estudos:carneiro-leao:metafisica
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| + | ====== metafísica ====== | ||
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| + | Geralmente se opõe pressentimento a saber, ora colocando-o abaixo ora acima, em todo caso fora do saber. No vigor de sua essencialização, | ||
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| + | Todavia por ser a chave de um saber seguro e universal, a consciência histórica não pode ser construída mas apenas encontrada pelo filósofo. O fracasso da **metafísica** está em não haver visto que toda concepção abstrata e uma construção que passa por cima da dualidade fundamental de coisa e vida e se descuida por isso de distinguir rigorosamente as ciências da natureza das ciências do espírito. A vida, como o dado originário, | ||
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| + | 1. Já foram intitulados de Pré-aristotélicos, | ||
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| + | Esta de-cisão **metafísica** não é um presente para sempre passado nem se reduz a simples fato de um passado encoberto pela poeira de dois mil e quatrocentos anos. É mais do que objeto de curiosidade historiográfica. Mais do que uma relíquia no museu do Ocidente. É um passado tão vigente que constitui a fonte donde vivemos hoje, a tradição, que nos sustenta. Seu vigor Histórico promoveu as transformações, | ||
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| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
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| + | A reflexão sobre a situação de nossa existência revela a consciência de uma unidade e de uma interrupção histórica. Sentimo-nos viandantes de um único Dia Histórico, que se estende do sol nascente na aurora grega de Homero ao sol poente na era atômica. Temos uma consciência nítida de nossa ruptura com a tradição e da diferença entre a manhã e a tarde da História Ocidental. Assim qualquer investigação se insere hoje necessariamente na época da técnica e da ciência. Época da ciência não é, para dizer com Kant, uma generatio aequivoca. Não nasceu por geração espontânea ex nihilo sui et subiecti, como diriam os aristotélicos latinos. Pertence a uma tradição milenária, da qual é uma transformação histórica. Quem hoje se empenha num problema filosófico, | ||
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| + | Nos diversos períodos da **metafísica** o ser do ente foi determinado ora como idea, ora como ousia, ora como essentia, ora como objetividade, | ||
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| + | Já dessa explicação de termos meramente formal se pode ver que as três perguntas acima formuladas sobre o destino das diversas determinações do ser do ente, nos vários períodos da **metafísica**, | ||
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| + | Dessa caracterização, | ||
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| + | Somente por morar na luz do Ser, o homem pode ser o ente, que possui o privilégio da verdade! O privilégio diasporádico de existir, isto é, de sair de si mesmo e se conformar com todo ente. A adequação entre o ente, que o homem é, e o ente, que o homem não é, retira o fundamento de sua possibilidade da re-velação do Ser, em que pela e para sua própria essencialização o homem deve morar necessariamente. A reduplicação ontológica, | ||
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| + | O Ser nunca é diretamente acessível. Como diferença ontológica, | ||
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| + | 3. O Modo de Investigação da Questão do Ser: De vez que a Verdade do Ser nunca é direta mas apenas obliquamente acessível à reflexão, enquanto, isto é, retraindo-se em si mesma, ilumina o ente em determinada figura de referência e diferença com seu ser, a história da existência se tem processado no espaço metafísico, | ||
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| + | Desse modo surgiu Heidegger no mundo filosófico como o pensador, que pretende repetir desde seus fundamentos toda a tradição ocidental segundo a questão prévia (die Vor-frage) sobre o Sentido e a Verdade do Ser. Quer ele trate da Sentença de Anaximandro, | ||
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| + | Em razão de a diferença ontológica vigorar num esquecimento reduplicativo de si mesma, a questão sobre o Sentido do Ser não pode ser hoje posta senão na própria luz em que se ilumina a história da **metafísica**. Porque esquecemos tanto a diferença ontológica como que a esquecemos, só se poderá investigar a Verdade e o Sentido do Ser numa superação da tradição. Essa superação não é uma negação. Não pretende destruir e aniquilar a **metafísica**. Pretendê-lo não seria apenas uma pretensão infantil mas um esforço Münchhauseneano, | ||
