estudos:carneiro-leao:tecnica
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| + | ====== Técnica ====== | ||
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| + | //Excertos de " | ||
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| + | Por muito repetir-se já se vulgarizou dizer que vivemos na era atômica. O que significa, porém, chamar uma época da história da humanidade de era atômica? À primeira vista exprime o domínio planetário da ciência. A energia do átomo, descoberta pela ciência e controlada pela **técnica **, constitui o sistema de forças, que doravante determinará a construção da existência e o curso da história. Numa progressão sempre crescente, o homem moderno se vê cercado cada vez mais dos produtos e artefatos da ciência. A ponto de o físico alemão Werner Heisenberg (Das Naturbild der heutigen Physik, Hamburgr 1955, p.14) escrever que num futuro não muito distante os aparelhos e instrumentos técnicos serão partes integrantes do homem, como a teia é parte da aranha e a concha do caramujo. Aprendendo a pensar I: A Filosofia na Idade da Ciência | ||
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| + | Esse, porém, é apenas o sentido de superfície, | ||
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| + | Na idade da ciência e **técnica ** essas risadas atingiram um número sem conta. Todas elas, porém, se fundam na constatação simples e convincente, | ||
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| + | Mas as coisas não são assim tão simples. Se ele frequentou uma escola, já perdeu a inocência pré-científica. Já entrou em contacto com o mundo da ciência, ainda que tenha sido de um modo primário e inocente, aprendendo apenas a ler, escrever e contar. Se não frequentou nenhuma escola, sabe ao menos que a infinidade dos instrumentos e produtos de seu mundo são descobertas e invenções da ciência. De há muito o mundo, em que vivemos, deixou de ser a natureza intacta e virginal do selvagem. Já nem é mais a paisagem bucólica, cultivada pela habilidade camponesa e artesã. É a natureza violada pelas invenções industriais, | ||
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| + | O que significa essa presença inevitável do homem moderno na esfera de domínio da ciência? Participa realmente da vida científica pelo fato de viver às voltas com os produtos da **técnica **, por repetir de modo semi-inconsciente as linguagens e formulações de uma literatura popular? — Ninguém ousará afirmá-lo com seriedade. Isso todavia não destrói o fato real e inconteste de já não viver mais inteiramente fora da ciência. De já ter perdido a inocência do selvagem. De existir imerso numa tradição cultural, que inclui uma longa história da ciência. Nesse sentido todos os homens da era atômica possuem sempre uma ideia, quando nada, uma ideia de papel do que seja ciência. Se bem se analisa essa imersão histórica do homem, desfaz-se por si mesma a contradição, | ||
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| + | Nessas questões milenárias a filosofia se essencializa como ontologia, articulando a pré-compreensão do Ser no sistema dos conceitos transcendentais, | ||
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| + | Na existência o vigor desse apelo mora num pressentimento do próprio Ser, cuja originariedade, | ||
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| + | Geralmente se opõe pressentimento a saber, ora colocando-o abaixo ora acima, em todo caso fora do saber. No vigor de sua essencialização, | ||
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| + | 3) Não encontrando espaço de expansão para suas possibilidades de futuro, a juventude contesta e contradefine o sistema de controle em todos os níveis da linguagem: no verbal e imaginativo, | ||
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| + | Não se trata de um propósito moderno de hoje. É um propósito velho de milênios. O que possui de sempre novo é apenas a necessidade de se propor sempre de novo, com a novidade de ser cada vez a primeira vez. A novidade, que a velhice milenar do pensamento nos põe a pensar hoje, como a primeira vez, é o sentido do cálculo, dominante na ciência e na **técnica ** planetária de nossos dias. Aprendendo a pensar I: Filosofia e Psicanálise | ||
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| + | A falta de pensamento vive numa fuga. Na fuga da angústia de pensar. É tão angustiante pensar que não queremos nem ver nem reconhecer a indigência de pensamento. Chegamos até a negar-lhe a possibilidade de presença. Como é possível fugir de pensar numa época como a nossa, na era da ciência e da **técnica **? Como se pode falar hoje em indigência de pensamento, quando por toda parte se multiplicam os sucessos do saber e cresce o interesse pelo conhecimento? | ||
