horizonte pluridimensional da deidade, o elemento misterioso onde poderá haver uma cor-respondência com Deus e os Deuses. Por isso o Pensamento Essencial procura sua **Verdade ** fora da dualidade metafísica do teísmo e ateísmo. O ateísmo moderno não passa de uma conseqüência do cristianismo. É o cristianismo perfeitamente humanizado, isto é, no fundo totalmente descristianizado. Aprendendo a pensar I: Cristo e a Re-volução do Pensamento | ||
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| + | Esforçando-se por retirar o enorme entulho da metafísica, | ||
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| + | 1. Pela diferença entre o poder da instituição e a autoridade do mistério, procuraremos questionar a institucionalização do Cristianismo na Igreja de Roma. Este propósito exige que, na questão da institucionalidade, | ||
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| + | Aos judeus, que no Mistério da fé creram em Cristo; disse Jesus: "Se ficardes na identidade de minha Linguagem, sereis na **Verdade ** meus discípulos e assim nascereis com a **Verdade ** e a **Verdade ** trazer-vos-á a liberdade" | ||
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| + | 26. Este modo de pensar objetivo não se dá conta da radicalidade do Mistério enquanto pensa. E por isso não percebe o sentido da diferença enviada à Igreja de Roma pela identidade do Mistério de Cristo. A exclusividade e universalidade, | ||
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| + | 27. Se o Mistério de Cristo se envia na identidade de todas as religiões, se a autoridade de sua **Verdade ** é a paz na liberdade do amor de todos os homens, se a catolicidade de sua Igreja reside precisamente em encontrar Cristo em todas as diferenças, | ||
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| + | A universalidade da fé cristã não é uma universalidade abstrata, que do poder de atropelar as diferenças extrai uma unidade, onde tudo se equivale. Esta universalidade é um número. Supõe uma isomorfia de estrutura que garante funções iguais numa multiplicidade de coisas. Para Hegel, universalidade ab-strata é "die Nasen zählen", | ||
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| + | c) Cristo enviou seu Espírito de **Verdade ** à Igreja toda. Por isso a Presença do Espírito Santo não pode ser reduzida aos presentes do magistério. Ademais o espírito de cada presente do magistério não é só a presença mas também ausência do Espírito Católico de Cristo. Por isso na medida em que se igualasse o dogma aos presentes do magistério, | ||
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| + | A metafísica é teológica porque é lógica. Mas por que é lógica a metafísica? | ||
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