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| + | Essa necessidade não é extrínseca. A superação não só tem que falar a linguagem em vigor e servir-se de seus títulos e de sua gramática para tornar-se inteligível dentro dos limites da filosofia vigente. É antes de tudo uma necessidade intrínseca, | ||
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| + | Para se compreender o itinerário do pensamento de Heidegger é de suma importância o significado dialético desse exórdio da **metafísica**. Uma profunda ambiguidade penetra todos os passos da questão sobre o Sentido do Ser, forçando-lhe a investigação numa marcha, cujo movimento é, a um tempo, pro-jetivo e re-gressivo. É pro-jetivo, enquanto, procurando superar a **metafísica**, | ||
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| + | Os escritos do assim chamado Primeiro Heidegger, desde Das Realitaetsproblem in der modernen Philosophie (O Problema da Realidade na Filosofia Moderna) de 1912 até a terceira edição de Was ist Metaphysik? (O que é **metafísica**? | ||
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| + | Os escritos posteriores, | ||
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| + | É outra simples aparência. Não se trata de um renascimento da filosofia pré-socrática. Na famosa Einleitung (Introdução), | ||
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| + | Em consequência dessa decisão implícita naquelas denominações se leram, entenderam e interpretaram os primeiros textos com os olhos, a doutrina e os conceitos platônicos e aristotélicos. O sentido originário de seus pensamentos e da linguagem de suas palavras foi profundamente modificado pela filosofia posterior. Situação, que se agravou sobremodo com as traduções latinas, que, ao legarem à cultura do Ocidente o patrimônio grego, o desfiguraram a ponto de torná-lo quase incompreensível em sua originalidade. Hoje já não lemos o que os primeiros pensadores pensaram mas o que outro modo de pensar nas faz perceber. E não o lemos, porque o alarido da **metafísica**, | ||
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| + | Todo esse processo de desfiguração não foi um acaso, nem se trata de um processo, que poderia ter sido sustado. É o vigor do próprio esquecimento do Ser que se destina historicamente durante toda a época da **metafísica**. Nesse sentido o retorno às origens da **metafísica** não é um esforço para fazer renascer o pensamento pré-socrático, | ||
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| + | Com efeito o vigor histórico do esquecimento do Ser, que na era da técnica e da ciência atinge o paroxismo de sua virulência, | ||
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| + | A dialética de presença e ausência da Verdade do Ser na História da **metafísica** é o que distingue a Hermenêutica da Introdução de qualquer hermenêutica científica. Essa se limita, em e por força de sua própria essencialização **metafísica**, | ||
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| + | O tradutor tem plena consciência dos riscos de traição, que comporta o presente esforço. Trata-se de traduzir para uma língua sem grande tradição filosófica textos de um pensamento, cuja originalidade é a originariedade. Procurando superar o predomínio da **metafísica**, | ||
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| + | No modo cotidiano de ser só vemos na linguagem o instrumento. Uma técnica de comunicação, | ||
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| + | De acordo com a originalidade de seu pensamento Heidegger se propõe superar essa interpretação **metafísica** da linguagem para atingir-lhe a dimensão originária, | ||
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| + | A discussão de seus pressupostos abre toda uma outra dimensão de pensamento: a dimensão do Pensamento Essencial, que, reconduzindo a vigência histórica do humanismo às suas raízes na **metafísica**, | ||
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| + | No itinerário do pensamento heideggeriano, | ||
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| + | 1. Sobre o Humanismo e a Essência do Homem. Ao preparar o questionamento do problema sobre o Sentido do Ser, Sein und Zeit se propõe, por motivos inerentes à própria tarefa, re-pensar a Essência do homem a partir da " | ||