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| + | Há séculos se vem operando gradativamente uma revolução radical em todos os parâmetros decisivos da história. O homem se vê cada vez mais transplantado numa outra realidade. É o transplante do pensamento que calcula. Dele nasce esta nova posição do homem no mundo e para "com o mundo que designamos com o título de moderno: idade moderna, ciência moderna, homem moderno, mundo moderno. Na voragem da modernidade impera o objeto, cuja objetividade ministram e administram a ciência e a **técnica ** planetárias. Tudo é processado em reserva de controle e de domínio. A natureza já não é senão um gigantesco reservatório, | ||
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| + | Hoje, no entanto, ainda nos é dado um mundo trancado em sua auto-suficiência produtiva, onde o pensamento do sentido se retrai. Os discursos se entregam cada vez menos ao silêncio da fala. As coisas vão-se despindo de serenidade à proporção em que se revestem de velocidade. Tudo se torna fugaz, transitório, | ||
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| + | Resposta: Nos discursos teóricos e nos percursos clínicos, a psicanálise é um recurso constante ao sentido que nos ocorre no silêncio dos próprios cálculos diferenciais da ciência e da **técnica **. Nestas condições, | ||
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| + | Para uma crítica epistemológica a insensatez do discurso teórico da psicanálise é consequência de uma ingenuidade metodológica fundamental. Não há produção de objeto na psicanálise. Os casos são apresentados numa língua **técnica ** que confunde observação com interpretação estilizada. A falta completa de métodos adequados para testar hipóteses impede qualquer produção epistemológica de objeto. O resultado são protocolos, abundantes em hipóteses explicativas, | ||
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| + | Limitadas pela identidade, as relações de identificação estão sempre sujeitas às tempestades de transferências e projeções, | ||
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| + | Que apelo de pensamento nos surpreende neste texto de Bion? Trata-se de uma condenação da ciência acusada de despersonalizar o homem e reduzi-lo a um autômato incapaz de relacionar-se com a vida de seus objetos? É uma denúncia da psicose de angústia do cálculo que resultaria de uma ansiedade de arriscar uma identificação com a morte na vida? Somos convidados a arremeter contra a ciência e a **técnica ** para podermos viver? Aprendendo a pensar I: Filosofia e Psicanálise | ||
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| + | Entender assim é unidimensionar ciência, **técnica **, psicose, cálculo, vida, morte, pensamento, psicanálise. Unidimensionar é correr apenas numa dimensão, seguindo o trilho de uma só bitola. Ora, enquanto discorremos numa bitola só, seja na do cálculo seja na do sentido, ainda não pensamos o bitolamento de nossos discursos. Presos à oposição de uma ou outra alternativa, | ||
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| + | Para nós, filhos precoces do pensamento, tardos em pensar, os modelos e técnicas, as teorias e métodos do cálculo nos concernem no próprio sentido de nossa existência. Por isso sempre dizemos " | ||
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| + | 3. No século VI a religião, a política, a educação gregas exercem determinada consciência da poesia e mitologia. Houmeros tem Hellada pepaideuke. Prisma e espelho, nesta consciência se refletem e analisam as peripécias de verdade e não verdade da existência grega. Denunciando a miopia da consciência vigente, os primeiros pensadores se lançam a pensar reciprocamente as diferenças de religião e política, de educação e habilidade, de poesia e mito pela identidade do pensamento, pensando a com-pertinência de ser e pensar. Para nós, filhos do petróleo e da **técnica **, tardos em pensar, se tornou ainda mais difícil este mistério da identidade numa época de poluição e consumo. E por que? - Porque temos os ouvidos tão poluídos de ciência e filosofia, temos os olhos tão consumidos pelas utilidades que já não podemos ver o mistério da pobreza nem ouvir a voz do silêncio no alarido do desenvolvimento. Desconhecemos o paradoxo da revolução do pensamento. Já quase não temos sensibilidade para as vibrações de nosso destino. E isso, não tanto porque, absorvidos pelas solicitações do consumo, quase não pensamos, mas sobretudo porque, quando pensamos, quase inevitavelmente o fazemos nos moldes da filosofia e da ciência. Aprendendo a pensar I: O pensamento originário | ||
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| + | O pensamento está sempre em tensão: com a consciência, | ||
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| + | Só não devemos entender o trágico no sentido filosófico da tradição. Neste sentido, tragédia é desgraça, a queda das alturas, a transformação súbita ou paulatina da glória em sofrimento. Trágico é o abandono desesperado do homem às forças da natureza, à vontade dos deuses, à fatalidade do destino. Onde impera a desolação, | ||
