estudos:carneiro-leao:logica
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| estudos:carneiro-leao:logica [09/02/2026 20:16] – created - external edit 127.0.0.1 | estudos:carneiro-leao:logica [10/09/2026 04:00] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Lógica ====== | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | //Excertos de " | ||
| + | |||
| + | A originalidade de nosso século está em haver deslocado o problema das relações entre história e verdade para o próprio diferir e referir da diferença e referência de temporal e intemporal, de relativo e necessário, | ||
| + | |||
| + | Na realização dessa tarefa não interessa a estrutura **lógica ** das ciências do espírito. " Dilthey se preocupa da estrutura real. Ora, o que em primeiro lugar estrutura um processo real é a conexão de seus momentos. Com isso Dilthey completa a trilogia da consciência histórica articulada na coesão de vivência e compreensão. A importância da conexão é dar unidade à interdependência de compreensão e vivência. Toda vicissitude da vida é uma trama conexa em que tudo se insere numa referência essencial com o todo. O objeto das ciências do espírito é esse nexo efetivo e suas criações que referem entre si nas obras históricas as diferenças de vivência e compreensão. Aprendendo a pensar I: O Problema da História em W. Dilthey | ||
| + | |||
| + | Descobrindo que a neurose não é um sintoma, Freud transcende o universo dos fatos e cria para o discurso da psicanálise um novo universo, o universo do sentido. Um sentido não é o produto de causas mas a criação de um sujeito. A **lógica ** e epistemologia do sentido vivem um outro jogo da linguagem. E é segundo as regras deste jogo que não pode haver distinção clara entre observação e interpretação. Só se exige clareza a respeito de quem está dizendo o quê. Por isso, se o discurso do fato pergunta em termos de " | ||
| + | |||
| + | É esta mesma de-cisão que estabelece até hoje a filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles como critério na escolha, interpretação e avaliação dos primeiros pensadores gregos. Os problemas, as concepções e os conceitos de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
| + | |||
| + | E não obstante, a pretensão de uma vitória definitiva do princípio racional da luz, de um império eterno do Olimpo de Zeus, que alimenta a religião e a mitologia dos primeiros tempos, vai servir de base para a fundação da filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles, | ||
| + | |||
| + | O Ser nunca é diretamente acessível. Como diferença ontológica, | ||
| + | |||
| + | Com efeito o vigor histórico do esquecimento do Ser, que na era da técnica e da ciência atinge o paroxismo de sua virulência, | ||
| + | |||
| + | No modo cotidiano de ser só vemos na linguagem o instrumento. Uma técnica de comunicação, | ||
| + | |||
| + | Foi o que se deu com a maioria das interpretações de Sein und Zeit. Ao invés de re-pensarem os termos e a gramática pela coisa a ser pensada, muitos leitores procuraram entender a coisa a ser pensada pela **lógica ** e pela gramática tradicionais. Ora, de vez que a **lógica ** e a gramática da tradição são as formas em que o esquecimento da metafísica se apoderou da linguagem, a interpretação assim alcançada fica sempre à margem da questão e do propósito de Sein und Zeit. Aprendendo a pensar I: Sobre o Humanismo | ||
| + | |||
| + | 2. Desta perspectiva, | ||
| + | |||
| + | 4. Se não nos deixarmos desviar desta aparência, a própria suspeita de insensatez nos possibilita encontrar nas diferenças entre Heidegger e Wittgenstein uma identidade de pensamento. Não apenas Wittgenstein, | ||
| + | |||
| + | 3. É a ambigüidade radical de antimetafísica metafísica da epistemologia que aprofunda Wittgenstein na teoria apo-digmática da Linguagem e a coloca à raiz de todo o desenvolvimento da Tractatus. Neste sentido, o mundo é o conjunto dos fatos empíricos, que são representados resp. projetados, como conjunturas (Sachverhalte), | ||
| + | |||
| + | 4. Ora, se o estatuto apo-digmático da Linguagem, de representar fatos por fatos, retira sua possibilidade de uma mesma forma, esta já não pode ser representada nem projetada pelo registro da Linguagem. Para tanto, o registro deveria colocar-se fora de sua própria possibilidade de registrar, o que tornaria todo registro impossível. Como condição de possibilidade do registro e da representação, | ||
| + | |||
| + | 3. "A representação **lógica ** dos fatos é o pensamento" | ||
| + | |||