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| + | Foi o que se deu com a maioria das interpretações de Sein und Zeit. Ao invés de re-pensarem os termos e a gramática pela coisa a ser pensada, muitos leitores procuraram entender a coisa a ser pensada pela lógica e pela gramática tradicionais. Ora, de vez que a lógica e a gramática da tradição são as formas em que o esquecimento da **metafísica** se apoderou da linguagem, a interpretação assim alcançada fica sempre à margem da questão e do propósito de Sein und Zeit. Aprendendo a pensar I: Sobre o Humanismo | ||
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| + | Todo humanismo, em suas diversas modalidades — desde o humanismo romano, passando pelo humanismo cristão e renascentista até o humanismo socialista e existencialista — se funda sempre na interpretação **metafísica** do homem. Articulado no binômio de essência e existência, | ||
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| + | Mas a **metafísica** não questiona a articulação desse vigor em que ela repousa. Sua determinação do ser do homem se funda numa interpretação do Sentido do Ser que não é posta em questão. Aprendendo a pensar I: Sobre o Humanismo | ||
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| + | Daí a tese do Sein und Zeit de que, edificando-se num esquecimento do Ser, a **metafísica** exige ser re-pensada no fundamento de sua possibilidade e assim superada em seu esquecimento. O primeiro esforço nesse sentido é procurar arrancar o ser do homem à interpretação **metafísica**, | ||
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| + | Insensatez ou esquecimento da **metafísica**? | ||
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| + | 2. Desta perspectiva, | ||
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| + | 4. Se não nos deixarmos desviar desta aparência, a própria suspeita de insensatez nos possibilita encontrar nas diferenças entre Heidegger e Wittgenstein uma identidade de pensamento. Não apenas Wittgenstein, | ||
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| + | 5. A questão, que um Pensamento Radical impõe aqui, refere-se à **metafísica** vigente na própria suspeita de insensatez. Como se relaciona o pensamento crítico da suspeita com a insensatez da **metafísica** criticada? Até que ponto e em que nível o modelo de pensamento de um se insere ainda no âmbito da insensatez criticada pelo outro? Aprendendo a pensar I: Wittgenstein e Heidegger | ||
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| + | O contexto, a que corresponde o Tractatus Logico-Philosophicus de Ludwig Wittgenstein, | ||
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| + | 3. É a ambiguidade radical de antimetafísica **metafísica** da epistemologia que aprofunda Wittgenstein na teoria apo-digmática da Linguagem e a coloca à raiz de todo o desenvolvimento da Tractatus. Neste sentido, o mundo é o conjunto dos fatos empíricos, que são representados resp. projetados, como conjunturas (Sachverhalte), | ||
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| + | 5. Já desde o 29 de seus 7 aforismos, Wittgenstein revela nesta impossibilidade o fundamento metafísico da antimetafísica da epistemologia. É que, de um lado, para ser discurso, o discurso metafísico não pode construir sentenças sobre a Essência do mundo e da Linguagem, mas tem de limitar-se a sentenças sobre os fatos empíricos do mundo, e, por outro lado, para ser metafísico, | ||
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| + | 6. A virulência antimetafísica da epistemologia é fundamentalmente **metafísica**. A epistemologia se apresenta como um tiro disparado contra a possibilidade da **metafísica**. Mas fundando o tiro contra a **metafísica** numa **metafísica** do tiro, a epistemologia não consegue ser antimetafísica. Ao fuzilar a **metafísica**, | ||
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| + | 9. O Tractatus não é uma corrente de discursos, que pretendesse demonstrar teses segundo uma ordem hipotáti-ca ou para tática de argumentação. É que todo discurso está ordenado à organização lógica de fatos relativos a um conhecimento objetivo do mundo. O pensador não quer provar nada. Visa tão-somente a re-velar nas funções da língua o vigor do pensamento e assim denunciar a ilusão de se lhe atribuir o registro próprio da ciência. O projeto do Tractatus é inteiramente despojado de qualquer pretensão científica. A vitalidade de seus aforismos não pode ser determinada como um sistema de sentenças. Só fatos são suscetíveis de discurso. Uma sentença não pode exprimir senão um fato, simples ou complexo. Como o autor de Delfos, o pensador não afirma nem nega coisa alguma. Ele apenas assinala, enviando-nos à viagem de todas as nossas línguas. A **metafísica** tem sido vítima de seus próprios encantos. Mobilizada pelo narcisismo metafísico, | ||