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| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | Um pensamento originário é a coragem de descer às raízes das próprias possibilidades de pensar. Um pensamento originário é um pensamento radical. Procura interpretar os modos de ser da realidade, restituindo as estruturas de suas diferenças à identidade do mistério. O modo de ser, que nos apresenta como presente, não é originariamente um determinado presente cronológico. É tão antigo como a história. Algo, que é e sempre foi como é, por mais que se recue no tempo, é reconduzido ao vigor de um destino que estrutura a dimensão radical do Ser e por isso remonta para além de toda memória historiográfica. É a partir deste diapasão que nos fala o pensamento originário. O que é e como é o espaço-tempo de todas as coisas nas diferenças de seus modos presentes de ser é pensado num pensamento re-velador da identidade no mistério das dicotomias de ser e não ser, de movimento e permanência, | ||
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| + | Nesta pressuposição reside a única mas também a deficiência fundamental da investigação de H. Cherniss, como se vê da seguinte caracterização: | ||
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| + | A reflexão sobre a situação de nossa existência revela a consciência de uma unidade e de uma interrupção histórica. Sentimo-nos viandantes de um único Dia Histórico, que se estende do sol nascente na aurora grega de Homero ao sol poente na era atômica. Temos uma consciência nítida de nossa ruptura com a tradição e da diferença entre a manhã e a tarde da História Ocidental. Assim qualquer investigação se insere hoje necessariamente na época da **técnica ** e da ciência. Época da ciência não é, para dizer com Kant, uma generatio aequivoca. Não nasceu por geração espontânea ex nihilo sui et subiecti, como diriam os aristotélicos latinos. Pertence a uma tradição milenária, da qual é uma transformação histórica. Quem hoje se empenha num problema filosófico, | ||
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| + | Desse modo surgiu Heidegger no mundo filosófico como o pensador, que pretende repetir desde seus fundamentos toda a tradição ocidental segundo a questão prévia (die Vor-frage) sobre o Sentido e a Verdade do Ser. Quer ele trate da Sentença de Anaximandro, | ||
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| + | Com efeito o vigor histórico do esquecimento do Ser, que na era da **técnica ** e da ciência atinge o paroxismo de sua virulência, | ||
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| + | No modo cotidiano de ser só vemos na linguagem o instrumento. Uma **técnica ** de comunicação, | ||
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| + | Pensar é articular o destino do Ser e esse se dá num vigor " | ||
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| + | A época da **técnica ** e da ciência se essencializa numa " | ||
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| + | 2. Desta perspectiva, | ||
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| + | Hoje a tempestade nos chega, pelo vigor planetário da Linguagem, na civilização da ciência e da **técnica **. Nos vórtices da planetariedade toda diferença entre Pensamento e Ciência é uma função de referência. Pois sempre de alguma maneira pertence a toda ciência uma semântica. Semântica é a articulação de fatos referenciais com fatos referenciados que uma sintaxe possibilita e exerce. Destituído de semântica, o Pensamento se apresenta como alguma coisa de estranho em nosso tempo e sua tempestividade. É por esta estranheza, por ser daquelas causas, cujo destino é nunca poder encontrar ressonância semântica em seu próprio tempo que o pensamento de Heidegger é intempestivo. Daí toda a incompreensão por parte da ciência e da filosofia. Pertence à atualidade de seu pensamento ser incompreendido pela exatidão de qualquer cálculo. Aprendendo a pensar I: A Morte do Pensador | ||
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| + | Na perspectiva do sistema de comunicação estamos ligados ao mundo pelos sentidos. Tudo que imaginamos, construímos ou descobrimos, | ||
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| + | Historicamente a tecnologia, enquanto projeção sensível, é muito mais do que simples extensão dos sentidos. Toda **técnica **, além de permitir um progresso material, introduz uma reestruturação global e profunda de todo o comportamento humano. Neste sentido, a história da humanidade é um jogo sem fim, a tensão sempre renovada das tecnologias: | ||