| + | 9. O Tractatus não é uma corrente de discursos, que pretendesse demonstrar teses segundo uma ordem hipotáti-ca ou para tática de argumentação. É que todo discurso está ordenado à organização **lógica ** de fatos relativos a um conhecimento objetivo do mundo. O pensador não quer provar nada. Visa tão-somente a re-velar nas funções da língua o vigor do pensamento e assim denunciar a ilusão de se lhe atribuir o registro próprio da ciência. O projeto do Tractatus é inteiramente despojado de qualquer pretensão científica. A vitalidade de seus aforismos não pode ser determinada como um sistema de sentenças. Só fatos são suscetíveis de discurso. Uma sentença não pode exprimir senão um fato, simples ou complexo. Como o autor de Delfos, o pensador não afirma nem nega coisa alguma. Ele apenas assinala, enviando-nos à viagem de todas as nossas línguas. A metafísica tem sido vítima de seus próprios encantos. Mobilizada pelo narcisismo metafísico, | ||
| + | |||
| + | Heráclito: Não é edipiano, portanto, o olho que per-cebe os limites da visão em tudo que se vê. Um limite, que se per-cebe, já não prende, liberta. Não é só clausura. É também uma abertura. Numa estória antiga sem tempo, o Não-Saber visitou o Saber com a pergunta: "O que é Nada?" — O Saber respondeu de pronto: "Nada é não ser!" Mas o Não-Saber não se satisfez e insistiu: "Neste caso, se Nada for mesmo Nada, não é Nada, é ser. Para ser não ser, tem que ser e, sendo, já não é não ser!" Ao Saber ocorreu logo o paradoxo do mentiroso e quis sair-se com a doutrina das suposições, | ||
| + | |||
| + | Estranhamente o mito vem interessando às pesquisas de filólogos e antropólogos, | ||
| + | |||
| + | Essa revisão do mito é no fundo uma revelação da autoconsciência da filosofia. O que o filósofo procura na verdade do mito é a verdade da própria filosofia. Na época de sua errância racional, a filosofia se sentia absolutamente autônoma e independente da não-filosofia. No espaço dessa independência julgava atingir com os recursos da razão uma verdade absoluta, necessária, | ||
| + | |||
| + | O Pensamento Essencial, que se exerce em pensar o advento do Ser, encontra em seu caminho re-volucionário uma questão sedutora: O Ser é ou não é Deus? — Sob o peso desta pergunta arrisca-se a sucumbir. Transviado pela força **lógica ** da alternativa arrisca-se a entregar-se logo a uma resposta negativa ou afirmativa. E nesta entrega a renunciar a si mesmo para deleitar-se nas facilidades do ateísmo e niilismo, da religião e da teologia. Longe de ser estimulante, | ||
| + | |||
| + | 25. Contra a identidade do Mistério de Cristo nas diferentes religiões se aciona a **lógica ** da não-contradição. Na analogia das religiões a Igreja de Cristo é o analogatum princeps, cujo significante privilegiado é a Igreja de Roma. Do contrário, sem analogado principal nem significante privilegiado, | ||
| + | |||
| + | A perspectiva de diferença do presente diálogo é constituida pelo Pensamento Essencial (das wesentliche Denken) de Martin Heidegger. Em seu processo de elaboração, | ||
| + | |||
| + | A constituição onto-teo- **lógica ** da metafísica é uma estrutura de três integrantes: | ||
| + | |||
| + | Fundar é a ação própria da **lógica **. Lógico é o modo de pensar em que se elabora uma estrutura hipotática de ideias, uma fundando a outra. Já com Aristóteles a **lógica ** funda o ente na universalidade do ser. A **lógica ** de Aristóteles é a primeira sistematização da força fundante da razão. Mais do que ninguém, compreendeu Hegel essa força fundante da razão e é por isso que chamou a metafísica de Wissenschaft der Logik, " | ||
| + | |||
| + | Agora se pode compreender a afirmação de Heidegger de que a metafísica é **lógica **, como onto- **lógica **, na medida em que pensa o ente no seu todo na dinâmica de fundamento e fundado: Denkt die Metaphysik das Seiende in Hinblick auf seinem jeden Seienden als solchen gemeinsamen Grund, dann ist sie Logik als Ontologik" | ||
| + | |||
| + | Ao aprofundar a dialética **lógica ** do pensamento, Hegel identificara a **lógica ** com a teologia. Trata-se de uma identificação inevitável e necessária sempre que o ente for pensado em função de um fundamento comum. Se pensar é reunir os entes no fundamento do ser em sua dinâmica de absolutização, | ||
| + | |||
| + | A metafísica é teológica porque é **lógica **. Mas por que é **lógica ** a metafísica? | ||
| + | |||
| + | A espera do silêncio, no entanto, não é passividade. É a construção obscura, insegura e estranha de um salto" | ||
| + | |||
| + | {{tag>" | ||