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| + | Estas poucas indicações autobiográficas já demonstram uma profunda identificação com a terra natal. A importância de pensamento desta identificação é única em toda a história da filosofia alemã. Celebrou-a Hebel numa frase famosa: "Nós somos plantas que —desejemos confessá-lo ou não — devemos crescer com as raízes na terra para poder florir e dar frutos no céu"! O alarido da **metafísica**, | ||
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| + | A corrente de ideias artísticas e literárias, | ||
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| + | Um Destino Histórico Essencial implanta a terra linguística na galáxia da **metafísica** em cuja órbita gravitam as ciências. O pensamento precursor do poeta erra pelo espaço sem peso das ciências, à procura de gravidade. Por isso a preparação da semeadura exige uma formação do poeta no interior das ciências. Aqui o desafio é educar-se sem confundir poesia nem com erudição nem com ciência. O desafio é o perigo. Um perigo tanto mais salutar quanto mais, na descendência Histórica da **metafísica**, | ||
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| + | Os viajantes não sabem das possibilidades que seu Destino Histórico reserva à viagem. Este não saber é fundamental. Provém da nesciência. É que não se trata de mera negatividade e ausência impotente mas da própria condição de encontro com a poesia. O pensamento precursor do poeta vive na nesciência tanto da pretensão de saber como da pretensão de não-saber. Pois todo saber como todo não-saber, nascendo do esquivar-se do mistério, tem na Linguagem não as fronteiras de suas limitações mas o vigor de sua força. É a nesciência da poesia. Só aceitando, os viajantes aprendem da viagem a ser o aprofundamento da paisagem na poesia. Só aprendendo, ensinam a identidade da Linguagem, destinando-se, | ||
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| + | A experiência grega do homem se construiu no Zõon lógon échon, de quem a formulação **metafísica**, | ||
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| + | Todo o empenho de um pensamento verdadeiramente atento a pensar o kairós do Ser se concentra em dissolver a força tirânica daquela alternativa, | ||
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| + | Deve-se explorar primeiro as regiões sagradas do Ser, encobertas pelos cogumelos da **metafísica** a fim de se aprender a pensar divinamente as coisas divinas. Aprendendo a pensar I: Cristo e a Re-volução do Pensamento | ||
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| + | Deve-se resilir às origens nossa representação petrificada de Deus — do Deus dos filósofos, que é sempre o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, do Deus do Cristianismo, | ||
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| + | O Cristianismo des-mascarou o antropomorfismo do politeísmo pagão e o substituiu pelo monoteísmo de um Deus pessoal. Por outro lado, a Esquerda Hegeliana desmascarou o antropocentrismo radical do monoteísmo cristão e o substituiu pelo materialismo ateu de uma humanidade desalienada. Por mais diversos e inversos que sejam, um e outro esforço se fizeram e se fazem na força da mesma estrutura onto-teo-lógica da **metafísica**. Questionar a originariedade do politeísmo, | ||
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| + | Aquém de todo antropomorfismo e de todo antropocentrismo, | ||
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| + | As mesmas cadeias lógicas, que unem a estrutura di-mórfica da **metafísica** ao humanismo, ligam-na também ao monoteísmo. E assim como o humanismo masca e mascara a experiência originária do homem com o Ser, assim também o monoteísmo metafísico diverte e perverte a experiência originária do homem com o Divino. Ora, o Divino constitui o horizonte pluridimensional da deidade, o elemento misterioso onde poderá haver uma cor-respondência com Deus e os Deuses. Por isso o Pensamento Essencial procura sua Verdade fora da dualidade **metafísica** do teísmo e ateísmo. O ateísmo moderno não passa de uma consequência do cristianismo. É o cristianismo perfeitamente humanizado, isto é, no fundo totalmente descristianizado. Aprendendo a pensar I: Cristo e a Re-volução do Pensamento | ||
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| + | Esforçando-se por retirar o enorme entulho da **metafísica**, | ||
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| + | Assim se pode pressentir já a radicalidade da re-volução, | ||
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| + | 15. Devido ao mecanismo da funcionalidade, | ||