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| + | A história do Ocidente se implanta numa. dissociação de vida e trabalho. Antes do alfabeto não havia separação. É que o homem não estava cindido. Os sentidos se achavam em perfeita harmonia entre si e dentro do todo. Com o alfabeto, no entanto, a visão começa a impor-se aos outros sentidos, desenvolvendo-se desproporcional e exageradamente. Uma letra, uma palavra, uma frase são extensões do olho. A forma escrita não apresenta nenhuma relação direta com a realidade. Separam-se rhema e pragma. O olho transmite ao cérebro um símbolo cifrado que o cérebro decifra. Durante milênios, o homem do Ocidente habituou-se a viver o mundo sob uma forma artificial que separa palavra e realidade. O meio de ligação com o real é a relação olho x cérebro em detrimento dos demais sentidos. Esta **técnica ** alfabética age sobre a própria vivência, impondo-lhe uma cisão artificial, em todas as suas integrações. O pensamento separa-se do sentimento, fazendo-se progressivamente racional, linear, sequencial. Aprendendo a pensar I: Civilização Escrita e Cultura de Massa | ||
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| + | A situação histórica da humanidade ocidental se vem constituindo e determinando em nosso século por uma explosão de experiências, | ||
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| + | Teoria e **técnica ** são como as escadas. Só se consegue subir à poesia pela escada da língua e do discurso. Mas nunca se chegará à poesia se desde o primeiro degrau de competência e desempenho não se for jogando fora a escada. É que uma escada só é escada se não for somente escada e por isso deixar de ser escada depois de se ter sido colhido pela poesia. A língua e o discurso se tornam veículos da viagem poética quando a viagem libertar os viajantes dos veículos. A poesia é então a Linguagem da paisagem. Aprendendo a pensar I: O Poeta na Terra Lingüística | ||
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| + | É que descobrir que uma coisa, além de si mesma, apresenta outra, em razão de uma isomorfia de estrutura em todos os níveis dos fatos, é descobrir a mecânica da representação. O grilo não cabia em si. Dispunha de uma mecânica universal a que nada poderia resistir. Aprendeu a falar, pois era a mecânica da linguagem. Aprendeu a cantar, pois era a mecânica da música. Aprendeu a calcular, pois era a mecânica da **técnica **. Aprendeu a controlar, pois era a mecânica do poder. Aprendeu a conhecer, pois era a mecânica da ciência. Antes o grilo não tinha nem coisas. Agora surge-lhe o mundo, a totalidade dos fatos. Toda a clareira da Floresta ficou grilada de mecânica. Aprendendo a pensar I: A Poesia e a Linguagem | ||
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| + | Heráclito: Se esta é a experiência ocidental, outra, bem outra é a experiência grega da autoridade histórica da aparência. Sempre de novo, com a novidade de ser cada vez a primeira vez, os Gregos tiveram de acolher a aparência em todas as suas conquistas: os deuses e a polis, o templo e o trágico, os jogos e as artes, a poesia e o pensamento, tudo isso eles criaram no meio da aparência, dominados pela aparência, levando a sério a aparência, conhecendo-lhe na carne a autoridade. Basta lembrar a estória de Édipo. De início, salvador é senhor de Tebas, no esplendor da fama e na graça da aparência, vai sendo deslocado progressivamente desta aparência, que não constitui uma mera impressão subjetiva de Édipo a seu respeito mas a atmosfera, o luar em que aparece toda a paisagem de sua existência, | ||
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| + | Heráclito: Como é possível separar-se trabalho, obra, **técnica **, instrumento e disciplina? E como alguém poderá con-sentir-se afeição? E a secura não pode vir a ser uma ternura? Aprendendo a pensar I: Diana e Heráclito | ||
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| + | É difícil para o homem de um mundo transiente e profano aceitar as inúmeras definições, | ||
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| + | 10. No tocante à diferença entre autoridade e poder, esta provocação nos chega hoje na virulência da funcionalidade de tudo e de todos. Em seu processo de elaboração, | ||
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| + | A perspectiva de diferença do presente diálogo é constituida pelo Pensamento Essencial (das wesentliche Denken) de Martin Heidegger. Em seu processo de elaboração, | ||
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| + | O regresso parte da situação atual e é uma passagem da tecnologia da sociedade industrializada (funcionalização, | ||
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| + | O regresso é assim "ein langer Weg", um longo caminho. E um longo caminho no meio de uma noite Histórica. O Pensamento Essencial trabalha na caminhada deste caminho de cuja duração e persistência não se conhece a medida. "Der Schritt zurueck verlangt eine Dauer und Ausdauer, deren Mass wir nicht kennen. A noite Histórica por onde caminha o caminho do regresso, é o império técnico do niilismo. Daí o primeiro passo da caminhada consistir em ultrapassar o niilismo da **técnica **, ingressando no vigor de sua Essência: "Die Einkehr in sein Wesen ist der erste Schritt durch den wir den Nihilismus hinter uns lassen" | ||
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