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| + | À luz do Pensamento Essencial se vê que o problema de Deus ainda não encontrou no Ocidente, tanto em sua história como em seu pensamento, as condições indispensáveis para se colocar em sua verdade. Para tanto, impõe-se iluminar primeiro, em sua fonte, a estrutura em que Deus há de integrar-se. Ora, a **metafísica**, | ||
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| + | Trata-se da oposição fundamental. É que diz respeito ao próprio vigor de essencialização da filosofia. Tanto Hegel como Heidegger pretendem ultrapassar a dicotomia, a cisão de ser e pensar. Hegel procura fazê-lo, reduzindo e dissolvendo o ser no pensamento através de uma **metafísica** de identidade absoluta. Heidegger contrapõe a esta identidade absoluta a com-pertinência originária de ser e pensar na qual o pensamento pertence ao ser e não o ser ao pensamento. A identidade absoluta provém do esquecimento da com-pertinência originária. A **metafísica** do Espírito Absoluto é um sistema de identidade sem diferença. Para Hegel o Ser é o pensamento pensando a si mesmo como ideia Absoluta. Para Heidegger, o Ser é a diferença como diferença. A " | ||
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| + | Hegel afirma na Phaenomenologie des Geistes: "Die Wunden des Geistes heilen ohne dass Narben bleiben": | ||
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| + | Para Hegel, o espírito do presente é a Presença do Espírito. Para Heidegger, o espírito do presente é a ausência do Ser. A marcha da filosofia é, para Hegel, um progresso dialético enquanto para Heidegger o caminhar do Pensamento Essencial é um regresso, "ein Schritt zurueck", | ||
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| + | O regresso parte da situação atual e é uma passagem da tecnologia da sociedade industrializada (funcionalização, | ||
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| + | O regresso é assim "ein langer Weg", um longo caminho. E um longo caminho no meio de uma noite Histórica. O Pensamento Essencial trabalha na caminhada deste caminho de cuja duração e persistência não se conhece a medida. "Der Schritt zurueck verlangt eine Dauer und Ausdauer, deren Mass wir nicht kennen. A noite Histórica por onde caminha o caminho do regresso, é o império técnico do niilismo. Daí o primeiro passo da caminhada consistir em ultrapassar o niilismo da técnica, ingressando no vigor de sua Essência: "Die Einkehr in sein Wesen ist der erste Schritt durch den wir den Nihilismus hinter uns lassen" | ||
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| + | A constituição onto-teo-lógica da **metafísica** é uma estrutura de três integrantes: | ||
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| + | Fundar é a ação própria da lógica. Lógico é o modo de pensar em que se elabora uma estrutura hipotática de ideias, uma fundando a outra. Já com Aristóteles a lógica funda o ente na universalidade do ser. A lógica de Aristóteles é a primeira sistematização da força fundante da razão. Mais do que ninguém, compreendeu Hegel essa força fundante da razão e é por isso que chamou a **metafísica** de Wissenschaft der Logik, " | ||
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| + | Agora se pode compreender a afirmação de Heidegger de que a **metafísica** é lógica, como onto-lógica, | ||
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| + | Ao aprofundar a dialética lógica do pensamento, Hegel identificara a lógica com a teologia. Trata-se de uma identificação inevitável e necessária sempre que o ente for pensado em função de um fundamento comum. Se pensar é reunir os entes no fundamento do ser em sua dinâmica de absolutização, | ||
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| + | A **metafísica** é teológica porque é lógica. Mas por que é lógica a **metafísica**? | ||
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| + | A estrutura onto-teo-lógica da **metafísica** criou em sua dinâmica Histórica de Absolutização o mundo técnico-científico do sistema de controle, onde Deus está morto. Na situação atual não se pode falar em Deus. A **metafísica** se apoderou de todas as palavras, de toda a gramática e de todas as expressões, | ||
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| + | A espera do silêncio, no entanto, não é passividade. É a construção obscura, insegura e estranha de um salto" | ||
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| + | Mas o salto não é uma atitude isolada de alguns indivíduos. É um salto histórico e social. A linguagem é ao mesmo tempo um desvelar-se e um velar-se do Ser na História da Humanidade. Ao fazer-se linguagem, o Ser presenteia o homem com sua Essência mas ao mesmo tempo, ao fazer-se linguagem **metafísica**, | ||
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